terça-feira, 13 de abril de 2021

MARÇO HISTÓRICO EM SANTA CATARINA, COM MORTES SUPERANDO NASCIMENTOS


Os estados do Sul do país tiveram uma queda inédita de sua população no mês de março de 2021. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul apresentaram mais mortes que nascimentos, segundo dados compilados no Sistema Integrado de Mortalidade (SIM), plataforma virtual do Ministério da Saúde (MS). Esta plataforma foi criada em 1979, portanto, esta é a data mais antiga de registro destes indicadores no país, anteriormente estes dados eram compilados unicamente através do registro em cartórios. Desde a criação do SIM isto nunca havia ocorrido.

O Portal da Transparência da Arpen/Brasil (Associação Brasileira de Registradores de Pessoas Naturais), criado em 2015 e que compila dados dos cartórios de registro de nascimentos, óbitos e casamentos, confirma esta informação e informa que foram registrados no sistema em março, 34.439 óbitos contra 34.211 nascimentos nos estados do Sul do país, estes dados foram atualizados em 07 de abril e podem sofrer alterações, mas chancelam as informações do SIM. Se faz importante como comparativo os dados de março de 2020, onde foram registrados 28.820 nascimentos e 15.762 mortes.

O relatório apresentado pelo Portal Arpen/Brasil, com base em dados dos Cartórios de Registro Civil, identifica 17.220 óbitos, no conjunto dos 3 estados do Sul do país no mês de março, causados pela Covid-19, portanto, 50% dos óbitos. Segundo este portal, o Rio Grande do Sul apresentou neste período, 8.148 emissões de Certidões de Óbitos, o Paraná 5.737 e Santa Catarina 3.335. Estes números sombrios são um alerta neste momento que o Sul do país é o epicentro da pandemia, mesmo para os negacionistas, os quais contestam, inclusive, os atestados de óbitos, onde a “causa mortis” é pela Covid-19.

Esta inversão da lógica do binômio nascimentos/óbitos, portanto, morrendo mais pessoas do que nascendo, não é fato isolado dos estados do Sul, sendo também identificada em 12 das 50 cidades do país com mais de 500 mil habitantes no mês de março, o mais mortal desta pandemia e existe a possibilidade concreta desta situação inédita e complicada, se alastrar por todo o país, a partir do mês de abril.

O Brasil fracassou rotundamente no combate a esta pandemia, somos o país com maior número diário de óbitos pela Covid-19 e os recordes são batidos dia após dia. Em 06 de abril, estabeleceu-se a marca de 4.195 óbitos em 24h, na mesma data em que Santa Catarina registrou número recorde de mortes com 226 óbitos em 24h. Somos assolados por uma segunda onda ou, como identificam alguns cientistas, uma nova pandemia, catapultada por uma nova cepa viral, a P1, nascida em Manaus-AM, mais contagiosa, agressiva, que atinge de maneira preocupante uma população mais jovem e que aterroriza com a possibilidade de pulverizar a eficácia das vacinas. As vacinas, único caminho para o encerramento deste terrível evento, são escassas neste momento. Entretanto, sobram os que negam, os que querem ocultar dados e fatos, como se nada estivesse acontecendo, imbuídos na única missão de resguardar seus interesses, claro, existem também aqueles que querem utilizar a pandemia para catapultar seus negócios, neste caso, entendo que uma crise deste porte é um celeiro de oportunidades para prosperar, mas, respeito humano e empatia precisa haver.

O mês de março descortinou uma nova pandemia, onde o fracasso no combate deste evento sanitário foi desnudado na toada de cepas virais mais agressivas, que, segundo dados da plataforma UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), fazem com que 52,2% das UTIs do Brasil sejam ocupadas por pessoas com menos de 40 anos, portanto, invertendo a lógica de faixa etária atingida de maneira mais grave e o total de pacientes que precisam de ventilação mecânica atingiu 58,1%, ambas as taxas são recordes. De maneira igualmente inédita, 1/3 dos pacientes graves não apresentam comorbidades. Estes e outros dados divulgados pela AMIB foram coletados a partir da expressiva amostragem de 20.865 leitos de UTI no país, 25% do total existente, destes, 1/3 atende o SUS e 2/3 o Sistema Suplementar. O relatório da AMIB reforça percepções do meio científico e propõe conclusões, quais sejam, as novas cepas virais efetivamente são mais agressivas e parecem atingir de maneira importante os mais jovens, a vacinação das pessoas mais idosas parece estar contribuindo para a inversão desta lógica de faixa etária mais atingida e a falta de conscientização e cuidados demonstra ser relevante, contribuindo para os mais jovens serem o grupo mais atingido neste momento.

Ao tempo em que a pandemia mostra a sua cara mais agressiva, fazendo história ao provocar a inédita situação de termos mais mortes que nascimentos no Sul do país e em algumas das maiores cidades brasileiras, e com uma quantidade pequena de vacinas disponibilizadas para a população, surpreende negativamente a matéria divulgada pelo jornal A Folha de São Paulo, a partir de dados levantados pelo próprio jornal, segundo a qual 14,13% das pessoas vacinadas com a vacina Coronavac, não retornaram para tomar a 2ª dose, por volta de 500 mil pessoas.

O momento é difícil, as pessoas vivem a dicotomia de temerem por suas vidas, mas ao mesmo tempo pela paralisação das atividades econômicas e o caos que isto poderia causar. Acredito que o caos já fez do nosso país a sua morada, uma unidade nacional no combate a pandemia seria o remédio ideal, com narrativas próximas à ciência, ações de governança mais eficazes, vacinas para todos e campanhas de conscientização.

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terça-feira, 6 de abril de 2021

BRASIL, IMUNIDADE DE REBANHO POR VACINAS SÓ EM 2022

O Brasil bate recordes de mortes pela Covid-19 dia após dia, em 31/03 estabeleceu a marca de 3.950 óbitos em 24h, segundo levantamento do Conselho Nacional de Secretarias de Estado da Saúde (CONASS), estando na liderança em óbitos/dia no mundo e já ultrapassando o total de 330 mil mortes.


Nosso país sofre os efeitos de uma segunda onda, ou como preferem alguns cientistas, uma nova pandemia, patrocinada por uma nova cepa viral concebida em Manaus-AM, a P1, a qual se apresenta como mais contagiosa, agressiva, que atinge de maneira importante pessoas com menos de 50 anos e, por conter a mutação E484K, tem a possibilidade de “driblar os anticorpos”, em virtude disto, pode vir a diminuir a eficácia das vacinas. Enquanto isso, mesmo os negacionistas, sonham com uma maior disponibilidade de vacinas, esta ferramenta tão importante, que inclusive os distantes da ciência, já entenderam, ou começam a compreender, ser o caminho para o final deste evento sanitário e para evitar muito mais mortes.

Entretanto, as ações do Ministério da Saúde e do Governo Federal para a aquisição de imunizantes, que neste momento ocorrem de maneira célere, careceram de planejamento e logística, atuando para sua compra de maneira tardia e, em função disto, o meio científico entende que o país atingirá uma imunidade de rebanho por meio da vacina contra a Covid-19 apenas em abril de 2022.

A consultoria Airfinity, principal fonte de dados e de inteligência do setor farmacêutico global, analisou o nosso ritmo vacinal, os acordos de compra de vacinas divulgados pelo Governo Federal, o prazo de entrega destes imunizantes, a capacidade nacional de produção, entre outros fatores, e chancelou esta análise. Portanto, nosso país precisará esperar ainda mais de um ano para atingir a tão sonhada imunidade de rebanho vacinal, qual seja, quando 75% da população terá sido vacinada.

Esta consultoria contextualiza através de um levantamento mundial do ritmo vacinal para a Covid-19 a complicada situação vivida pelo Brasil e reforça o sinal de alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual, nosso país precisa adotar urgentemente medidas de controle social para controlar a contaminação viral. Segundo esta projeção, os EUA e o Reino Unido imunizarão 75% da sua população até agosto/2021, o Canadá atingirá este volume em julho/2021, o Japão atingirá em outubro/2021 e mesmo a China, país com maior população do mundo (1,3 bilhão de habitantes), evolui a vacinação de maneira célere, mas em função do seu volume populacional, deve atingir a imunização de rebanho apenas em junho/2022. Neste momento, segundo dados oficiais, nos aproximamos de 6% de brasileiros que receberam a 1ª dose da vacina e em torno de 2% a 2ª dose.

Nossa situação é dramática, sem vacinas suficientes para implementar uma vacinação em massa, com os sistemas de saúde colapsando, carentes de um direcionamento nacional por parte do MS, imersos em discussões ideológicas e narrativas negacionistas, percebemos a dificuldade de os governos estaduais implementarem medidas mais rígidas de distanciamento social, as quais, cientificamente, seriam imprescindíveis neste momento e que são cobradas pela OMS, mas que causam danos severos à economia.

No momento em que o Governo Federal anuncia a assinatura de contratos para a aquisição de 415 milhões de doses de vacinas, esta projeção da Consultoria Airfinity é um “balde de água fria” a refrear o otimismo por este anúncio, nos trazendo à dura realidade e a prática dos fatos, a qual nos reporta a prazos de entrega, aprovação de vacinas por parte da ANVISA e a um tempo de espera para a resolução de diversos trâmites, tempo o qual não temos.

O Programa Nacional de Imunização (PNI), criado em 1973 e regido pela Lei Federal nº 6259/1974, é referência mundial, responsável pela erradicação da Varíola em 1973 e da Poliomielite em 1989, sendo capaz de prover a imunização de 80 milhões de brasileiros em 3 meses na campanha de vacinação contra a Influenza em 2011, podendo desenvolver uma vacinação em massa contra a Covid-19 de 1 milhão de brasileiros por dia, números que podem ser aumentados perante uma ampliação do número de salas de vacinação e de profissionais vacinadores. Entretanto, a letargia do Governo Federal na aquisição de vacinas faz com que, se não houverem contratempos, venhamos a ter um maior volume de vacinas apenas no segundo semestre de 2021 e, claro, espero que estejam desenvolvendo uma logística de aquisição de insumos (seringas, agulhas, entre outros), visto que até o momento, segundo informações divulgadas, estaria sendo utilizada a reserva técnica de 60 milhões de seringas e agulhas, adquiridas para outras vacinas.

Mesmo que tardiamente, o Governo Federal sinaliza com a intenção de fomentar um pacto nacional de combate à pandemia, o MS, sob a batuta do seu 4º Ministro neste evento sanitário, parece disposto a se reaproximar da ciência, buscando honrar sua história iniciada em 1953.

Precisamos que as narrativas se transformem em ações de governança, lamentavelmente, uma vacinação em massa da nossa gente, ainda é apenas um objeto de desejo, as pessoas estão morrendo em virtude desta doença em número cada vez maior, dia após dia, e agora, os mais jovens também estão na “alça de mira” da Covid-19. O negacionismo perdura, portanto, campanhas de conscientização são fundamentais e na espreita delas, o entendimento que cada cidadão precisa fazer a sua parte e apenas unidos como nação, vamos vencer esta guerra.

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terça-feira, 30 de março de 2021

A CIÊNCIA NA PANDEMIA: SPRAY NASAL, ASPIRINA E AS VACINAS

 

A ciência demonstra a cada dia ser a luz no final do túnel desta pandemia, trazendo esperança no momento que o mundo é assolado por uma segunda onda pandêmica, vitaminada por novas cepas virais mais contagiosas e agressivas, se aproximando rapidamente das 3 milhões de mortes em razão da Covid-19. No Brasil, que registrou em 23/03 um novo recorde de 3.251 mortes em 24h, apresentando em 25/03 a assustadora marca de 63 dias seguidos com média móvel acima da marca de 1.000 mortes e há 8 dias seguidos com média acima de 2.000 mortes, somando mais de 300 mil óbitos em razão da Covid-19, o negacionismo, a alienação, os interesses menores e a irresponsabilidade de muitos trabalha por privar a população da informação correta e da tão necessária conscientização, entretanto, a ciência caminha no sentido de salvar vidas, inclusive, destas pessoas de valor humano duvidoso.

Se no início desta crise sanitária sem precedentes o meio médico se utilizou de muitas medicações sem comprovação científica, pressionado pelo iminente colapso dos sistemas de saúde, neste momento deixou de lado o foco em encontrar medicações de combate e até de prevenção, trabalhando com a realidade de identificar ou desenvolver medicamentos que promovam o equilíbrio imunológico, mitiguem os sintomas e controlem as infecções, buscando evitar o avanço da doença para casos mais graves.

Da primeira geração de medicamentos, estudos científicos robustos já descartaram o uso da Hidroxicloroquina e da Cloroquina, associadas ou não a Azitromicina, visto não apresentarem eficácia no tratamento da Covid-19 e demonstrarem um potencial muito alto para o desenvolvimento de efeitos colaterais, em especial no músculo cardíaco. Em função disto, a Food and Drugs Administration (FDA), a ANVISA dos EUA, revogou a autorização de uso da Hidroxicloroquina e da Cloroquina para pacientes acometidos pela Covid-19.

Desta primeira fase ainda estão sendo utilizadas a Heparina (anticoagulante), a Dexametasona (corticoide), certificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) perante sua capacidade de reduzir a inflamação, sendo recomendada para uso em ambiente hospitalar em casos moderados e graves, o Remdesevir (antiviral), com aprovação de uso da FDA e, recentemente, da ANVISA, com capacidade de diminuir a replicação viral e, portanto, a agressividade do vírus, sendo utilizado em ambiente hospitalar.

Mas uma segunda geração de medicamentos está chegando, tornando o dito “kit Covid” uma referência “pré-histórica” nesta pandemia, os anticorpos monoclonais, o plasma convalescente, o soro elaborado a partir de plasma equino, o ácido acetilsalicílico e os sprays nasais estão dando um novo enfoque e demonstrando que a despeito da indiferença de alguns, a ciência está trabalhando muito.

O Plasma convalescente é desenvolvido a partir do plasma de pessoas que já tiveram a Covid-19 e tem a função de aumentar rapidamente o aspecto imunológico de pacientes em ambiente hospitalar, impedindo a evolução para casos mais graves e diminuindo o tempo de internação. O Soro desenvolvido a partir de plasma de cavalos, que está sendo desenvolvido pelo Instituto Butantan, o qual solicitou da ANVISA autorização para testes em humanos, tem uma função similar ao Plasma convalescente, entretanto, segundo estudos, potencialmente maior e poderá ser produzido em maior escala.

O Ácido Acetilsalicílico, princípio ativo da Aspirina (Bayer) e do AAS (Sanofi), segundo estudo realizado pela George Washington University (EUA), tem potencial para evitar a formação de coágulos sanguíneos, evitando, portanto, inflamações importantes nos pulmões e no músculo cardíaco, tendo uma atuação similar a Heparina, mas diferentemente desta última medicação que é utilizada em ambiente hospitalar, poderia ser utilizada de maneira preventiva.

Quanto aos Sprays Nasais, temos 2 tipos: produtos para a saúde e medicamentos. Os produtos para a saúde têm uma aprovação mais simples por parte da ANVISA e já são utilizados para prevenir, por exemplo, a gripe e o resfriado, criando barreiras físicas dentro do nariz para impedir vírus e bactérias de entrar no organismo. O Vick Primeira Proteção (P&C Health), este muco-adesivo em micro gel estava fora de linha e foi relançado, o Filtrair (Zambom), mistura de celulose e hortelã em pó, é um lançamento recente, assim como o Taffix (Nasus Pharma) que, segundo o divulgado pela farmacêutica, “ajuda a capturar e matar 97% dos vírus, incluindo o Sars-Cov-2”.

Temos 3 Sprays Nasais medicamentosos mais divulgados, o ExoCD24, desenvolvido pelo Centro Médico Ichilov de Israel, para casos moderados e graves, se propondo a erradicar a “tempestade de citocinas” no pulmão, inflamação causada por uma descarga imunológica severa em função da doença, de efeito similar ao da Dexametasona, mas potencializado. Uma comitiva do governo brasileiro esteve em Israel e foi assinado um Termo de Cooperação, acredita-se que em um ano estará disponível. Spray Nasal de óxido nítrico (Nons - SaNOtize), já aprovado em Israel e na Nova Zelândia, tendo o nome comercial de Enovide, trabalha com a intenção que o óxido nítrico destrua o Sars-Cov-2 que tente entrar no organismo pelo nariz. INNA-051 (Ena Respiratory), se propõe a refrear a replicação do vírus, ainda não foi testado em humanos e teria uma atuação similar ao Remdesevir (antiviral), mas com custos menores.

A ciência trabalhou muito nesta pandemia e diversas medicações começam a surgir, passou a fase do “kit Covid” e da busca de curas messiânicas, mas estas que estão surgindo são auxiliares, o verdadeiro caminho para o encerramento desta pandemia são as vacinas, campanhas de conscientização, ações de governança corretas e o comprometimento de todos com o que precisa ser feito.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...