terça-feira, 10 de agosto de 2021

VARIANTE DELTA E O NEGACIONISMO, MAIORES AMEAÇAS AO FIM DA PANDEMIA.

 


Vivemos um quadro de situação que mescla temor, entusiasmo e ansiedade, com uma pergunta sendo recorrente. Quando acabará esta pandemia?

A pandemia da COVID-19 contabiliza mundialmente mais de 201 milhões de casos e mais de 4 milhões de mortes. Nosso país apresenta mais de 20 milhões de casos e já passamos das 560 mil mortes, sendo identificado pelo seu fracasso no combate a pandemia que repercute em sermos o 3º país com o maior número de casos e o 2º em óbitos. Mesmo com esses números avassaladores e com a desestruturação econômica que caminha passo a passo com esta crise sanitária sem precedentes, o mundo se vê motivado com a evolução da vacinação contra a Covid-19 e seus resultados, impactando de maneira importante e progressiva na queda do número de óbitos.

Os indicadores que temos nos permitem perceber que a variante Indiana do SARS-CoV-2, a Delta, com maior velocidade de contágio e aparentemente mais agressiva em conjunto com o negacionismo, que é prevalente em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, são os maiores obstáculos ao encerramento desta pandemia.

Quando pensamos em nosso país e buscamos identificar os erros que levaram a este retumbante fracasso no combate a Covid-19, igualmente podemos perceber o que nos distancia do seu desfecho. Tínhamos elementos importantes para que fossemos bem sucedidos, por exemplo, o fato de termos tempo de nos preparar até o SARS-CoV-2 e a Covid-19 chegarem aqui, observando os erros e acertos de outros países em suas políticas de contenção, ainda salta aos olhos, o fato de termos um sistema público de saúde, o SUS, universal, capilarizado por todo o país e experiente no combate a epidemias e outros enfrentamentos de ordem sanitária. Mas fracassamos, por quê?

O nosso fracasso pandêmico se associa ao negacionismo, a começar pelo Governo Federal, o que impregnou o país de narrativas distantes da ciência e inverídicas, nos moveu no caminho das curas milagrosas através de medicações sem comprovação científica e se disseminou pelo Ministério da Saúde, inerte e errático neste evento sanitário. As mentiras sustentaram a pandemia das Fake News, demolidoras ao desestimularem o uso da máscara, descaracterizarem o distanciamento social e ao tentarem subjugar a ciência, sustentando políticas de estado que se mostraram absolutamente ineficazes. A falta de coordenação nacional também foi importante para o desastre sanitário que vivemos, assim como a inexistência de ações de governança focadas na ampla testagem da população com identificação de grupos contaminados e o corte da cadeia de contágio. Buscamos e enaltecemos o “kit Covid”, apostamos na “imunização de rebanho” e desprezamos as vacinas, demorando, à custa de vidas, o processo de compra dos imunizantes e a imunização da população. Pois é, o Brasil é um belo exemplo de erros cometidos, os quais causaram tantas mortes e uma amostragem dos motivos que nos distanciam do fim desta pandemia.

O enfrentamento pandêmico em nosso país expressa o que a palavra negacionismo significa e os contornos de suas consequências. Os EUA que, a partir do governo Biden, iniciaram em dezembro de 2020 uma ampla campanha de enfrentamento da Covid-19, se voltando para a ciência, priorizando a conscientização da população e tendo como foco uma ampla campanha vacinal, vacinaram de maneira plena até o momento 49% da sua população, atingindo uma média de 3,5 milhões de pessoas vacinadas por dia até abril de 2021, números que caíram para 2,4 milhões/dia em maio e neste momento, estão com muita dificuldade de evoluir na cobertura vacinal. Sabe qual o motivo? Um forte negacionismo. Esta situação se expressou em julho, com o aumento na média móvel de casos em 53% em uma semana, sendo que 99,5% das mortes por Covid-19 estão ocorrendo em grupos não vacinados.

A variante Delta se soma ao negacionismo para ameaçar o fim da pandemia, mesmo após a vacinação. Segundo relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos EUA, a variante Delta se espalha com muito mais rapidez, tem maior probabilidade de infectar vacinados e pode acarretar doenças mais graves naqueles que não se vacinaram em comparação a todas as outras cepas virais conhecidas. Esta variante é responsável por uma nova onda de infecções nos EUA, no Reino Unido, em diversos países asiáticos e em Israel. Nos EUA ela é responsável por 80% das novas infecções e no Reino Unido por mais de 90%. No Brasil já temos mais de 200 infectados e mais de 20 mortes por esta nova variante, entretanto a variante P1 (Gama) originária de Manaus-AM ainda é dominante e não temos elementos para afirmar que a Delta virá a predominar, contudo, o perigo existe e o risco é eminente, visto a continuada ausência de políticas de enfrentamento, neste caso, a falta de uma ampla testagem da população, com foco na investigação genômica. Também temos muita dificuldade no controle epidemiológico de nossas fronteiras, portos e aeroportos, nos apresentamos até aqui, como incapazes de impedir a entrada desta variante no país e a sua circulação.

O caminho para o fim desta pandemia está aberto com a chegada das vacinas, entretanto, o seu efetivo desfecho depende de suplantarmos obstáculos que nos impediram de conceber um enfrentamento eficaz deste evento sanitário, em especial, o negacionismo, o qual se soma a temida variante Delta para refrear nossos ânimos e nos fazer lembrar da importância de “mantermos a guarda alta”, preservando os cuidados sanitários e de termos paciência.

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