quarta-feira, 1 de setembro de 2021

DEPRESSÃO, O MAL DO SÉCULO PRECISA SER DESVENDADO E TRATADO

 


A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava, já em 2017, que a Depressão é o mal do século, mas tem tratamento e este se inicia por conversar sobre o tema. Esta doença é a principal causa do suicídio, atingindo pessoas de todas as idades e com diferentes estilos de vida, causando desesperança, angústia, prostração e impedindo que as pessoas façam, inclusive, atividades mais simples do seu cotidiano.

A Depressão é um transtorno psiquiátrico, sendo provocada por alterações químicas no cérebro, se conotando por uma deficiência com consequente diminuição na presença dos neurotransmissores: a Noradrenalina, a Serotonina e a Dopamina, hormônios relacionados com a regulação da atividade motora, do apetite, do sono e do humor. Além da sensação de tristeza e de desesperança crônicas, provoca alterações fisiológicas, diminuindo a capacidade de imunização do organismo, potencializando os processos inflamatórios e se configurando como um fator importante a provocar doenças cardiovasculares.

Segundo a OMS, o número de pessoas que vivem com Depressão no mundo aumentou em 18% entre 2005 e 2015, sendo que, mais de 300 milhões de pessoas de todas as faixas etárias conviviam com a doença em 2017. É a principal causa de incapacidade no trabalho.

No Brasil, conforme a OMS, algo em torno de 5,8% de nossa população sofre de depressão, mais de 12 milhões de casos, sendo o maior índice da América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás dos EUA (5,9% da população).

Os principais sinais e sintomas são: angústia, ansiedade exagerada, baixa autoestima, cansaço excessivo, irritabilidade, fraqueza, dormir mal ou ter insônia, desinteresse pelo que lhe dava prazer, compulsividade, falta de concentração, disfunções sexuais, impotência ou incapacidade para atividades cotidianas.

A Depressão tem como principais fatores de risco: histórico familiar, estresse crônico, ansiedade crônica, disfunções hormonais, transtornos psiquiátricos preexistentes, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, vício em drogas ilícitas, uso excessivo de internet e redes sociais, traumas de ordem física ou psicológica, problemas cardíacos, enxaqueca crônica, problemas familiares, traumatismo cranioencefálico e alterações bruscas nas condições socioeconômicas e desemprego.

Já conversamos sobre o fato de a Depressão estar associada a um desequilíbrio químico, relacionado a neurotransmissores do cérebro. Desvendamos os principais sinais e sintomas, assim como os fatores de risco. Contudo as causas que levam ao início deste processo não são de todo conhecidas, provavelmente sendo resultantes da combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais.

Segundo estudos recentes, o componente genético, em 40% dos casos, é o principal responsável por desencadear a depressão. Os fatores ambientais, representados por eventos estressantes também podem desencadear episódios depressivos em quem tem uma predisposição genética para a doença. Claro que, a causa biológica, está sempre presente, através de uma alteração na bioquímica cerebral.

Esta doença afeta de maneira importante as mulheres, estimando-se que em algum momento de suas vidas, até 20% das mulheres podem apresentar um episódio depressivo, conquanto que nos homens isto ocorre numa porcentagem até 12%. Entretanto, na adolescência, os meninos apresentam maior risco de depressão que as meninas. O mais comum é o seu aparecimento a partir dos 30 anos.

O seu diagnóstico é clinico, elaborado pelo médico após coleta completa da história do paciente e realização de exames que identifiquem o estado mental, não sendo utilizados exames laboratoriais específicos.

Esta doença tende a ser crônica e recorrente, como já foi dito, sendo a principal responsável pelo suicídio e precisa ser tratada. Seu tratamento associa uma terapia medicamentosa e psicoterápica. Sendo que, 90% a 95% dos pacientes apresentam resultados totalmente satisfatórios com o tratamento com antidepressivo.

A principal dica de prevenção é manter um estilo de vida saudável, associado a ter uma dieta equilibrada, evitar o consumo de álcool, não usar drogas ilícitas, praticar esportes com regularidade, combater o estresse com atividades prazerosas, não utilizar cafeína em excesso, ter uma rotina de sono regular e não interromper o tratamento sem orientação médica. Claro, ao perceber a existência dos sinais e sintomas da depressão, é fundamental conversar com seus familiares sobre o assunto e procurar auxílio profissional.

A pandemia tem impactado, além do aspecto sanitário intrínseco a este terrível evento sanitário, a economia, as relações humanas, as formas de trabalho e de ensino, enfim, todos os aspectos da nossa vida, também de maneira importante a saúde mental. A pressão que todos estão sofrendo e que provoca que o mecanismo do estresse seja acionado de forma contínua, atinge de maneira preocupante a saúde mental. Os casos de Depressão e de Transtorno de Ansiedade tem aumentado exponencialmente, portanto, todos devemos estar atentos, conversar sobre o tema, nos informarmos e buscarmos auxílio.

O SUS elaborou uma Política de Atenção Psicossocial e instituiu em 2011 a Rede de Atenção Psicossocial (portaria GM/MS nº 3088/2011), a qual oferta gratuitamente serviços que focam no tratamento da saúde mental, inclusive a Depressão, através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) capilarizados pelo país. Na mesma ordem, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio de forma voluntária e gratuita, sob total sigilo pelo telefone 188, e-mail e chat 24h todos os dias.

A Depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto.

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terça-feira, 31 de agosto de 2021

HIPERTENSÃO ARTERIAL, DOENÇA QUE CRESCE PERIGOSAMENTE NO MUNDO

 


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, em agosto de 2021, um amplo estudo global realizado em conjunto com o Imperial College de Londres, onde constatou que em cerca de 30 anos, o número de pessoas com Hipertensão Arterial dobrou.

Em 1990 havia algo em torno de 650 milhões de hipertensos, em 2019 esses números saltaram para aproximadamente 1,4 bilhão, destes, cerca de 700 milhões não sabem que tem a doença e, portanto, não estão sendo tratados. Este trabalho publicado na conceituada revista científica The Lancet, envolveu 1021 estudos, em 184 países e 104 milhões de participantes durante os anos de 1990 e 2019.

A pressão arterial é medida em milímetros (mm) ou centímetros (cm) de mercúrio (Hg), sendo considerados excelentes os valores de 120/80 mmHg ou 12/8 cmHg. Contudo, quando esta pressão se encontra de maneira continuada maior que 140/90 mmHg ou 14/9 comHg, é considerada alta.

Segundo a OMS, as doenças cardiovasculares são as primeiras causas de morte no mundo e, conforme o Ministério da Saúde (MS), 32,3% da população brasileira morre por este problema. A Hipertensão Arterial é responsável por 35% de todos os grandes eventos cardiovasculares.

No Brasil, cerca de 30% da nossa população é formada por hipertensos, conforme identifica a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Sendo uma doença crônica não transmissível (DCNT) definida por níveis pressóricos, quais sejam, níveis de pressão em dissintonia com o nível ideal, em que os benefícios do tratamento (não medicamentoso e/ou medicamentoso) superam os riscos. É o principal fator de risco modificável, qual seja, relacionado com hábitos de vida, com associação independente, linear e contínua para doenças cardiovasculares, entre elas o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral (AVC), doença renal crônica e morte prematura. Associa-se a fatores de risco de ordem metabólica para as doenças do sistema cardiocirculatório e renal, como: dislipidemia (colesterol elevado ou gorduras no sangue), obesidade abdominal, intolerância à glicose e diabetes.

Quanto aos fatores de risco, temos os não modificáveis, com relevo para fatores genéticos e o envelhecimento. Os fatores modificáveis são: rotina de vida pouco saudável, maus hábitos alimentares (como o consumo exagerado de sal e a alimentação desbalanceada), sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, níveis elevados de colesterol, estresse e consumo de medicamentos (como corticoides e anti-inflamatórios). A diabetes e doenças com causa cardíaca pré-existentes, juntam-se aos fatores de risco.

A Hipertensão Arterial é uma doença de evolução silenciosa, em geral, não apresentando sintomas e isto é um problema, nos reportando à pesquisa da OMS em conjunto com o Imperial College de Londres, percebemos que, aproximadamente metade das pessoas acometidas, não estão em tratamento, na maior parte das vezes, por não saberem que são portadoras da doença. Esta situação faz com que a doença acabe sendo diagnosticada tardiamente, perante a existência de um problema de saúde mais grave, correlato à pré-existência da Hipertensão Arterial, por exemplo, doenças cardíacas e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Reitero que, a Hipertensão Arterial é o maior fator causador de morte prematura.

A despeito de ser uma doença silenciosa, quando em estágio mais avançado, alguns sintomas podem ocorrer: dor de cabeça, falta de ar, visão borrada, zumbido no ouvido, tontura e dores no peito.

O diagnóstico da Hipertensão Arterial é um ato médico baseado em procedimentos relativamente simples, quais sejam: anamnese (informações subjetivas colhidas do paciente), exame físico e exames complementares, fechando com isto, a investigação e diagnóstico da doença, sua etiologia, graus de comprometimento de órgãos–alvo e na identificação dos fatores de risco cardiovascular associados.

Esta doença não tem cura, sendo crônica e necessitando de cuidados por toda a vida, contudo, existe como preveni-la ou mesmo conviver de maneira harmoniosa com a sua existência, para tanto: exercite-se, reduza o consumo de sal, reduza a ingestão de álcool, evite o excesso de peso e gordura abdominal, não fume, evite o estresse e mantenha um bom nível de vitamina D no organismo (sintetizada principalmente pela exposição à luz solar).

Nos pacientes hipertensos leves, o controle do peso corporal, a alimentação saudável e balanceada, a prática de atividade física moderada e a diminuição do consumo de bebida alcoólica, podem ser o suficiente para uma estabilização do quadro clínico. Entretanto, é importante se manter sob cuidados médicos e seguir as orientações do profissional. Em quadros ou episódios mais severos, o uso de medicações se fará necessário, como: anti-hipertensivo (reduz a pressão arterial), diurético (elimina excesso de líquido), betabloqueador (retarda a frequência cardíaca e reduz a pressão arterial), inibidor da ECA (relaxa os vasos sanguíneos, prevenindo danos aos rins relacionados ao Diabetes) e bloqueador dos canais de Cálcio (relaxa os vasos sanguíneos).

A Hipertensão Arterial é uma das principais causas de morte e doenças globalmente, contudo, o sinal de alerta pode ser facilmente identificado com a medição da pressão arterial em casa ou nas Unidades Básicas de Saúde do SUS, os especialistas indicam que isto ocorra ao menos uma vez por ano para pessoas com mais de 20 anos e 2 vezes para aqueles que tem um histórico familiar da doença.

Entendo que prevenir é fundamental na medicina, através desta atitude se identificam precocemente doenças, inclusive as mais graves, em estágios que permitem um tratamento com resultados promissores. No caso da Hipertensão Arterial, a lógica da identificação precoce se faz muito importante.

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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

A VARIANTE DELTA ESTÁ MOTIVANDO A TERCEIRA DOSE DAS VACINAS CONTRA A COVID-19

 


Todas as vacinas são seguras, eficientes e impedem que as pessoas evoluam para quadros mais graves da Covid-19, entretanto, fazendo um comparativo com o futebol, mesmo um gênio, como o Leonel Messi, eventualmente perde um pênalti ou falha em um jogo importante, portanto, nenhuma vacina tem 100% de eficácia. As vacinas contra a Covid-19 não impedem a contaminação e não refreiam a transmissão, sendo que, as novas variantes do vírus, em especial a variante Delta (Indiana), tem diminuído a eficácia das vacinas.

As vacinas atuam de duas formas para proporcionar a imunização: na formação de anticorpos e provocando a memória celular. Temos diferentes tipos de vacinas já em utilização contra a Covid-19, que diferem quanto a tecnologia utilizada em sua elaboração: vírus inativo (CoronaVac), proteína viral (EpiVacCorona), vetor viral não replicante (Oxford-AstraZeneca) e genômica (Pfizer e Moderna). Existem outras sendo elaboradas que envolvem outros tipos de tecnologia, mas me aterei as que já estão em uso.

A técnica de elaboração das vacinas pode impactar na sua eficácia, contudo, atinge diretamente a forma como provoca a imunização no organismo humano e a alteração que pode vir a sofrer em sua eficácia frente a novas variantes virais.

Vamos lá, o que isso tem a ver com a variante delta e a terceira dose da vacina?

Olha só, as vacinas elaboradas com a tecnologia de vetor viral não replicante e genômica trabalham com parte da proteína Spike do Sars-Cov2, diferentemente das elaboradas por tecnologia de vírus inativo, as quais utilizam o vírus integral. As novas variantes apresentam modificações que podem driblar a eficácia das vacinas, contudo os imunizantes que utilizam o vírus integral tendem a ter uma menor queda de eficácia. Todavia, as vacinas elaboradas a partir de vírus inativo provocam uma imunização por formação de anticorpos importante, mas, é pouco presente a imunização por memória celular.

Afora isso, o fato de termos diferentes tipos de vacinas nos proporciona que, com o uso e o tempo, identifiquemos o tipo de imunizante mais indicado para uma determinada faixa etária ou mesmo, não indicado, se devemos imunizar gestantes (em que período da gravidez e com qual vacina), o tempo que a imunização se mantem ativa, entre outras informações que vão modificando o plano vacinal na busca de uma maior resolubilidade. Esclareço que, na autorização de uso temporária ou mesmo definitiva, inicialmente os organismos de controle, no Brasil a ANVISA, são bastante restritivos com foco na segurança, posteriormente a prática vai remodelar as indicações de uso.

Reitero que, todas as vacinas são seguras e eficientes, alterando a eficácia conforme o tipo de imunizante, entretanto são vacinas que foram elaboradas em tempo recorde. Anteriormente, o imunizante que havia sido elaborado em menor prazo, foi contra a Caxumba (4 anos), portanto, muito há de se evoluir e a presença destas novas variantes, em especial a Delta, é um desafio que explica a necessidade de uma cobertura vacinal de segurança, a terceira dose.

A Variante Delta já se instalou em mais de 100 países e tende a se tornar predominante mundialmente, se apresentando, segundo o governo britânico, entre 40% e 60% mais contagiosa que a variante Alpha (originária da Inglaterra) e duas vezes mais transmissível que a cepa viral original, identificada em Wuhan, na China. Segundo a Fiocruz, a Delta é 3 vezes mais contagiosa que a variante Gama (originada em Manaus-AM e ainda predominante no Brasil), tendo maior velocidade de transmissão e maior capacidade para driblar a imunização provocada pelas vacinas. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos EUA, 83% dos casos de Covid-19 no país, neste momento, são provocados pela variante Delta.

No Brasil, o estado do Rio de Janeiro se tornou o epicentro de um surto pandêmico da variante Delta. Segundo boletim recente da Secretaria de Estado da Saúde, esta variante responde por 66% das amostras coletadas na capital e 60% no estado. Já passamos dos mil casos sequenciados da variante Delta no país, sendo que, este surto se mostra mais preocupante na região sudeste, mas, nossa incapacidade de elaborar barreiras sanitárias já foi demonstrada amplamente nesta pandemia, portanto, esta variante tende a se tornar predominante no país.

A ANVISA, conforme a atualização na indicação e contraindicação que é normal ocorrer com medicações e imunizantes, vetou o uso da CoronaVac para crianças e adolescentes. Já no dia 18 de agosto, recomendou a aplicação de uma terceira dose desta vacina para idosos e imunossuprimidos, ao tempo que no dia 19 de agosto requereu da Pfizer estudos para uma terceira dose da vacina.

O Ministério da Saúde (MS), através de seu ministro Marcelo Queiroga, se manifestou em 18 de agosto, que haverá a aplicação de dose de reforço da vacina, a terceira dose, sendo inicialmente aplicada em idosos e profissionais da saúde. Segundo ele, estudos estão sendo feitos para a aplicação da terceira dose das vacinas da Pfizer, AstraZeneca e CoronaVac, contudo, não esclareceu quando isso vai ocorrer.

Os EUA iniciam a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19 (Pfizer e Moderna) em 20 de setembro, vários outros países também estão com planejamento de fazê-lo. O governo brasileiro que não apostou nas vacinas e aderiu de maneira tardia a compra dos imunizantes vive o dilema de avançar na cobertura vacinal com duas doses ou apostar na terceira dose como maneira de impedir o estabelecimento da variante Delta no país.

Vem comigo!!!
 

 

TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...