terça-feira, 4 de agosto de 2020

COVID-19, SANTA CATARINA EM RISCO GRAVÍSSIMO: FALTA DE SENSIBILIDADE SOCIAL E DE POLÍTICAS PÚBLICAS




Esta pandemia desperta sentimentos contraditórios, alguns a relativizam perante suas crenças ideológicas ou interesses menores, a maior parcela das pessoas se assusta com novas informações diárias e se veem impactadas pelo desgoverno que tomou conta de nosso país somada a “pirotecnia” de muitos governantes que preferem a descoberta unilateral de soluções mágicas para tirar proveito político, do que o entendimento que pessoas estão sofrendo, morrendo, e que apenas a ciência, políticas calcadas nela e com foco nas ações loco-regionais, poderá minimizar as perdas, com relevo as humanas.

Mundialmente temos quase 18 milhões de casos, quase 700 mil mortes e de positivo, mais de 10 milhões de recuperados. No Brasil, oficialmente, passamos de 2,7 milhões de casos, das 90 mil mortes e mais de 1,8 milhão de recuperados. Santa Catarina confirma mais de 87 mil casos, mais de mil óbitos e aplaude os mais de 70 mil recuperados.

Tenho dito, e repito, uma pandemia não é uma corrida de 100m e sim uma maratona, com várias fases, tendo a de aceleração de contágio como a mais agressiva, mas sem uma política adequada, que seja baseada em uma ampla testagem com o teste RT-PCR, a partir disto a identificação dos ativos e a interrupção na cadeia de transmissão através de medidas de distanciamento social, utilizando o amplo ou até o lockdown apenas em situação crítica que beire o colapso do sistema de saúde, visto os prejuízos de ordem econômica e psicológica que esta ação pode causar, sem este entendimento, é trabalhar com o caos instaurado. Enquanto não houver vacina, esperada para o primeiro semestre de 2021, estaremos reféns de cuidados pessoais de higiene, uso de máscara e distanciamento social, além de dependentes de políticas públicas efetivamente eficazes.

Não por outro motivo, estamos vendo a suspensão do réveillon em grandes cidades, carnaval, Oktoberfest, entre outras festas de massa, um contrassenso é a manutenção das eleições municipais para novembro, que aglutinarão mais de 100 milhões de brasileiros.

Causa indignação a insensibilidade do governo federal na proteção social dos brasileiros, a se aplaudir, o auxílio emergencial, entretanto, com restrições para a retirada, estimulando o uso do aplicativo e, claramente, com foco no aquecimento do consumo e da economia e não nas necessidades das pessoas, ainda a revisão, por parte da ANEEL da normativa nº 878/2020, permitindo, perante critérios, o corte de energia elétrica, que estava suspenso, a partir de 1º/08. O Supremo Tribunal Federal já formou maioria, portanto, jurisprudência em ação sobre o tema, permitindo que as Assembleias Legislativas possam definir regras com este teor. Santa Catarina, tendo a CELESC alegando prejuízos, mas recebendo milhões do governo federal para equilibrar as suas contas, anuncia que iniciará os cortes de energia a partir de 03/08, no momento que o estado está em risco gravíssimo, com aceleração de casos e mortes. Já o Ministério da Saúde (MS) tendo utilizado apenas 29% do seu orçamento para a pandemia, está revisando contratos de compra de respiradores, de outros equipamentos e insumos, diminuindo ainda mais o uso dos recursos, demonstrando claramente que não entendeu a gravidade e o seu tempo de duração.

Sinto indignação pela tentativa de se minimizar esta pandemia, pela falta de políticas públicas, pela ausência de proteção social da população, assim como me preocupa a gravidade desta doença, afinal se ela atinge com mais intensidade os idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades, ainda, segundo pesquisas recentes, por volta de 9% dos contaminados serão assintomáticos, entretanto o termo preconizado pela OMS de “recuperados” e não “curados” se justifica porque uma parcela dos acometidos, em especial os casos mais graves, podem vir a ter sequelas no cérebro, nos pulmões, no coração e nos rins, podendo ser temporárias ou definitivas, podendo acarretar futuramente o óbito.

Santa Catarina, em fase de aceleração de contágio, vendo crescer a cada dia o número de óbitos, continua a conviver com a inoperância do seu governo estadual, o mesmo que se enaltece com o distanciamento social ampliado (com lockdown em várias localidades) executado em 17/03, sem condições epidemiológicas e dados que justificassem, em um momento em que havia circulação comunitária com um pequeno número de casos na macrorregião Sul, exigindo, portanto, um distanciamento social focado naquela região. A partir deste erro crasso, a economia estadual ficou em frangalhos e os erros se somaram as suspeitas de irregularidades em compras de respiradores, abertura de um hospital de campanha que acabou por não acontecer e culminam com a aprovação, pela Assembleia Legislativa de SC, de abertura de processo de impeachment do governador.

Neste mar de desgoverno por parte do estado, uma medida tardia, mas que deve ser aplaudida é a reabertura do hospital Santa Inês de Balneário Camboriú, inicialmente com 10 leitos de UTI e 7 de enfermaria, mas tendo estrutura física para ampliar a oferta de serviços. A ideia prevê uma parceria do governo estadual com a prefeitura municipal, tendo participação da iniciativa privada, o modelo aventado é de uma Parceria Público Privada, acredito que os outros municípios da região em saúde da Foz do Rio Itajaí também sejam chamados financeiramente nesta parceria. Foi divulgado que haverá uma reforma e que esta estrutura sanitária estará ofertando serviços em até 30 dias. Eis aqui um legado para o pós pandemia nesta região que tem carências na área hospitalar.

O momento é grave e o entendimento que esta pandemia, infelizmente, se arrastará através de suas fases, surtos e novas ondas até termos uma vacina, é imprescindível, assim como trabalhar políticas regionais, tendo o foco na prevenção e na coleta de dados seguros, na ampla testagem com o teste RT-PCR e, a partir disto, se executar a busca e isolamento dos ativos é dizer não ao amadorismo, é salvar vidas, é fazer o que é certo.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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terça-feira, 28 de julho de 2020

COVID-19, CURVA DE CRESCIMENTO EM SANTA CATARINA: TESTES, IMUNIZAÇÃO DO REBANHO E VACINAS.




A COVID-19 continua a assustar e causar apreensão, globalmente já passamos dos 16,2 milhões de casos e nos aproximamos das 700 mil mortes, o Brasil, oficialmente, já passou de 2,4 milhões de casos e se aproxima das 90 mil mortes, Santa Catarina, em curva de crescimento, já passou dos 68 mil casos e dos 900 óbitos.

Importante lembrar que esta doença atinge com mais intensidade em torno de 20% da população, formada por pessoas com mais de 65 anos, doentes crônicos e portadores de comorbidades, que muitos serão contaminados e não apresentarão sintomas apesar de transmitirem a doença, que globalmente já temos quase 10 milhões de recuperados, no Brasil mais de 1,5 milhão e em Santa Catarina mais de 60 mil. A OMS preconiza a utilização do termo “recuperado” e não “curado”, visto que, pessoas que tiveram a fase mais grave da doença podem desenvolver sequelas pulmonares e cardíacas, principalmente, temporárias ou definitivas, as quais podem acarretar, futuramente, o óbito. Estamos conhecendo o SARS-COV-2 e a COVID-19, não temos vacina e nem medicações de combate comprovadamente eficazes, portanto nos sentimos indefesos e o medo nos assombra.

Sabemos que a única forma de se combater a propagação do vírus é através da ampla testagem, identificando os ativos, rastreando seus contatos e suspeitos de contaminação, rompendo a cadeia de transmissão através do distanciamento social.

O RT-PCR é o único teste preconizado pela OMS e pela ANVISA para detectar se o vírus está ativo na pessoa, em alguma fase de evolução da doença e contaminando outros, é o teste “ouro”, laboratorial e com alta eficácia, feito através da coleta de amostras respiratórias por intermédio de um cotonete especial, “swab” (preferencialmente nas narinas, atingindo a Nasofaringe), sendo o período de maior sensibilidade do teste entre o 5º e o 7º dia de sintomas, também mostra eficácia para pacientes assintomáticos, preferencialmente em período inferior a 7 dias de contato. Temos os testes sorológicos, feitos à partir de coleta de sangue, os quais identificam a resposta imunológica do organismo ao vírus, à partir da detecção de anticorpos IgA, IgM e IgG. A indicação de IgM ou IgA reagente significa que a doença está em sua fase inicial, já o IgG reagente é indicativo de que já ocorreu algum tempo desde a infecção e, provavelmente, já foi desenvolvida imunidade à doença. Os testes rápidos são os de menor eficácia (máximo de 30%), quando executados à partir do 8º dia de sintomas, não sendo preconizados pela OMS e pela ANVISA para o diagnóstico de COVID-19, reitero que o único teste preconizado é o RT-PCR. O teste sorológico rápido tem utilidade para mapeamento do volume de infectados em determinados bairros, monitorar os profissionais da saúde e prover dados auxiliares, mas não serve de base para a elaboração de políticas. O teste sorológico laboratorial mais utilizado é o Elisa, bastante eficaz e que será muito útil na fase de imunização.

É importante ressaltar que estamos com 6 meses da pandemia no Brasil, podemos ter entre 1 a 2 anos ainda para exaurir todas as suas fases, a mais agressiva é a de aceleração de contágio (4 a 7 semanas), depois platô ou pico (período indefinido, podendo apresentar alto número de contágio e de óbitos), posteriormente vindo a de desaceleração e de imunização, com risco de outros surtos e ondas. Saliento que não sabemos o tempo de imunização, a gripe (vírus Influenza), tem vacina e a imunização é anual. Estudos recentes avaliam entre 3 a 6 meses de imunização contra o vírus, isto repercutirá na necessidade de uma vacina, talvez com 2 doses.

A imunidade de rebanho ocorre quando uma grande parcela da população foi infectada naturalmente e desenvolveu defesa contra o vírus, estima-se entre 60 a 70%. O Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas desenvolve pesquisa que é referência, testando quase 100 mil pessoas em 133 cidades de vários estados, indicando uma subnotificação atual de 6 vezes o número de casos oficiais, em torno de 12 milhões de pessoas contaminadas (7% da população). Estudo da Universidade de Estocolmo avalia que a imunidade de rebanho para a COVID-19 seria alcançada com a contaminação de 43% da população e cientistas chineses indicam que esta imunização duraria de 3 a 6 meses. Portanto, pouco ou quase nada sabemos e ter como política a imunidade do rebanho me soa como um genocídio.

Esperança para retomarmos nossas vidas, neste momento há 250 vacinas em desenvolvimento, 3 sendo testadas em humanos no Brasil: a vacina da Universidade de Oxford com a farmacêutica Astra Zeneca em parceria com a Fio Cruz, com transferência de tecnologia; a chinesa Sinovac em parceria com o governo do estado de São Paulo e o Instituto Butantã, com transferência de tecnologia; e a da farmacêutica Pfizer com a BioNTech. Espera-se uma vacina para o primeiro semestre de 2021.

O Brasil se apresenta na fase de platô ou pico na maior parte dos seus estados, momento de controlar a COVID-19, segundo a OMS, contudo o Ministério da Saúde se apequenou e deixou de existir como referência técnica e de gestão. Santa Catarina, em curva de crescimento, com distanciamento social amplo executado em 17/03, de maneira equivocada, continua um desgoverno em nível estadual.

A região da Foz do Rio Itajaí, formada por 11 municípios conurbados e com alto volume de idosos, vê o seu sistema de saúde a beira de colapsar. É momento de enxergar a floresta que explicita a gestão, de manter o alerta na área hospitalar, sem contudo balizar as ações pela parte curativa, não despender tempo e recursos com ações milagrosas, enxergar que os protocolos medicamentosos são perigosos e se utilizados, devem sê-lo com critérios e como apoio. A sabedoria impõe uma ação regionalizada, com base na ampla testagem com o RT-PCR ou aguardar por um inevitável lockdown.

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terça-feira, 21 de julho de 2020

COVID-19, SANTA CATARINA EM ALERTA: USO PRECOCE DE MEDICAÇÕES, DISTANCIAMENTO SOCIAL E O QUE PRECISA SER FEITO.

A fase de crescimento de contágio da COVID-19 chegou, Santa Catarina está em alerta máximo, nesta dura realidade, muitas perguntas me são feitas sobre a eficácia e os perigos do uso precoce de medicações sem comprovação científica, a importância do distanciamento social e o que precisa ser feito. Vou procurar respondê-las.

O mundo vive fases distintas desta pandemia, a Europa na fase de imunização, com o relaxamento do distanciamento social e vivendo o período do “novo normal”, controlado por uma ampla testagem com o RT-PCR e o sorológico laboratorial (Elysa) para evitar novos surtos e ondas. Os EUA que relaxou o distanciamento social precocemente em diversas localidades, vive novos surtos da doença em vários estados e aventa novas medidas restritivas. Globalmente, já passamos dos 14,5 milhões de casos e das 600 mil mortes. O Brasil, campeão em pouco testar e em utilizar testes de baixa eficácia, já passou, oficialmente, de 2 milhões de casos e se aproxima dos 80 mil óbitos. Santa Catarina, estado de um tiro único de gestão nesta pandemia, o distanciamento social ampliado com lockdown em muitos municípios, campeão brasileiro em pouco testar e em ausência de governança estadual, já passou, oficialmente, dos 50 mil casos e das 600 mortes.

Quanto às medicações sem comprovação científica para uso profilático ou nas fases iniciais, o Ministério da Saúde (MS) estimulou estados e municípios através de orientações para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com COVID-19 em 20/05 e posteriormente em 18/06, focando a Cloroquina ou Hidroxicloroquina associada ou não a Azitromicina e ao Zinco. O Conselho Federal de Medicina (Parecer nº 4/2020) estabeleceu critérios e condições para a prescrição da Cloroquina e Hidroxicloroquina, e o Conselho Regional de Medicina - SC (Nota Técnica de 29/06) estimulou gestores e médicos ao acesso precoce de determinadas medicações à população.

O Instituto de Ciências Biomédicas da USP analisa 65 medicamentos, perante a lógica que redirecionar o uso de uma droga existente ser mais simples que desenvolver uma nova, esta pesquisa reprovou os vermífugos (Ivermectina). A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, espécie de ANVISA, extremamente abalizada, cancelou a autorização para uso da Cloroquina e Hidroxicloroquina (20/06), já a OMS referendou estudo da Universidade de Oxford para uso da Dexametasona (corticoide) na fase mais grave. O uso de medicações sem comprovação para o combate à COVID-19 causa controvérsia no meio científico, sendo mais aceita em casos graves, contudo, perante o caos que se tornou a gestão desta pandemia, o meio médico, pressionado e vendo o sistema de saúde colapsar, busca soluções, mas sua indicação não pode ser generalizada, deve ser precedida de anamnese, exames clínicos e complementares, seu uso monitorado por médico com exames complementares regulares, sob pena de causar um maleficio ainda maior.

A OMS se pronunciou sobre o Brasil (17/07), relatando que a maior parte do país se encontra na fase de pico ou platô, com números altos de contágio e de óbitos, sendo este o momento de assumir o controle da guerra, direcionando os recursos públicos para políticas de enfrentamento efetivamente eficazes para evitar mais mortes e o caos.

O distanciamento social é a única ferramenta comprovadamente eficaz para se romper a cadeia de transmissão do vírus, entretanto precisa ser utilizada com embasamento científico visto os graves problemas econômicos e psicológicos que pode acarretar se utilizada em tempo e dose inadvertidos, principalmente em um país, como o nosso, com tantos problemas conjunturais, com relevo para a desigualdade social.

O governo de Santa Catarina, exemplo do que não deve ser feito, com distanciamento social executado precocemente (17/03), amplo, sem embasamento epidemiológico e com dados empíricos, a pretexto de preparar o sistema de saúde, coisa que não o fez, publica dados contraditórios e manipulados, misturando UTIs COVID/não-COVID, adulto, pediátrico, neonatal, inclusive SUS e Suplementar, mentira que está sendo desnudada. Não investiu na indústria catarinense, tão abalada pela crise, para prover insumos e equipamentos hospitalares, não investiu em uma política de ampla testagem com o RT-PCR (teste ouro) e não utilizou a logística das associações de municípios, dotadas de consórcios municipais de saúde, capilarizadas por todo o estado, para prover políticas regionais.

O momento exige uma política focada na ampla testagem com o RT-PCR (laboratorial) para identificar os contaminados ativos e, à partir disto, romper a cadeia de transmissão com o distanciamento social seletivo, conjuntamente com medidas emergenciais para evitar a aglomeração de pessoas, a conscientização para o uso da máscara e atitudes de higiene. O teste sorológico Elysa deveria começar a ser utilizado para identificar o nível de imunização da população e os testes rápidos (baixa eficácia) utilizados entre o 7º e 8º dia de sintomas apenas para monitorar profissionais da saúde e auxiliar em dados. Os protocolos medicamentosos de combate, se utilizados com critérios, serviriam de apoio, mas não são a solução e podem gerar uma falsa segurança. Se isto não for feito, o sistema de saúde irá colapsar, muitas mortes ocorrerão e, temo, que um novo distanciamento social ampliado terá de ser implementado.

A região em saúde da Foz do Rio Itajaí, com mais de 715 mil habitantes, cidades conurbadas e grande volume de idosos, está em alerta máximo. A Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), oferta projetos de infraestrutura urbana, tendo engenheiros e profissionais qualificados, além de buscar recursos para a região, entretanto, não dispõe de técnicos na área da saúde para tocar políticas regionais, o consórcio e apoiar os municípios. Seu consórcio de saúde é relativizado para a compra de exames e consultas, tendo credenciado laboratório para a compra do RT-PCR. A partir da AMFRI, utilizando este consórcio e com respaldo da Comissão Intergestores Regional, uma política regionalizada tendo por base a ampla testagem com o RT-PCR, precisa imediatamente ser implementada.

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Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...