Esta pandemia desperta sentimentos contraditórios, alguns a relativizam perante suas crenças ideológicas ou interesses menores, a maior parcela das pessoas se assusta com novas informações diárias e se veem impactadas pelo desgoverno que tomou conta de nosso país somada a “pirotecnia” de muitos governantes que preferem a descoberta unilateral de soluções mágicas para tirar proveito político, do que o entendimento que pessoas estão sofrendo, morrendo, e que apenas a ciência, políticas calcadas nela e com foco nas ações loco-regionais, poderá minimizar as perdas, com relevo as humanas.
Mundialmente temos quase 18 milhões de casos, quase 700 mil mortes e de positivo, mais de 10 milhões de recuperados. No Brasil, oficialmente, passamos de 2,7 milhões de casos, das 90 mil mortes e mais de 1,8 milhão de recuperados. Santa Catarina confirma mais de 87 mil casos, mais de mil óbitos e aplaude os mais de 70 mil recuperados.
Tenho dito, e repito, uma pandemia não é uma corrida de 100m e sim uma maratona, com várias fases, tendo a de aceleração de contágio como a mais agressiva, mas sem uma política adequada, que seja baseada em uma ampla testagem com o teste RT-PCR, a partir disto a identificação dos ativos e a interrupção na cadeia de transmissão através de medidas de distanciamento social, utilizando o amplo ou até o lockdown apenas em situação crítica que beire o colapso do sistema de saúde, visto os prejuízos de ordem econômica e psicológica que esta ação pode causar, sem este entendimento, é trabalhar com o caos instaurado. Enquanto não houver vacina, esperada para o primeiro semestre de 2021, estaremos reféns de cuidados pessoais de higiene, uso de máscara e distanciamento social, além de dependentes de políticas públicas efetivamente eficazes.
Não por outro motivo, estamos vendo a suspensão do réveillon em grandes cidades, carnaval, Oktoberfest, entre outras festas de massa, um contrassenso é a manutenção das eleições municipais para novembro, que aglutinarão mais de 100 milhões de brasileiros.
Causa indignação a insensibilidade do governo federal na proteção social dos brasileiros, a se aplaudir, o auxílio emergencial, entretanto, com restrições para a retirada, estimulando o uso do aplicativo e, claramente, com foco no aquecimento do consumo e da economia e não nas necessidades das pessoas, ainda a revisão, por parte da ANEEL da normativa nº 878/2020, permitindo, perante critérios, o corte de energia elétrica, que estava suspenso, a partir de 1º/08. O Supremo Tribunal Federal já formou maioria, portanto, jurisprudência em ação sobre o tema, permitindo que as Assembleias Legislativas possam definir regras com este teor. Santa Catarina, tendo a CELESC alegando prejuízos, mas recebendo milhões do governo federal para equilibrar as suas contas, anuncia que iniciará os cortes de energia a partir de 03/08, no momento que o estado está em risco gravíssimo, com aceleração de casos e mortes. Já o Ministério da Saúde (MS) tendo utilizado apenas 29% do seu orçamento para a pandemia, está revisando contratos de compra de respiradores, de outros equipamentos e insumos, diminuindo ainda mais o uso dos recursos, demonstrando claramente que não entendeu a gravidade e o seu tempo de duração.
Sinto indignação pela tentativa de se minimizar esta pandemia, pela falta de políticas públicas, pela ausência de proteção social da população, assim como me preocupa a gravidade desta doença, afinal se ela atinge com mais intensidade os idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades, ainda, segundo pesquisas recentes, por volta de 9% dos contaminados serão assintomáticos, entretanto o termo preconizado pela OMS de “recuperados” e não “curados” se justifica porque uma parcela dos acometidos, em especial os casos mais graves, podem vir a ter sequelas no cérebro, nos pulmões, no coração e nos rins, podendo ser temporárias ou definitivas, podendo acarretar futuramente o óbito.
Santa Catarina, em fase de aceleração de contágio, vendo crescer a cada dia o número de óbitos, continua a conviver com a inoperância do seu governo estadual, o mesmo que se enaltece com o distanciamento social ampliado (com lockdown em várias localidades) executado em 17/03, sem condições epidemiológicas e dados que justificassem, em um momento em que havia circulação comunitária com um pequeno número de casos na macrorregião Sul, exigindo, portanto, um distanciamento social focado naquela região. A partir deste erro crasso, a economia estadual ficou em frangalhos e os erros se somaram as suspeitas de irregularidades em compras de respiradores, abertura de um hospital de campanha que acabou por não acontecer e culminam com a aprovação, pela Assembleia Legislativa de SC, de abertura de processo de impeachment do governador.
Neste mar de desgoverno por parte do estado, uma medida tardia, mas que deve ser aplaudida é a reabertura do hospital Santa Inês de Balneário Camboriú, inicialmente com 10 leitos de UTI e 7 de enfermaria, mas tendo estrutura física para ampliar a oferta de serviços. A ideia prevê uma parceria do governo estadual com a prefeitura municipal, tendo participação da iniciativa privada, o modelo aventado é de uma Parceria Público Privada, acredito que os outros municípios da região em saúde da Foz do Rio Itajaí também sejam chamados financeiramente nesta parceria. Foi divulgado que haverá uma reforma e que esta estrutura sanitária estará ofertando serviços em até 30 dias. Eis aqui um legado para o pós pandemia nesta região que tem carências na área hospitalar.
O momento é grave e o entendimento que esta pandemia, infelizmente, se arrastará através de suas fases, surtos e novas ondas até termos uma vacina, é imprescindível, assim como trabalhar políticas regionais, tendo o foco na prevenção e na coleta de dados seguros, na ampla testagem com o teste RT-PCR e, a partir disto, se executar a busca e isolamento dos ativos é dizer não ao amadorismo, é salvar vidas, é fazer o que é certo.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!
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