Todos nós crescemos escutando que “determinada pessoa nasceu com a sorte grande” ou que “fulano de tal, é alguém com muita sorte”. Mas afinal, será que esta variável reconhecida como fruto do acaso, a qual denominamos de sorte, é a principal responsável pelo sucesso?
Mas, antes de prosseguir, se faz importante diferenciar talento e dom.
O talento é a soma de conhecimento e habilidade específicos para desenvolver determinada atividade. Já o dom, é uma habilidade genética que determinada pessoa apresenta desde o nascimento. Para exemplificar, vamos pensar no caso de um jogador de futebol, determinados jogadores nascem com o dom, qual seja, a habilidade lhes é natural, contudo, outros jogadores menos dotados geneticamente, por trabalho e esforço, podem desenvolver o talento e terem mais sucesso na carreira que aqueles que nasceram com o dom.
Olha só, então trabalho e dedicação podem se conjugar para desenvolver habilidades que substituem o dom ou a aptidão natural para determinada atividade e, portanto, são variáveis importantes para o sucesso.
Mas afinal, a sorte é responsável pelo sucesso?
Em realidade, a sorte deve ser entendida como o encontro do binômio trabalho e preparação com a oportunidade, claro, as oportunidades precisam ser visualizadas e o verbo arriscar é um diferencial.
Se pensarmos que 80% do capital está concentrado nas mãos de 20% da população mundial, o dinheiro também pode ser considerado um diferencial para o sucesso, contudo, a prática nos mostra que muitas fortunas se esvaíram nas mãos de herdeiros pouco preparados e grandes impérios nasceram a partir do esforço e trabalho de quem não nasceu “em berço de ouro” e, por vezes, cresceu em um ambiente de pobreza.
Segundo Napoleão Hill, escritor estadunidense extremamente influente, estudioso do comportamento humano, que assessorou os presidentes americanos Woodrow Wilson e Franklin Delano Roosevelt, com diversos best sellers em seu currículo, entre eles, o livro “A Lei do Triunfo”, o sucesso pode ser alcançado através de habilidades que podem ser desenvolvidas. Para tanto, neste livro escrito em 1928, contando com 672 páginas, ele ensina 16 lições práticas para se atingir o sucesso.
No mesmo caminho, existem 7 verbos que conjugam na prática pessoal, o binômio aprendizado e ação, estabelecendo regras para se alcançar o sucesso, quais sejam: dar e receber, comunicar, solicitar, arriscar, realizar e perdoar.
O conceito anterior reflete o pensamento de diversos estudiosos do desenvolvimento humano e apresenta inicialmente a lei do dar e receber, também chamada de lei do equilíbrio de troca, tendo sido observada nos grupos sociais, inicialmente, por Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares, terapia incluída nas Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas, a qual busca resolver conflitos familiares que atravessam gerações. O alinhamento entre dar e receber seria um pressuposto para se alcançar o sucesso.
Os verbos comunicar, solicitar, arriscar e realizar compõe a ferramenta Roda das Realizações ou da Abundância, a qual auxilia as pessoas a potencializarem as suas carreiras e trabalharem o autoconhecimento, sendo utilizada como um poderoso mecanismo do processo de Coaching.
O perdão se expressa em 3 dimensões, quais sejam: pedir perdão, perdoar o outro e perdoar a si mesmo. Sendo fundamental na estruturação pessoal que configura um indivíduo propenso ao sucesso.
Ainda no que concerne a Ferramenta Roda das Realizações, como dito, bastante utilizada em processos de Coaching, a lei do dar e receber costuma ser utilizada antes desta ferramenta para identificar um desequilíbrio no coachee (cliente), o qual tenha desenvolvido um pensamento limitante (crença), sendo que, este precisa ser eliminado e substituído por um pensamento positivo para não travar a obtenção de um resultado exitoso. A sessão de Coaching onde é utilizada esta ferramenta, ao tempo que se utiliza a lei do dar e receber no seu início, costuma, em seu fechamento, trabalhar as 3 dimensões do perdão, perante o entendimento que uma pessoa com mágoas tende a bloquear resultados que expressem o sucesso.
Como vemos, diversos estudos, de variados pesquisadores do desenvolvimento humano, desenvolveram mecanismos que procuram explicar e ensinar as habilidades a serem desenvolvidas para se alcançar o sucesso. Na mesma medida, a ciência também colaborou para explicar o que difere as pessoas bem-sucedidas daquelas que naufragam em seus sonhos. Neste contexto, se enquadra o desenvolvimento da Inteligência Emocional, conceito apresentado inicialmente em 1920, contudo, tendo sua definição mais aceita datada de 1995, através do livro ”Inteligência Emocional, a teoria revolucionaria que define o que é ser inteligente”, escrito pelo psicólogo e Ph.D. da Universidade de Harvard, Daniel Goleman, considerado o pai da Inteligência Emocional.
Segundo esta teoria, o sucesso atingido por algumas pessoas seria composto em 20% pelo quociente de inteligência (QI) somado ao conhecimento adquirido nos bancos escolares, contudo, 80% seriam representados pela inteligência emocional (QE).
O sucesso tem sido bastante estudado através dos anos e já está decifrado e desenhado os elementos que envolvem o desenvolvimento humano no caminho de alcançá-lo, contudo, a variável “sorte” só se incorpora a este desenho quando conjuga o binômio trabalho e preparação a se encontrar com uma oportunidade.
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