terça-feira, 15 de setembro de 2020

NO BRASIL DOENTE CRESCE A NEGAÇÃO, A DESINFORMAÇÃO E A IRRESPONSABILIDADE

 


Historicamente, momentos como o que estamos vivendo, levam as pessoas ao seu limiar de tensão e medo, suscitando reações incontidas e, por vezes, irresponsáveis. Desde a pandemia da Peste Negra (1346 a 1353), também conhecida como Peste Bubônica, causada pela bactéria Yersinia Pestis, encontrada em pulgas que ficam em ratos contaminados e que dizimou cerca de 1/3 da população europeia, contribuindo para a crise da Baixa Idade Média, passando pela pandemia da Gripe Espanhola (janeiro de 1918 a dezembro 1920), vitimando mais de 50 milhões de pessoas, 35 mil delas no Brasil e, agora com a pandemia da Covid-19, os erros se repetem, mostrando traços comuns entre estes eventos, quais sejam: a culpabilização, a negação, as “curas milagrosas” e informações falsas.

A Covid-19, em seus mais de 6 meses de pandemia, apresenta quase 20 milhões de recuperados, mais de 3,5 milhões no Brasil, entretanto, contaminou quase 30 milhões de pessoas e vitimou mais de 900 mil, quase 130 mil em nosso país. Diferentemente da Peste Negra e da Gripe Espanhola, esta pandemia apresenta como plano de fundo um mundo globalizado, o vírus atinge todos os continentes com extrema rapidez através de aviões supermodernos, a informação chega a todas as pessoas em tempo real e a economia mundial está interligada, portanto, os problemas e soluções necessariamente serão compartilhados por todos os países, o que nos faz perceber uma outra crise associada a esta, de ordem social e econômica, o que nos reporta ao “crash” (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque de 1929, que gerou a grande depressão mundial dos anos 30 e é um dos fatores a desencadear a 2ª Grande Guerra.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), reiteradas vezes tem se pronunciado que esta pandemia, mesmo com o advento da vacina, deverá levar por volta de 2 anos para se encerrar, reforçando esta posição, o mundo vive à mercê de novos surtos lá e cá, em localidades que já estavam em estágio mais avançado de retomada das atividades sociais e econômicas, o conhecimento deste vírus e desta doença se mostra um ato continuado onde a reinfecção já se apresenta possível e a imunização de rebanho se constata ocorrer com 67% da população tendo sido contagiada. Ainda, das 185 vacinas que estão sendo elaboradas, 35 estão em estágio de testes em humanos e 8 na 3ª fase, preocupando a interrupção, por alguns dias, dos testes da vacina bastante promissora da Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca, em função de possível efeito colateral severo de ordem neurológica, apresentado por um paciente testado. Já a da Sinovac, em parceria nacional com o Instituto Butantã e governo do estado de São Paulo, tem demonstrado em testes ainda não conclusivos, ser mais eficaz em jovens. Pois é, a fase 3 de testes em humanos, todos os testes de segurança e eficácia são rígidos e longos, portanto, precisar quando teremos vacina é difícil.

Olha só, motivos para medo e angústia não nos faltam, estamos cansados, entretanto, se associar a negação, se distanciar da ciência e propagar a desinformação é um ato de irresponsabilidade, infelizmente patrocinado por muitos governantes.

Segundo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, este momento ímpar fornece a matéria-prima para rumores, boatos e narrativas desconectadas da verdade, qual seja, o temor, assim foi nos tempos da Peste Bubônica e da Gripe Espanhola, buscando sempre encontrar um culpado, negar a ciência e os fatos com teorias conspiratórias ou relativizando a doença, ainda buscando curas milagrosas e difundindo a desinformação.

Quanto as curas milagrosas, se hoje temos a Cloroquina, medicamento que pode ser útil em fases mais avançadas, mas não apresenta comprovação científica e pode causar efeitos colaterais severos, em especial, no sistema cardiovascular, na época da Gripe Espanhola tínhamos o homeopático “Grippina”, o aparelho Farador de Madame Virginia (máquina inspirada nos trabalhos de Michael Faraday e que se propunha através de correntes elétricas, aliviar o sofrimento dos pacientes) e até um composto a base de cachaça, limão e mel, mais tarde intitulado caipirinha. Claro que os protocolos médicos evoluíram com a prática nesta pandemia, certas medicações, ainda que não comprovadas cientificamente, estão sendo utilizadas e são úteis quando administradas com diretrizes rígidas e sob tutela médica, mas não são a solução. Assusta muito manifestações como as ocorridas em Curitiba-PR, em 07 de setembro, onde os manifestantes empunhavam cartazes com dizeres: “nós temos Cloroquina, não precisamos de vacina”.

Com certeza, estamos fadados a viver nossas vidas perante um “novo normal” por um período ainda indeterminado, mas que deve se prolongar por 2021, isto nos impõe o uso da máscara, higiene constante das mãos e evitarmos aglomerações. Quanto aos governantes, entender que esta pandemia não se encerrará por decreto e que a ciência é a maior aliada, sendo essencial ter um discurso e atitudes embasados nos fatos e não no “achismo”.

Mas calma, se por um lado me parece óbvio que teremos uma temporada de verão “galinha dos ovos de ouro” do Brasil do turismo, ainda em ritmo pandêmico, por outro as transformações deste novo mundo e o entendimento da gravidade do que está acontecendo, pode gerar um senso de oportunidades maravilhoso para aqueles que transpuserem esta expertise para a prática de suas vidas e negócios.

Nos distanciando do negacionismo, da desinformação e da irresponsabilidade, estaremos salvando vidas, mas também podemos desta maneira, atingirmos o sucesso.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

SETEMBRO AMARELO, DOENÇAS MENTAIS E O SUICÍDIO: ONDA OCULTA E CRESCENTE DURANTE A PANDEMIA


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa morre por suicídio a cada 40 segundos no mundo, sendo a 3ª causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a 7ª causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos, ainda relatam pesquisadores que, a partir dos 9 anos, a criança já tem noção sobre o mundo, capacidade de escolhas e, portanto, pode ter “ideação suicida”.

O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, de iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) iniciada em 2015 e ocorre neste mês em função de 10 de setembro ser Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, instituído pela OMS em 2003. A cor amarela faz alusão a morte por suicídio de um jovem americano, Mike Emme de apenas 17 anos em 1994. Ele tirou a própria vida em um Mustang amarelo 1968 que havia sido restaurado por ele, sendo que seus familiares e amigos ofertaram durante seu velório, cartões com frases motivacionais focadas naqueles que padeciam das mesmas dores que Mike e estes tinham laços amarelos. A partir deste episódio, seus familiares e amigos iniciaram uma campanha de prevenção que se ampliou rapidamente e originou o Dia Mundial de Prevenção.

O Brasil está em 8º lugar entre os países com maior número de suicídios, com uma média nacional de 32 suicídios por dia, 5,5 suicídios por 100 mil habitantes. O Rio Grande do Sul lidera, seguido por Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, que apresenta uma média maior que a nacional, de 8,58 suicídios por 100 mil habitantes.

Quando se aborda o suicídio, necessário se faz discorrer sobre situações orgânicas que habitualmente estão relacionadas: o estresse, a ansiedade e a depressão.

Toda vez que o ser humano está se confrontando com uma situação que coloque risco a sua vida, ou que provoque um certo nível de tensão, um mecanismo orgânico de proteção se desencadeia, a começar pela liberação pelas glândulas suprarrenais dos hormônios cortisol e adrenalina, estes hormônios catalisam reações químicas que provocam os pulmões a inflarem na busca de mais ar para oxigenar as células, o coração bate mais rápido para bombear mais sangue e levar mais oxigênio para os músculos, a pressão arterial aumenta, enfim, todo um mecanismo de defesa é disparado e assim a espécie humana tem sobrevivido através dos tempos. Quando este mecanismo de defesa é ativado constantemente, pode desencadear problemas orgânicos e mentais, acarretando o estresse, o qual se apresenta passageiro, e distúrbios psicossociais mais graves, persistentes e que necessitam de tratamento qualificado, como os transtornos de ansiedade e a depressão, esta uma doença de cunho psiquiátrico.

Os transtornos de ansiedade, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), assim como a depressão advém ainda de alterações provocadas por este mecanismo de defesa em neurotransmissores do cérebro, como a serotonina e a endorfina, os quais são responsáveis pelo sentimento de alegria e de prazer, também podendo ter origem hereditária, traumática, no relacionamento familiar e em outras causas externas. Portanto, este mecanismo de defesa, quando disparado constantemente, pode causar, ativar ou potencializar um problema mental, de outra maneira também pode causar problemas orgânicos e ainda diminui a capacidade imunológica.

Não confundir a ansiedade normal de se fazer uma prova importante, uma entrevista de emprego, de se ganhar um presente desejado ou outra situação cotidiana similar, com a vivência constante desta sensação, se conotando como um distúrbio psicossocial.

A OMS relata que 5% da população mundial sofre de depressão, os indicadores dos transtornos de ansiedade chegam a quase 10%. No Brasil, 12 milhões de pessoas sofrem de depressão, quase 18 milhões de algum transtorno de ansiedade. Estes números devem crescer durante a pandemia, a qual, segundo a OMS, mesmo com o advento da vacina, deve levar até 2 anos para se encerrar. O isolamento social, o temor pelo desemprego e pela vida, a “infodemia” e, inclusive, o acesso irrestrito à informação, provocam que o mecanismo do estresse dispare a todo o momento e isto pode ser devastador.

Sabendo que os transtornos de ansiedade e, especialmente a depressão estão intrinsicamente relacionados com o suicídio, importante dizer que as pessoas emitem sinais que precisam ser identificados, estes se expressam por alteração de comportamento, isolamento, aumento ou diminuição de peso, rompantes de agressividade, desesperança, tristeza absoluta, baixa estima e, por vezes, a verbalização de “não se estar bem”.

Os especialistas recomendam da importância do diálogo entre pais e filhos, a observação das alterações de comportamento, o cuidado com a imersão em redes sociais, as quais tem sido grandes responsáveis pelo suicídio, em especial de crianças e adolescentes, através de jogos que induzem ao ato. Ainda indicam, especialmente neste momento de pandemia, que as pessoas mantenham rotinas de vida, que incluam momentos para a prática esportiva, o lazer, momento para orar e ou para meditar com músicas que provoquem o relaxamento e mesmo para receber a informação, não deixar a televisão constantemente ligada em noticiários, procurar veículos que difundam uma informação abalizada, evitando a “infodemia” das redes sociais e o fazer igualmente em momento específico.

A saúde mental e o suicídio são temas que precisam ser conversados, “tabus” que necessitam ser quebrados, o momento pandêmico é único, doloroso para todos, mas que será superado e para aqueles que entenderem o grande senso de oportunidades que este mundo em transformação está ofertando, será o caminho para o sucesso e a felicidade.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

SETEMBRO AMARELO, DOENÇAS MENTAIS E O SUICÍDIO: ONDA OCULTA E CRESCENTE NESTA PANDEMIA

Olá!!! 



Convido você para acompanhar a minha participação no Jornal da Cidade 1ª edição (Rádio Cidade 104,1 FM) de Itapema – SC de quinta-feira (03/09) onde abordei o tema “Setembro Amarelo, Doenças Mentais e o Suicídio: onda oculta e crescente nesta pandemia.” 



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terça-feira, 1 de setembro de 2020

COVID-19 NO BRASIL: O DESAFIO DO TRABALHO SEGURO DURANTE A PANDEMIA.

 


Apresentando mais de 16 milhões de recuperados, o que é reconfortante, a Covid-19 continua a avançar de maneira avassaladora mundo afora, já passamos dos 25 milhões de casos e dos 840 mil óbitos. A Europa, com relevo para Espanha, França e Itália, se aterroriza com uma possível 2ª onda, assim como a Coreia do Sul. Os EUA, liderando em casos e óbitos, alterna fases de aceleração, platô e desaceleração, lá e cá, numa onda intermitente. Hong Kong, Bélgica e Holanda registraram casos de reinfecção por Covid-19, o que pode afetar na elaboração de uma vacina, sinalizando o tempo de imunização e dando cores pessimistas a quem aguarda pela imunização de rebanho. A OMS se manifestou sobre a importância das vacinas, mas alertou da necessidade de se conhecer a sua real eficácia para toda a população, a complexa logística global de produção e imunização, e que, mesmo contando com esta importante ferramenta, a pandemia deve levar por volta de 2 anos para se encerrar. Ainda que as políticas governamentais, calcadas na ampla testagem, identificação precoce dos contaminados e rompimento da cadeia de transmissão, são fundamentais, assim como a população precisa incorporar ao seu cotidiano o uso da máscara, higienização constante das mãos e cuidados de distanciamento social.

O Brasil completou seis meses de pandemia, se situando perante seus mais de 3,8 milhões de casos oficiais e mais de 120 mil óbitos, como segundo no mundo nos dois indicadores, comemorando mais de 3 milhões de recuperados, mas se entristecendo por superar os EUA em taxa de mortes por 100 mil habitantes, escancarando uma desigualdade social brutal e inadmissível, como inaceitável é a falta de gestão e de respeito ao valor humano demonstrada por boa parte dos nossos governantes.

Nosso país apresenta desaceleração de contágio em muitas regiões, outras estão em fase de platô, estabilizado com números altos de contágio e óbitos, certos locais, como o Rio de Janeiro, começam a apresentar novamente aumento no número de casos e óbitos, estes indicadores somados aos relatados mundialmente, tendo como base os alertas da OMS e do meio científico, nos impõe a compreensão que, mesmo com o advento da vacina, teremos que nos condicionar ao “novo normal” que poderá se prolongar até o final de 2021 e talvez se arraste por 2022, com previsíveis novas ondas.

Refeitos do susto inicial, ainda a mercê do imenso despreparo dos nossos governantes, mesmo cientes que esta pandemia pode demorar para se encerrar, precisamos nos adaptar e voltarmos as nossas vidas, da maneira possível. Nossa vida profissional já está sendo retomada, o home office foi ampliado substancialmente, as redes digitais estão sendo utilizadas como nunca, mas o trabalho presencial se reveste de mais cuidados e regramentos, tanto para garantir a integridade da saúde dos colaboradores, dos consumidores e também a segurança jurídica dos empregadores.

As relações de trabalho e a forma de atender o consumidor precisam se adaptar a legislação criada nesta pandemia, com relevo para a Lei nº 13.979/2020 (lei da quarentena do Coronavírus), o Decreto de Calamidade Pública aprovado pelo Congresso Nacional (DLG 6-2020), a Portaria GM/MS nº 188/2020 que declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, a Portaria conjunta do Ministério da Economia/Secretaria Especial de Previdência e Trabalho nº 20/2020, as Medidas Provisórias nº 927 e nº 931/2020, já suprimidas em favor da Lei nº 14.020/2020 que institui o Programa Emergencial do Emprego e da Renda, ainda os Decretos Federais, Estaduais e Municipais identificando os serviços essenciais perante sua competência e regrando sua operacionalização. Importante o fato do Supremo Tribunal Federal ter criado jurisprudência (29/04) sobre a Covid-19 ser uma doença ocupacional, se conotando como um acidente de trabalho.

As ações apresentadas à Justiça do Trabalho até 27 de agosto, relacionadas à pandemia, já somam R$ 6,03 bilhões. É o que revela o Termômetro Covid-19 da Justiça do Trabalho, plataforma desenvolvida pela Datalawyer Insights onde se vê em tempo real os processos em andamento. Nesta data, havia 89.194 ações em todo o país, com valor médio das causas de R$ 67.585,00. Até março, mês seguinte ao primeiro caso de Covid-19 no Brasil, havia 2.959 ações. Em abril se somaram mais de 16.313, aumento de 451,3%. De maio para junho chegaram mais 19.607 casos nos tribunais. Santa Catarina acumula 10.475 ações no total, com valor médio das causas de R$ 22.827,00, sendo o segundo estado brasileiro com mais ações trabalhistas. Até agora, o maior número de casos está na indústria da transformação, seguido de comércio e reparação de veículos, em 3º lugar estão as atividades administrativas.

Esta pandemia impõe modificações nas rotinas de trabalho perante um “novo normal” e na exigência do empregador proporcionar condições de biossegurança aos seus colaboradores e aos consumidores. Para tanto, a legislação específica criada deve ser seguida e esta exige o treinamento dos colaboradores, protocolos sanitários e uma série de regras a serem cumpridas.

É imenso o desafio do resguardo à vida neste momento pandêmico e da continuidade do trabalho, respeitando a integridade física de colaboradores e consumidores, assim como garantindo juridicamente os empregadores. Com a chegada do final do ano e da temporada de verão, tão importante para o Brasil que tem no turismo regional e internacional um dos alicerces da sua economia, este desafio se ampliará. Mas se a pandemia demonstra que prosseguirá, a continuidade da vida precisa se sobrepor a ela.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...