Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos no mundo, sendo a 3ª causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a 7ª causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos, ainda relatam pesquisadores que, a partir dos 9 anos, a criança já tem noção sobre o mundo, capacidade de escolhas e, portanto, pode ter “ideação suicida”.
O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, de iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) iniciada em 2015 e ocorre neste mês em função de 10 de setembro ser Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, instituído pela OMS em 2003. A cor amarela faz alusão a morte por suicídio de um jovem americano, Mike Emme de apenas 17 anos em 1994. Ele tirou a própria vida em um Mustang amarelo 1968 que havia sido restaurado por ele, sendo que seus familiares e amigos ofertaram durante seu velório, cartões com frases motivacionais focadas naqueles que padeciam das mesmas dores que Mike e estes tinham laços amarelos. A partir deste episódio, seus familiares e amigos iniciaram uma campanha de prevenção que se ampliou rapidamente e originou o Dia Mundial de Prevenção.
O Brasil está em 8º lugar entre os países com maior número de suicídios, com uma média nacional de 32 suicídios por dia, 5,5 suicídios por 100 mil habitantes. O Rio Grande do Sul lidera, seguido por Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, que apresenta uma média maior que a nacional, de 8,58 suicídios por 100 mil habitantes.
Quando se aborda o suicídio, necessário se faz discorrer sobre situações orgânicas que habitualmente estão relacionadas: o estresse, a ansiedade e a depressão.
Toda vez que o ser humano está se confrontando com uma situação que coloque risco a sua vida, ou que provoque um certo nível de tensão, um mecanismo orgânico de proteção se desencadeia, a começar pela liberação pelas glândulas suprarrenais dos hormônios cortisol e adrenalina, estes hormônios catalisam reações químicas que provocam os pulmões a inflarem na busca de mais ar para oxigenar as células, o coração bate mais rápido para bombear mais sangue e levar mais oxigênio para os músculos, a pressão arterial aumenta, enfim, todo um mecanismo de defesa é disparado e assim a espécie humana tem sobrevivido através dos tempos. Quando este mecanismo de defesa é ativado constantemente, pode desencadear problemas orgânicos e mentais, acarretando o estresse, o qual se apresenta passageiro, e distúrbios psicossociais mais graves, persistentes e que necessitam de tratamento qualificado, como os transtornos de ansiedade e a depressão, esta uma doença de cunho psiquiátrico.
Os transtornos de ansiedade, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), assim como a depressão advém ainda de alterações provocadas por este mecanismo de defesa em neurotransmissores do cérebro, como a serotonina e a endorfina, os quais são responsáveis pelo sentimento de alegria e de prazer, também podendo ter origem hereditária, traumática, no relacionamento familiar e em outras causas externas. Portanto, este mecanismo de defesa, quando disparado constantemente, pode causar, ativar ou potencializar um problema mental, de outra maneira também pode causar problemas orgânicos e ainda diminui a capacidade imunológica.
Não confundir a ansiedade normal de se fazer uma prova importante, uma entrevista de emprego, de se ganhar um presente desejado ou outra situação cotidiana similar, com a vivência constante desta sensação, se conotando como um distúrbio psicossocial.
A OMS relata que 5% da população mundial sofre de depressão, os indicadores dos transtornos de ansiedade chegam a quase 10%. No Brasil, 12 milhões de pessoas sofrem de depressão, quase 18 milhões de algum transtorno de ansiedade. Estes números devem crescer durante a pandemia, a qual, segundo a OMS, mesmo com o advento da vacina, deve levar até 2 anos para se encerrar. O isolamento social, o temor pelo desemprego e pela vida, a “infodemia” e, inclusive, o acesso irrestrito à informação, provocam que o mecanismo do estresse dispare a todo o momento e isto pode ser devastador.
Sabendo que os transtornos de ansiedade e, especialmente a depressão estão intrinsicamente relacionados com o suicídio, importante dizer que as pessoas emitem sinais que precisam ser identificados, estes se expressam por alteração de comportamento, isolamento, aumento ou diminuição de peso, rompantes de agressividade, desesperança, tristeza absoluta, baixa estima e, por vezes, a verbalização de “não se estar bem”.
Os especialistas recomendam da importância do diálogo entre pais e filhos, a observação das alterações de comportamento, o cuidado com a imersão em redes sociais, as quais tem sido grandes responsáveis pelo suicídio, em especial de crianças e adolescentes, através de jogos que induzem ao ato. Ainda indicam, especialmente neste momento de pandemia, que as pessoas mantenham rotinas de vida, que incluam momentos para a prática esportiva, o lazer, momento para orar e ou para meditar com músicas que provoquem o relaxamento e mesmo para receber a informação, não deixar a televisão constantemente ligada em noticiários, procurar veículos que difundam uma informação abalizada, evitando a “infodemia” das redes sociais e o fazer igualmente em momento específico.
A saúde mental e o suicídio são temas que precisam ser conversados, “tabus” que necessitam ser quebrados, o momento pandêmico é único, doloroso para todos, mas que será superado e para aqueles que entenderem o grande senso de oportunidades que este mundo em transformação está ofertando, será o caminho para o sucesso e a felicidade.
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