quarta-feira, 18 de agosto de 2021

LONGEVIDADE E QUALIDADE DE VIDA: COMO VIVER MAIS E MELHOR

 


O ser humano está vivendo mais, a despeito da pandemia que reduziu mundialmente a expectativa de vida das pessoas. No Brasil houve uma redução de 2 anos, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com a Universidade de Harvard (EUA), contudo, até 2019, a expectativa de vida do brasileiro seguia uma curva crescente até atingir a média de 74 anos. Ao compararmos com nossos vizinhos da América do Sul, temos uma expectativa de vida menor que a Argentina (76 anos), o Uruguai (77 anos) e o Chile (80 anos). O Japão é o país com maior expectativa de vida, 84 anos e a média mundial é de 66,57 anos.

Este aumento está diretamente relacionado com o desenvolvimento social e a evolução da ciência, entretanto, existe uma correlação entre renda e saúde, a qual é perceptível quando comparamos a expectativa de vida dos países ricos e pobres.

No Brasil, cerca de 35 milhões de pessoas não tem acesso à água potável e 100 milhões não tem acesso à coleta e tratamento de esgoto, segundo o Ranking do Saneamento elaborado pelo Instituto Trata Brasil e pela GO Associados. Sobrevivem com até R$ 247,00 por mês, algo em torno de 27 milhões de pessoas e com a pandemia, pesquisas indicam que este número tende a triplicar. Nosso país lidera o ranking mundial de pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (9,3% da população), é o 5º em casos de Depressão (5,8% da população) e o 8º em número de suicídios por ano, 12 mil. Será que estes indicadores impactam na expectativa de vida do brasileiro?

No início do século XIX, a expectativa de vida na Europa tinha a média de 35 anos, na Ásia e na África girava em torno de 28 anos. O planeta era habitado por algo em torno de um bilhão de pessoas, hoje somos mais de sete bilhões. Esta superpopulação do planeta é um ambiente propício para a proliferação de diversas doenças, em especial as virais, como esta pandemia que assola o mundo desde o final de 2019. Esta situação se soma a degradação ambiental, aos maus hábitos alimentares e de higiene, a desigualdade social, a fragilidade dos sistemas de saúde de diversos países, a falta de acesso à água potável e a ausência de saneamento básico que atinge um contingente imenso de pessoas globalmente para configurar um núcleo amplo dos que vivem, de alguma forma, em situação de risco.

Apesar do desenvolvimento que vivemos em diversas áreas e neste século, de maneira importante, na área da tecnologia, a qual transforma diariamente a vida das pessoas, criando facilitações jamais imaginadas e impactando de maneira exponencial na evolução dos processos na área da saúde, de outra medida a superpopulação do planeta faz com que problemas conjunturais se ampliem e que a diferença entre ricos e pobres influencie decisivamente na longevidade da espécie humana.

Os problemas conjunturais como a falta de acesso à água potável e a precariedade das medidas de higiene e saneamento básico, influenciam negativamente na expectativa de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% das doenças registradas ao redor do mundo poderiam ser evitadas se os países investissem mais na resolução destes problemas, paradoxalmente, a evolução positiva na expectativa de vida tem como um dos seus indicadores a melhoria que o mundo tem alcançado nestes quesitos. A alimentação também se configura como indicador importante para a longevidade humana, sendo que o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, com alimentos mais nutritivos, estão sendo fundamentais para que as pessoas criem maior resistência às doenças, contudo, segundo a OMS, mais de 820 milhões de pessoas passaram fome em 2018.

A medicina e a tecnologia também se associam para configurar um indicador importante. Se a ciência transformou em realidade o caminho para o fim da pandemia da Covid-19 através das vacinas, as mais rápidas já elaboradas e com tecnologia extremamente avançada, como a genômica, na mesma medida, tem prolongado a vida humana, tornado as cirurgias menos invasivas e o pós-operatório menos traumático e mais rápido. Vivemos o tempo das cirurgias robóticas, das células-tronco e da telemedicina.

Se o perfil etário da humanidade está mudando com o envelhecimento da população, neste caminho os desafios se tornam diferentes e isto se explicita no aumento da taxa de suicídios de pessoas com mais de 70 anos no mundo, preocupação apontada pela OMS em 2018. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, em dados divulgados em 2018, houve um aumento de 5,5 para 8,9 suicídios por 100 mil habitantes, de pessoas com mais de 70 anos, entre os anos de 2012 e 2017, sendo que a população com mais de 60 anos, neste mesmo lapso temporal, aumentou em 18,8%.

Estamos vivendo por mais tempo, isto é fato. Conciliar longevidade e qualidade de vida nos faz conjugar o binômio saúde e bem-estar. Planejamento de vida se faz necessário, além de mudar a mentalidade com relação ao envelhecimento, entendê-lo como um processo continuado que se inicia com o nascimento. A sociedade também precisa evoluir o seu conceito com relação aos mais velhos, isto é importante em qualquer tempo, ainda mais neste momento onde a idade cronológica que caracteriza a velhice está sendo cada vez mais alongada. Os cuidados com a saúde física e mental são essenciais, assim como se manter ativo e jamais perder a chama dos sonhos.



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terça-feira, 17 de agosto de 2021

SUS, 33 ANOS: MARCO DA TRANSFORMAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA DO BRASIL.

 



O Sistema Único de Saúde (SUS), antes tão combatido e incompreendido, tem sido o maior alicerce do combate a pandemia da Covid-19 no Brasil. Este sistema de modelo Universal, atende gratuitamente, com ofertas de serviços bastante amplas e de maneira capilarizada por todo o país. Mas, antes de nos aprofundarmos no seu entendimento, que tal conhecermos um pouco da história e de como era o nosso modelo de saúde pública antes do advento do SUS?

A saúde brasileira, tanto pública quanto suplementar, passou por um amplo processo de estruturação a partir da criação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs) em 1933, ainda nos anos 30 tivemos o início da grande expansão da área hospitalar, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo iniciou sua construção em 1938 e foi inaugurado em 1944 durante a solenidade de aniversário do presidente Getúlio Vargas. Para se ter uma dimensão dos parâmetros hospitalares da época em comparação com os dias atuais, onde os hospitais apresentam dimensões menores, o HC foi construído em uma área de 4600m², contando com 11 andares, 1200 leitos, 207 enfermarias, 17 salas cirúrgicas, 106 quartos de 1 e 2 leitos, 125 conjuntos sanitários e 600 outras dependências.

Este processo de estruturação foi dado continuidade com a criação das Caixas de Assistência (CASSI) nos anos 40 e do Ministério da Saúde (MS) em 1953. O modelo de saúde no Brasil era de Seguro Social, onde só tinha direito à gratuidade dos serviços aqueles que tinham carteira de trabalho assinada, sendo que a oferta de serviços era bastante limitada e concentrada. Este modelo vigente na época evoluiu em organização em 1966 com a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e na transformação deste no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) em 1978.

Esclareço que, o que define o modelo de saúde de um país é a hegemonia de determinada forma de organização e financiamento, sendo classificados como: Universal (financiamento público, oferta de serviços integral e acesso gratuito), Seguro Social (o financiamento é por aporte e contribuição dos empresários e trabalhadores, só dando cobertura aos contribuintes), Seguro Privado (financiamento privado e acesso ao público aderente) e Assistencialista (o Estado só da assistência às pessoas mais vulneráveis e carentes).

As discussões a respeito da reforma sanitária se iniciaram nos anos 60 e esta ganhou corpo após a redemocratização do nosso país, com seus preceitos estando contidos na Constituição de 1988 e configurados através do SUS.

Os artigos da Constituição de 1988 que abordam especificamente a saúde vão do 196 ao 200 e já no artigo 196 estão expressas as garantias constitucionais que balizaram os princípios e diretrizes do SUS, com esta redação: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e equalitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A Lei Complementar a Constituição nº 8080/1990 é considerada a Lei Orgânica da Saúde, tanto pública quanto suplementar ou privada, estando contida nela os princípios e diretrizes do SUS. Os seus princípios são: Universalidade, o que garante a todo cidadão brasileiro o acesso gratuito e equalitário ao sistema em qualquer parte do país; Integralidade, o que impõe uma oferta de serviços ampla e na dimensão das necessidades da população e Equidade, que significa tratar de maneira diferente os diferentes, qual seja, cada região tem um perfil epidemiológico e necessidades sanitárias que devem ser contempladas. As suas diretrizes são: Descentralização, Regionalização, Hierarquização e Participação Social.

Com relação a Participação Social, existe uma Lei Complementar a Constituição específica sobre este importante tema, a LC nº 8142/1990, a qual também aborda o financiamento do sistema, que é tripartite, com recursos oriundos do Governo Federal, estados e municípios. Esta Lei impõe a criação dos Conselhos de Saúde, em âmbito nacional, estadual e municipal, sendo que estes atuam como coparticipes de gestão, formulando estratégias e no controle da execução das políticas de saúde, sendo organismos de fiscalização das gestões do SUS. A garantia do fluxo social na gestão do sistema, como já foi dito, é uma diretriz constitucional (art.198) e também está configurada na LC nº 8080/1990.

O SUS é um sistema de saúde de modelo Universal que tem como inspiração o sistema de saúde mais bem avaliado do mundo, o do Reino Unido. Diversos países adotam este modelo: Canadá, Dinamarca, Suécia, Espanha, Portugal, Cuba, França, entre outros. Este sistema busca a democratização do acesso a saúde, a diminuição dos impactos da desigualdade social e, ao meu ver, é o modelo mais justo e eficaz.

Nestes 33 anos desde a sua criação, o SUS se tornou o sistema de saúde predominantemente público com maior cobertura populacional e de oferta de serviços no mundo. Ao adotar a Estratégia de Saúde da Família como Política de Estado da Atenção Básica (porta de entrada do sistema que gerencia os encaminhamentos para as outras linhas de cuidados), o SUS priorizou a prevenção das doenças, sem esquecer a importância do tratamento. Os investimentos foram e são altos para capilarizar a oferta de serviços através das Unidades Básicas de Saúde, sem esquecer do investimento em tecnologia.

Muito precisa ser melhorado, mas o SUS está sustentando o enfrentamento desta pandemia.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

PROVAR QUE ESTÁ VACINADO CONTRA A COVID-19 JÁ DÁ DESCONTOS E BRINDES NO COMÉRCIO DO BRASIL.





Para quem duvidava da importância das vacinas para encaminhar o fim desta pandemia, os resultados expressos na diminuição de casos graves e de óbitos que caminha passo a passo com o ritmo vacinal, está fazendo com que diversas empresas ofereçam descontos de até 30% em produtos e serviços, além de brindes aos consumidores que comprovem ter recebido ao menos uma dose da vacina. Os brindes são os mais diversos, desde cerveja, refrigerante, pizza gratuita, entre outros. Esta promoção que acontece em cidades de diferentes estados do nosso país mostra que as vacinas contra a Covid-19, apesar de não serem obrigatórias por lei, se tornaram uma exigência, no entendimento da maioria da população, para que retornemos o mais rápido possível à normalidade de nossas vidas e para termos melhores dias na área econômica.

O Governo Federal e o Ministério da Saúde (MS) que orquestraram este fracasso no combate a pandemia no país, em diversos momentos estimulando o negacionismo e o distanciamento da ciência, na mesma medida que não elaboraram campanhas de conscientização de amplo domínio popular e não acreditaram nas vacinas, demorando para adquirí-las, o que acarretou uma intensificação da pandemia e de suas consequências, percebendo a realidade, neste momento, são “pró-vacinas” ardorosos.

Esclareço que, o MS é responsável pela organização e operacionalização do Programa Nacional de Imunização (PNI), criado em 1973 e regido pela Lei Federal nº6259/1975, sendo também responsável por definir pela obrigatoriedade das vacinas. Existe uma carteira de vacinas obrigatórias em nosso país definidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao refletir sobre o artigo 196 da Constituição Federal de 1988: “A saúde é um direito de todos e um dever do Estado...”, que estamos regidos pela Lei Federal nº 13979/2020 (Lei da Quarentena Sanitária do Coronavírus) e que decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) referendaram a opção pela obrigatoriedade das vacinas, indago se não teria sido sábio optar por sua obrigatoriedade. Contudo, a vida é sábia, e na prática, tanto em nosso país como em outros, as vacinas se tornaram obrigatórias.


Diversos países adotaram medidas similares para estimular a vacinação. Os EUA que lideraram o ritmo vacinal até abril de 2021, com 3,5 milhões de pessoas vacinadas por dia, vendo o ritmo vacinal diminuir em maio para 2,4 milhões/dia, adotaram promoções similares e permitiram, inclusive, a vacinação dos imigrantes sem terem que comprovar residência. Neste mesmo caminho, países que já estão com o ritmo vacinal mais avançado estão permitindo que pessoas vacinadas possam frequentar sem uso de máscara locais fechados, assim como, eventos com presença de público, como shows e jogos de diversas modalidades esportivas, estão sendo permitidos com a presença de pessoas que comprovem a vacinação e, claro, fazendo o uso de máscara e com todos os regramentos de biossegurança.

A retomada do turismo internacional também tem suscitado soluções que exijam a comprovação da vacinação, como exemplo, temos: os Passes de Saúde, iniciativa em fase de elaboração por companhias aéreas, entidades não governamentais e empresas de tecnologia na busca de padronizar informações de cada passageiro sobre a Covid-19, o Certificado de Vacinação de Covid-19 (ainda em fase de discussão e elaboração), que busca substituir a necessidade de se apresentar um teste negativo para a doença ou fazer quarentena sanitária ao adentrar a outro país, ainda temos o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP), já utilizado há mais de 50 anos para comprovar a imunidade a diversas doenças. Nesta mesma toada, nosso Ministério do Turismo e o MS firmaram uma parceria para estimular o uso da plataforma Conecte SUS como certificado digital de vacinação, com a ideia da retomada segura do turismo em nosso país.

Nos EUA, a prefeitura de Nova Iorque passará a exigir comprovante de vacinação contra a Covid-19 para usuários de restaurantes, para frequentadores de cinemas e teatros, e para quem queira frequentar lugares fechados. Esta medida começa a vigorar em 16 de agosto. Assim como tem ocorrido na França, por exemplo, será exigido um passaporte a ser apresentado pelas pessoas que forem adentrar a estes locais.

No Brasil, a iniciativa privada já percebeu a importância da vacinação e está tomando atitudes, mesmo na ausência de uma ação mais ampla dos governos constituídos e de campanhas de conscientização. Estas atitudes se expressam na campanha: “Vacinou? Ganhou”, da rede de lanchonetes Lanchão, Old Dog e X Picanha, com mais de 60 unidades espalhadas em 23 cidades, onde o cliente pode ir a uma de suas lojas, apresentar o comprovante de ao menos uma dose de vacina e mesmo sem consumir, terá direito a uma porção de batata frita, a pizzaria Forneria 1121, com unidades em Recife-PE e Natal-RN, dá desconto de 10% para os vacinados com primeira dose e de 15% para os totalmente imunizados, a rede de alimentação saudável, a Mr. Fit, com mais de 500 lojas espalhadas em 248 cidades de 24 estados, está dando desconto de 10% aos clientes que comprovarem ter recebido ao menos uma dose da vacina, estes são alguns exemplos das muitas iniciativas do gênero em curso.

As vacinas para a Covid-19 estão comprovando na prática serem o caminho para o fim desta pandemia, a despeito dos negacionistas de plantão, já é momento dos executivos estaduais e municipais ou das assembleias legislativas e das câmaras de vereadores, legislarem para incentivar a vacinação, nossa iniciativa privada está dando o exemplo.

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terça-feira, 10 de agosto de 2021

VARIANTE DELTA E O NEGACIONISMO, MAIORES AMEAÇAS AO FIM DA PANDEMIA.

 


Vivemos um quadro de situação que mescla temor, entusiasmo e ansiedade, com uma pergunta sendo recorrente. Quando acabará esta pandemia?

A pandemia da COVID-19 contabiliza mundialmente mais de 201 milhões de casos e mais de 4 milhões de mortes. Nosso país apresenta mais de 20 milhões de casos e já passamos das 560 mil mortes, sendo identificado pelo seu fracasso no combate a pandemia que repercute em sermos o 3º país com o maior número de casos e o 2º em óbitos. Mesmo com esses números avassaladores e com a desestruturação econômica que caminha passo a passo com esta crise sanitária sem precedentes, o mundo se vê motivado com a evolução da vacinação contra a Covid-19 e seus resultados, impactando de maneira importante e progressiva na queda do número de óbitos.

Os indicadores que temos nos permitem perceber que a variante Indiana do SARS-CoV-2, a Delta, com maior velocidade de contágio e aparentemente mais agressiva em conjunto com o negacionismo, que é prevalente em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, são os maiores obstáculos ao encerramento desta pandemia.

Quando pensamos em nosso país e buscamos identificar os erros que levaram a este retumbante fracasso no combate a Covid-19, igualmente podemos perceber o que nos distancia do seu desfecho. Tínhamos elementos importantes para que fossemos bem sucedidos, por exemplo, o fato de termos tempo de nos preparar até o SARS-CoV-2 e a Covid-19 chegarem aqui, observando os erros e acertos de outros países em suas políticas de contenção, ainda salta aos olhos, o fato de termos um sistema público de saúde, o SUS, universal, capilarizado por todo o país e experiente no combate a epidemias e outros enfrentamentos de ordem sanitária. Mas fracassamos, por quê?

O nosso fracasso pandêmico se associa ao negacionismo, a começar pelo Governo Federal, o que impregnou o país de narrativas distantes da ciência e inverídicas, nos moveu no caminho das curas milagrosas através de medicações sem comprovação científica e se disseminou pelo Ministério da Saúde, inerte e errático neste evento sanitário. As mentiras sustentaram a pandemia das Fake News, demolidoras ao desestimularem o uso da máscara, descaracterizarem o distanciamento social e ao tentarem subjugar a ciência, sustentando políticas de estado que se mostraram absolutamente ineficazes. A falta de coordenação nacional também foi importante para o desastre sanitário que vivemos, assim como a inexistência de ações de governança focadas na ampla testagem da população com identificação de grupos contaminados e o corte da cadeia de contágio. Buscamos e enaltecemos o “kit Covid”, apostamos na “imunização de rebanho” e desprezamos as vacinas, demorando, à custa de vidas, o processo de compra dos imunizantes e a imunização da população. Pois é, o Brasil é um belo exemplo de erros cometidos, os quais causaram tantas mortes e uma amostragem dos motivos que nos distanciam do fim desta pandemia.

O enfrentamento pandêmico em nosso país expressa o que a palavra negacionismo significa e os contornos de suas consequências. Os EUA que, a partir do governo Biden, iniciaram em dezembro de 2020 uma ampla campanha de enfrentamento da Covid-19, se voltando para a ciência, priorizando a conscientização da população e tendo como foco uma ampla campanha vacinal, vacinaram de maneira plena até o momento 49% da sua população, atingindo uma média de 3,5 milhões de pessoas vacinadas por dia até abril de 2021, números que caíram para 2,4 milhões/dia em maio e neste momento, estão com muita dificuldade de evoluir na cobertura vacinal. Sabe qual o motivo? Um forte negacionismo. Esta situação se expressou em julho, com o aumento na média móvel de casos em 53% em uma semana, sendo que 99,5% das mortes por Covid-19 estão ocorrendo em grupos não vacinados.

A variante Delta se soma ao negacionismo para ameaçar o fim da pandemia, mesmo após a vacinação. Segundo relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos EUA, a variante Delta se espalha com muito mais rapidez, tem maior probabilidade de infectar vacinados e pode acarretar doenças mais graves naqueles que não se vacinaram em comparação a todas as outras cepas virais conhecidas. Esta variante é responsável por uma nova onda de infecções nos EUA, no Reino Unido, em diversos países asiáticos e em Israel. Nos EUA ela é responsável por 80% das novas infecções e no Reino Unido por mais de 90%. No Brasil já temos mais de 200 infectados e mais de 20 mortes por esta nova variante, entretanto a variante P1 (Gama) originária de Manaus-AM ainda é dominante e não temos elementos para afirmar que a Delta virá a predominar, contudo, o perigo existe e o risco é eminente, visto a continuada ausência de políticas de enfrentamento, neste caso, a falta de uma ampla testagem da população, com foco na investigação genômica. Também temos muita dificuldade no controle epidemiológico de nossas fronteiras, portos e aeroportos, nos apresentamos até aqui, como incapazes de impedir a entrada desta variante no país e a sua circulação.

O caminho para o fim desta pandemia está aberto com a chegada das vacinas, entretanto, o seu efetivo desfecho depende de suplantarmos obstáculos que nos impediram de conceber um enfrentamento eficaz deste evento sanitário, em especial, o negacionismo, o qual se soma a temida variante Delta para refrear nossos ânimos e nos fazer lembrar da importância de “mantermos a guarda alta”, preservando os cuidados sanitários e de termos paciência.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...