quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

DISFUNÇÕES DA TIREOIDE AFETANDO A QUALIDADE DE VIDA



As disfunções da Tireoide atingem cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15% da população se vê afetada por problemas na Tireoide.

A Tireoide é uma das maiores glândulas do corpo humano, variando o seu volume conforme a idade, sexo e peso das pessoas. O seu volume, nos homens oscila entre 12 e 18 ml e nas mulheres entre 10 e 15 ml, podendo atingir até 25 ml em adultos, sendo a sua dimensão de cerca de 5 cm. Tem o formato de uma borboleta, pois se apresenta com dois lobos ligados a uma parte central, localizado na região anterior do pescoço, mais precisamente na frente da Traqueia, local facilmente identificado nos homens por ser logo abaixo do Pomo de Adão (gogó).

Esta glândula produz, a partir da captação e processamento do iodo ingerido, os hormônios T3 (triiodotireonina) e T4 (tiroxina), os quais atuam na regulação do metabolismo de diversas áreas do corpo humano, atuando na função de órgãos vitais, como o coração, rins, cérebro e fígado, também influenciam, entre outras funções, no crescimento de crianças e adolescentes, nos ciclos menstruais, no peso, no sono e na concentração. Sendo regulada pela ação do processo hipotalâmico-hipofisário-tireoidiano, o qual funciona da seguinte forma: o hipotálamo libera um hormônio que ativa a hipófise (estruturas do sistema nervoso central), a liberar o hormônio TSH (tireoestimulante), o qual estimula a produção dos hormônios da Tireoide.

Quando esta glândula apresenta uma disfunção, pode acarretar quadros de Hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios) ou Hipotireoidismo (diminuição na produção de hormônios), quadros que podem ser causados por determinadas doenças, como a Tireoide de Hashimoto no Hipotireoidismo e a doença de Graves, causa mais comum do Hipertireoidismo. Tanto o Hipertireoidismo quanto o Hipotireoidismo podem estar associados ao bócio (aumento do volume da Tireoide), alteração orgânica que pode identificar presença de nódulos. A presença de nódulo é comum, contudo, menos de 10% são cancerígenos e ao serem diagnosticados precocemente, a cura chega a 95%.

Alterações genéticas, histórico familiar de doenças autoimunes e dieta alimentar inconsistente ou excessiva em iodo, são fatores importantes para o aparecimento de disfunções na Tireoide.

O Hipertireoidismo se evidencia quando ocorre uma produção, além do necessário, dos hormônios T3 e T4, superestimulando o coração, os pulmões, os rins, intestino e diversos outros órgãos do corpo humano. A doença de Graves, sua causa mais comum, é mais frequente em mulheres de 20 a 40 anos que apresentam histórico familiar, sendo conotada como uma doença autoimune que apresenta de 10 a 20% de redução espontânea no seu grau de evolução. Outras causas são: adenoma tóxico, doença de Plummer, bócio multinodular, aumento da ingestão de iodo ou uso de medicamentos que o contenha, adenoma hipofisário (tumor que afeta a hipófise e aumenta a secreção de TSH), algum outro órgão começa a produzir T3 e T4 excessivamente (raro), provocado por doenças virais, bacterianas ou autoimunes e doenças do hipotálamo.

Os sintomas mais comuns do Hipertireoidismo são: olhos arregalados, espessamento da pele na região da canela, alteração nas extremidades dos dedos das mãos, papada no pescoço (bócio), palpitação, nervosismo, ansiedade, cansaço, diarreia, suor excessivo, intolerância ao calor, certo grau de emagrecimento, queda de cabelo, alterações menstruais, unhas quebradiças, insônia e dificuldade de concentração.

O Hipotireoidismo é o distúrbio mais comum, representado pela queda na produção dos hormônios T3 e T4, interferindo no humor, provocando a diminuição dos batimentos cardíacos, alterando o ritmo do intestino e o ciclo menstrual das mulheres, repercutindo em última análise, por todo organismo. Sua principal causa, é a Tireoide de Hashimoto, doença autoimune, em que o sistema de defesa ataca as células da Tireoide, podendo acontecer também devido a deficiência de iodo, doença conotada como bócio, a qual apresenta como principal característica, o aumento do tamanho da Tireoide. Seus principais sinais e sintomas são: dor de cabeça, nos músculos e articulações; menstruação irregular; unhas frágeis; pele áspera e seca; olhos inchados na região das pálpebras; queda de cabelo; diminuição dos batimentos cardíacos; cansaço excessivo; dificuldade de concentração; memória fraca; diminuição da libido; pequeno aumento de peso e dificuldade para emagrecer.

O Departamento de Tireoide da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) adota o protocolo que indica a dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH) como exame inicial para se prover o diagnóstico, outros exames de sangue podem ser utilizados, assim como exames de imagem, como a ultrassonografia, estes com o intuito de identificar a presença de nódulos. Esclareço que, crianças podem nascer com disfunção na Tireoide, no caso, o Hipotireoidismo congênito, doença que pode ser identificada precocemente através do teste do pezinho, realizado em recém-nascidos e obrigatório em nosso país, desde 1980. O Hipertireoidismo é raro em bebês.

O tratamento dos distúrbios da Tireoide envolve o uso de medicamentos para regularizar a produção de hormônios, evitando o seu excesso ou sua deficiência. Na existência de bócio e nódulos, pode incluir o uso de iodo radioativo. A cirurgia é indicada no tratamento de câncer já diagnosticado ou de nódulos com suspeita de malignidade, na presença de nódulos volumosos que provocam desconforto físico ou estético e hipertireoidismo que não responde ao tratamento clínico, podendo ocorrer com a remoção total ou parcial da Tireoide.

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