terça-feira, 21 de julho de 2020

COVID-19, SANTA CATARINA EM ALERTA: USO PRECOCE DE MEDICAÇÕES, DISTANCIAMENTO SOCIAL E O QUE PRECISA SER FEITO.

A fase de crescimento de contágio da COVID-19 chegou, Santa Catarina está em alerta máximo, nesta dura realidade, muitas perguntas me são feitas sobre a eficácia e os perigos do uso precoce de medicações sem comprovação científica, a importância do distanciamento social e o que precisa ser feito. Vou procurar respondê-las.

O mundo vive fases distintas desta pandemia, a Europa na fase de imunização, com o relaxamento do distanciamento social e vivendo o período do “novo normal”, controlado por uma ampla testagem com o RT-PCR e o sorológico laboratorial (Elysa) para evitar novos surtos e ondas. Os EUA que relaxou o distanciamento social precocemente em diversas localidades, vive novos surtos da doença em vários estados e aventa novas medidas restritivas. Globalmente, já passamos dos 14,5 milhões de casos e das 600 mil mortes. O Brasil, campeão em pouco testar e em utilizar testes de baixa eficácia, já passou, oficialmente, de 2 milhões de casos e se aproxima dos 80 mil óbitos. Santa Catarina, estado de um tiro único de gestão nesta pandemia, o distanciamento social ampliado com lockdown em muitos municípios, campeão brasileiro em pouco testar e em ausência de governança estadual, já passou, oficialmente, dos 50 mil casos e das 600 mortes.

Quanto às medicações sem comprovação científica para uso profilático ou nas fases iniciais, o Ministério da Saúde (MS) estimulou estados e municípios através de orientações para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com COVID-19 em 20/05 e posteriormente em 18/06, focando a Cloroquina ou Hidroxicloroquina associada ou não a Azitromicina e ao Zinco. O Conselho Federal de Medicina (Parecer nº 4/2020) estabeleceu critérios e condições para a prescrição da Cloroquina e Hidroxicloroquina, e o Conselho Regional de Medicina - SC (Nota Técnica de 29/06) estimulou gestores e médicos ao acesso precoce de determinadas medicações à população.

O Instituto de Ciências Biomédicas da USP analisa 65 medicamentos, perante a lógica que redirecionar o uso de uma droga existente ser mais simples que desenvolver uma nova, esta pesquisa reprovou os vermífugos (Ivermectina). A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, espécie de ANVISA, extremamente abalizada, cancelou a autorização para uso da Cloroquina e Hidroxicloroquina (20/06), já a OMS referendou estudo da Universidade de Oxford para uso da Dexametasona (corticoide) na fase mais grave. O uso de medicações sem comprovação para o combate à COVID-19 causa controvérsia no meio científico, sendo mais aceita em casos graves, contudo, perante o caos que se tornou a gestão desta pandemia, o meio médico, pressionado e vendo o sistema de saúde colapsar, busca soluções, mas sua indicação não pode ser generalizada, deve ser precedida de anamnese, exames clínicos e complementares, seu uso monitorado por médico com exames complementares regulares, sob pena de causar um maleficio ainda maior.

A OMS se pronunciou sobre o Brasil (17/07), relatando que a maior parte do país se encontra na fase de pico ou platô, com números altos de contágio e de óbitos, sendo este o momento de assumir o controle da guerra, direcionando os recursos públicos para políticas de enfrentamento efetivamente eficazes para evitar mais mortes e o caos.

O distanciamento social é a única ferramenta comprovadamente eficaz para se romper a cadeia de transmissão do vírus, entretanto precisa ser utilizada com embasamento científico visto os graves problemas econômicos e psicológicos que pode acarretar se utilizada em tempo e dose inadvertidos, principalmente em um país, como o nosso, com tantos problemas conjunturais, com relevo para a desigualdade social.

O governo de Santa Catarina, exemplo do que não deve ser feito, com distanciamento social executado precocemente (17/03), amplo, sem embasamento epidemiológico e com dados empíricos, a pretexto de preparar o sistema de saúde, coisa que não o fez, publica dados contraditórios e manipulados, misturando UTIs COVID/não-COVID, adulto, pediátrico, neonatal, inclusive SUS e Suplementar, mentira que está sendo desnudada. Não investiu na indústria catarinense, tão abalada pela crise, para prover insumos e equipamentos hospitalares, não investiu em uma política de ampla testagem com o RT-PCR (teste ouro) e não utilizou a logística das associações de municípios, dotadas de consórcios municipais de saúde, capilarizadas por todo o estado, para prover políticas regionais.

O momento exige uma política focada na ampla testagem com o RT-PCR (laboratorial) para identificar os contaminados ativos e, à partir disto, romper a cadeia de transmissão com o distanciamento social seletivo, conjuntamente com medidas emergenciais para evitar a aglomeração de pessoas, a conscientização para o uso da máscara e atitudes de higiene. O teste sorológico Elysa deveria começar a ser utilizado para identificar o nível de imunização da população e os testes rápidos (baixa eficácia) utilizados entre o 7º e 8º dia de sintomas apenas para monitorar profissionais da saúde e auxiliar em dados. Os protocolos medicamentosos de combate, se utilizados com critérios, serviriam de apoio, mas não são a solução e podem gerar uma falsa segurança. Se isto não for feito, o sistema de saúde irá colapsar, muitas mortes ocorrerão e, temo, que um novo distanciamento social ampliado terá de ser implementado.

A região em saúde da Foz do Rio Itajaí, com mais de 715 mil habitantes, cidades conurbadas e grande volume de idosos, está em alerta máximo. A Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), oferta projetos de infraestrutura urbana, tendo engenheiros e profissionais qualificados, além de buscar recursos para a região, entretanto, não dispõe de técnicos na área da saúde para tocar políticas regionais, o consórcio e apoiar os municípios. Seu consórcio de saúde é relativizado para a compra de exames e consultas, tendo credenciado laboratório para a compra do RT-PCR. A partir da AMFRI, utilizando este consórcio e com respaldo da Comissão Intergestores Regional, uma política regionalizada tendo por base a ampla testagem com o RT-PCR, precisa imediatamente ser implementada.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!

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