quarta-feira, 9 de setembro de 2020

SETEMBRO AMARELO, DOENÇAS MENTAIS E O SUICÍDIO: ONDA OCULTA E CRESCENTE DURANTE A PANDEMIA


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos no mundo, sendo a 3ª causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a 7ª causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos, ainda relatam pesquisadores que, a partir dos 9 anos, a criança já tem noção sobre o mundo, capacidade de escolhas e, portanto, pode ter “ideação suicida”.

O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, de iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) iniciada em 2015 e ocorre neste mês em função de 10 de setembro ser Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, instituído pela OMS em 2003. A cor amarela faz alusão a morte por suicídio de um jovem americano, Mike Emme de apenas 17 anos em 1994. Ele tirou a própria vida em um Mustang amarelo 1968 que havia sido restaurado por ele, sendo que seus familiares e amigos ofertaram durante seu velório, cartões com frases motivacionais focadas naqueles que padeciam das mesmas dores que Mike e estes tinham laços amarelos. A partir deste episódio, seus familiares e amigos iniciaram uma campanha de prevenção que se ampliou rapidamente e originou o Dia Mundial de Prevenção.

O Brasil está em 8º lugar entre os países com maior número de suicídios, com uma média nacional de 32 suicídios por dia, 5,5 suicídios por 100 mil habitantes. O Rio Grande do Sul lidera, seguido por Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, que apresenta uma média maior que a nacional, de 8,58 suicídios por 100 mil habitantes.

Quando se aborda o suicídio, necessário se faz discorrer sobre situações orgânicas que habitualmente estão relacionadas: o estresse, a ansiedade e a depressão.

Toda vez que o ser humano está se confrontando com uma situação que coloque risco a sua vida, ou que provoque um certo nível de tensão, um mecanismo orgânico de proteção se desencadeia, a começar pela liberação pelas glândulas suprarrenais dos hormônios cortisol e adrenalina, estes hormônios catalisam reações químicas que provocam os pulmões a inflarem na busca de mais ar para oxigenar as células, o coração bate mais rápido para bombear mais sangue e levar mais oxigênio para os músculos, a pressão arterial aumenta, enfim, todo um mecanismo de defesa é disparado e assim a espécie humana tem sobrevivido através dos tempos. Quando este mecanismo de defesa é ativado constantemente, pode desencadear problemas orgânicos e mentais, acarretando o estresse, o qual se apresenta passageiro, e distúrbios psicossociais mais graves, persistentes e que necessitam de tratamento qualificado, como os transtornos de ansiedade e a depressão, esta uma doença de cunho psiquiátrico.

Os transtornos de ansiedade, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), assim como a depressão advém ainda de alterações provocadas por este mecanismo de defesa em neurotransmissores do cérebro, como a serotonina e a endorfina, os quais são responsáveis pelo sentimento de alegria e de prazer, também podendo ter origem hereditária, traumática, no relacionamento familiar e em outras causas externas. Portanto, este mecanismo de defesa, quando disparado constantemente, pode causar, ativar ou potencializar um problema mental, de outra maneira também pode causar problemas orgânicos e ainda diminui a capacidade imunológica.

Não confundir a ansiedade normal de se fazer uma prova importante, uma entrevista de emprego, de se ganhar um presente desejado ou outra situação cotidiana similar, com a vivência constante desta sensação, se conotando como um distúrbio psicossocial.

A OMS relata que 5% da população mundial sofre de depressão, os indicadores dos transtornos de ansiedade chegam a quase 10%. No Brasil, 12 milhões de pessoas sofrem de depressão, quase 18 milhões de algum transtorno de ansiedade. Estes números devem crescer durante a pandemia, a qual, segundo a OMS, mesmo com o advento da vacina, deve levar até 2 anos para se encerrar. O isolamento social, o temor pelo desemprego e pela vida, a “infodemia” e, inclusive, o acesso irrestrito à informação, provocam que o mecanismo do estresse dispare a todo o momento e isto pode ser devastador.

Sabendo que os transtornos de ansiedade e, especialmente a depressão estão intrinsicamente relacionados com o suicídio, importante dizer que as pessoas emitem sinais que precisam ser identificados, estes se expressam por alteração de comportamento, isolamento, aumento ou diminuição de peso, rompantes de agressividade, desesperança, tristeza absoluta, baixa estima e, por vezes, a verbalização de “não se estar bem”.

Os especialistas recomendam da importância do diálogo entre pais e filhos, a observação das alterações de comportamento, o cuidado com a imersão em redes sociais, as quais tem sido grandes responsáveis pelo suicídio, em especial de crianças e adolescentes, através de jogos que induzem ao ato. Ainda indicam, especialmente neste momento de pandemia, que as pessoas mantenham rotinas de vida, que incluam momentos para a prática esportiva, o lazer, momento para orar e ou para meditar com músicas que provoquem o relaxamento e mesmo para receber a informação, não deixar a televisão constantemente ligada em noticiários, procurar veículos que difundam uma informação abalizada, evitando a “infodemia” das redes sociais e o fazer igualmente em momento específico.

A saúde mental e o suicídio são temas que precisam ser conversados, “tabus” que necessitam ser quebrados, o momento pandêmico é único, doloroso para todos, mas que será superado e para aqueles que entenderem o grande senso de oportunidades que este mundo em transformação está ofertando, será o caminho para o sucesso e a felicidade.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

SETEMBRO AMARELO, DOENÇAS MENTAIS E O SUICÍDIO: ONDA OCULTA E CRESCENTE NESTA PANDEMIA

Olá!!! 



Convido você para acompanhar a minha participação no Jornal da Cidade 1ª edição (Rádio Cidade 104,1 FM) de Itapema – SC de quinta-feira (03/09) onde abordei o tema “Setembro Amarelo, Doenças Mentais e o Suicídio: onda oculta e crescente nesta pandemia.” 



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terça-feira, 1 de setembro de 2020

COVID-19 NO BRASIL: O DESAFIO DO TRABALHO SEGURO DURANTE A PANDEMIA.

 


Apresentando mais de 16 milhões de recuperados, o que é reconfortante, a Covid-19 continua a avançar de maneira avassaladora mundo afora, já passamos dos 25 milhões de casos e dos 840 mil óbitos. A Europa, com relevo para Espanha, França e Itália, se aterroriza com uma possível 2ª onda, assim como a Coreia do Sul. Os EUA, liderando em casos e óbitos, alterna fases de aceleração, platô e desaceleração, lá e cá, numa onda intermitente. Hong Kong, Bélgica e Holanda registraram casos de reinfecção por Covid-19, o que pode afetar na elaboração de uma vacina, sinalizando o tempo de imunização e dando cores pessimistas a quem aguarda pela imunização de rebanho. A OMS se manifestou sobre a importância das vacinas, mas alertou da necessidade de se conhecer a sua real eficácia para toda a população, a complexa logística global de produção e imunização, e que, mesmo contando com esta importante ferramenta, a pandemia deve levar por volta de 2 anos para se encerrar. Ainda que as políticas governamentais, calcadas na ampla testagem, identificação precoce dos contaminados e rompimento da cadeia de transmissão, são fundamentais, assim como a população precisa incorporar ao seu cotidiano o uso da máscara, higienização constante das mãos e cuidados de distanciamento social.

O Brasil completou seis meses de pandemia, se situando perante seus mais de 3,8 milhões de casos oficiais e mais de 120 mil óbitos, como segundo no mundo nos dois indicadores, comemorando mais de 3 milhões de recuperados, mas se entristecendo por superar os EUA em taxa de mortes por 100 mil habitantes, escancarando uma desigualdade social brutal e inadmissível, como inaceitável é a falta de gestão e de respeito ao valor humano demonstrada por boa parte dos nossos governantes.

Nosso país apresenta desaceleração de contágio em muitas regiões, outras estão em fase de platô, estabilizado com números altos de contágio e óbitos, certos locais, como o Rio de Janeiro, começam a apresentar novamente aumento no número de casos e óbitos, estes indicadores somados aos relatados mundialmente, tendo como base os alertas da OMS e do meio científico, nos impõe a compreensão que, mesmo com o advento da vacina, teremos que nos condicionar ao “novo normal” que poderá se prolongar até o final de 2021 e talvez se arraste por 2022, com previsíveis novas ondas.

Refeitos do susto inicial, ainda a mercê do imenso despreparo dos nossos governantes, mesmo cientes que esta pandemia pode demorar para se encerrar, precisamos nos adaptar e voltarmos as nossas vidas, da maneira possível. Nossa vida profissional já está sendo retomada, o home office foi ampliado substancialmente, as redes digitais estão sendo utilizadas como nunca, mas o trabalho presencial se reveste de mais cuidados e regramentos, tanto para garantir a integridade da saúde dos colaboradores, dos consumidores e também a segurança jurídica dos empregadores.

As relações de trabalho e a forma de atender o consumidor precisam se adaptar a legislação criada nesta pandemia, com relevo para a Lei nº 13.979/2020 (lei da quarentena do Coronavírus), o Decreto de Calamidade Pública aprovado pelo Congresso Nacional (DLG 6-2020), a Portaria GM/MS nº 188/2020 que declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, a Portaria conjunta do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho nº 20/2020, as Medidas Provisórias nº 927 e nº 931/2020, já suprimidas em favor da Lei nº 14.020/2020 que institui o Programa Emergencial do Emprego e da Renda, ainda os Decretos Federais, Estaduais e Municipais identificando os serviços essenciais perante sua competência e regrando sua operacionalização. Importante o fato do Supremo Tribunal Federal ter criado jurisprudência (29/04) sobre a Covid-19 ser uma doença ocupacional, se conotando como um acidente de trabalho.

As ações apresentadas à Justiça do Trabalho até 27 de agosto, relacionadas à pandemia, já somam R$ 6,03 bilhões. É o que revela o Termômetro Covid-19 da Justiça do Trabalho, plataforma desenvolvida pela Datalawyer Insights onde se vê em tempo real os processos em andamento. Nesta data, havia 89.194 ações em todo o país, com valor médio das causas de R$ 67.585,00. Até março, mês seguinte ao primeiro caso de Covid-19 no Brasil, havia 2.959 ações. Em abril se somaram mais de 16.313, aumento de 451,3%. De maio para junho chegaram mais 19.607 casos nos tribunais. Santa Catarina acumula 10.475 ações no total, com valor médio das causas de R$ 22.827,00, sendo o segundo estado brasileiro com mais ações trabalhistas. Até agora, o maior número de casos está na indústria da transformação, seguido de comércio e reparação de veículos, em 3º lugar estão as atividades administrativas.

Esta pandemia impõe modificações nas rotinas de trabalho perante um “novo normal” e na exigência do empregador proporcionar condições de biossegurança aos seus colaboradores e aos consumidores. Para tanto, a legislação específica criada deve ser seguida e esta exige o treinamento dos colaboradores, protocolos sanitários e uma série de regras a serem cumpridas.

É imenso o desafio do resguardo à vida neste momento pandêmico e da continuidade do trabalho, respeitando a integridade física de colaboradores e consumidores, assim como garantindo juridicamente os empregadores. Com a chegada do final do ano e da temporada de verão, tão importante para o Brasil que tem no turismo regional e internacional um dos alicerces da sua economia, este desafio se ampliará. Mas se a pandemia demonstra que prosseguirá, a continuidade da vida precisa se sobrepor a ela.

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terça-feira, 25 de agosto de 2020

COVID-19: SAÚDE MENTAL, UMA NOVA ONDA OCULTA E PREOCUPANTE.

 



A pandemia deste novo Coronavírus já contaminou mais de 23 milhões de pessoas mundo afora, com mais de 800 mil óbitos. No Brasil, segundo país em número de casos e óbitos, com relevo para uma grande subnotificação, somam-se mais de 3,6 milhões de casos e nos aproximamos dos 115 mil óbitos, salta aos olhos que nosso país produziu algo em torno de 14% dos óbitos globais. Quando olhamos este entre outros indicadores, entendemos o papel nefasto causado pela ausência de um Ministério da Saúde atuante no comando das ações nacionais, as consequências de discursos governamentais que relativizam a doença e menosprezam a ciência, induzindo a população a fazer o mesmo. Apenas a história para julgar os atos e as consequências deles na proteção da saúde humana neste momento ímpar.

Segundo a OMS, o Brasil apresenta sinais de entrar em fase de platô, em 21/08 se manifestou sobre a tendência de estabilização de casos e de óbitos no país, enaltecendo o trabalho dos profissionais da área da saúde, mas ressaltando que a evolução da doença impõe atenção constante e a chegada da vacina, apesar de importante ferramenta, não extinguirá sozinha esta pandemia e os esforços de prevenção, como o distanciamento social e higienização das mãos, precisarão continuar sendo feitos para que a transmissão diminua, ainda espera que a crise do Coronavírus demande 2 anos para acabar, tendo como parâmetro a gripe espanhola que durou de janeiro 1918 a dezembro de 1920. De outra forma, o Imperial College de Londres analisa queda na taxa de infecção, com taxa de contágio em 1,01 em parte do país, sinalizando a possibilidade de entrada em fase de desaceleração de contágio. Claro que o Brasil é um país continental, com várias curvas de crescimento e indicadores variados conforme a região, é perceptível que está fechando em platô alto de contágio e de óbitos, e isto é preocupante. Mas como saber a verdade, se o nosso país é um dos que menos testa a população e quando faz, o faz de maneira ineficaz.

Esta pandemia é sem parâmetros, visto a sua abrangência e gravidade, com a evolução da tecnologia, a informação chega instantaneamente e maciçamente às pessoas, isto é importante, mas pode se somar a outros fatores para desencadear a depressão e transtornos de ansiedade.

Paralelamente a COVID-19 que ainda deve nos alarmar por um bom tempo, uma nova onda oculta e muito preocupante começa a se mostrar, a da Saúde Mental. A OMS contabiliza 5% da população mundial sofrendo de depressão, no Brasil são 12 milhões de pessoas, 10% de nossa população padece de algum transtorno de ansiedade e a China divulga que após a epidemia do SARS-COV, causador do SARS em 2003, 30% de sua população foi atingida por uma onda de depressão e transtornos de ansiedade. Estes indicadores pré-pandemicos sinalizam o que há por vir.

Quando o ser humano está diante de uma ameaça à vida, ele libera um mecanismo de luta ou fuga que se traduz pelo estresse. Impulsos nervosos estimulam a glândula suprarrenal a aumentar a produção do cortisol e da adrenalina, isto faz o coração disparar com o objetivo de levar mais sangue para os músculos trabalharem, para captar mais oxigênio, a respiração acelera e estoques de energia são liberados para servir de combustível, esse mecanismo ágil e eficiente proporciona que nossa espécie sobreviva as adversidades. Entretanto, o inimigo que enfrentamos atualmente é invisível, não se apresenta solução fácil e de curto prazo, gera instabilidade para o sustento de nossas famílias e incertezas sobre o futuro, fazendo com que o gatilho da tensão dispare a todo instante e isto é destrutivo para a saúde humana e impactante para a saúde mental.

Estudo publicado pela revista inglesa The Lancet identifica que casos de ansiedade e estresse dobraram durante a pandemia e os de depressão tiveram aumento de 90%; pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro indica que os casos de depressão saltaram de 4,2% para 8% e os de ansiedade de 8,7% para 14,9%; em pesquisa divulgada pelo Grupo Abril, 76% da população temem adoecer pela COVID-19 e não ter atendimento hospitalar, 70% tem medo do desemprego, 59% sentem insegurança constante e 47% afirmam ter dificuldade para relaxar.

A ansiedade é um termo geral que se usa para caracterizar vários distúrbios que causam angústia, apreensão, medo, nervosismo e preocupação. É uma reação natural às situações cotidianas, se tornando um problema quando vivenciados de forma intensa e bastante frequente, comprometendo a qualidade de vida e a saúde emocional, caracterizando os transtornos, como o Transtorno de Ansiedade Generalizado. A depressão é uma doença psiquiátrica que relata tristeza profunda, sentimento de culpa recorrente e baixa estima, desencadeando distúrbios do sono, do apetite, entre outros. Se soma a isso, a dependência química e o abuso de álcool, transtornos graves relacionados ao enfrentamento de tantas adversidades as quais estamos passando e agravadas pelo distanciamento social que somos obrigados a nos impor.

Estes distúrbios podem e devem ser tratados, as causas precisam ser investigadas, o fator desencadeador ou potencializador merece ser melhor analisado e cada qual precisa fazer a sua parte para minimizá-lo. Os especialistas indicam ter o momento para se informar sobre esta pandemia e isto é importante, através de meios de comunicação abalizados, evitando a “infodemia” de redes sociais, mas não deixando a televisão constantemente ligada em noticiários, encontrando momentos para meditar em silêncio ou com áudios que estimulem a auto estima e o otimismo ou ainda através da oração, ter uma rotina que inclua atividades físicas, alimentação saudável e a elaboração de projetos de vida. Afinal, o momento é difícil, mas vai passar e o sucesso espreita as dificuldades.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...