terça-feira, 16 de junho de 2020

O BRASIL PÓS PANDEMIA: VIVENDO O CORONAVÍRUS E SE PREPARANDO PARA O NOVO NORMAL.




O SARS-COV-2 e a COVID-19 não são indícios do apocalipse, de certo sabemos que pode atingir intensamente 20% da população (idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades), tem baixa letalidade, não há vacina, é de altíssimo contágio e a cada dia um pouco mais é desvendado, isto assusta. De concreto, a transformação que o mundo está sofrendo, de costumes, de relações de trabalho e ainda desnudando as fragilidades do ser humano, dos governos e dos sistemas de saúde.

Temos mais de 7,5 milhões de casos no mundo, com mais de 420 mil óbitos, no Brasil são mais de 860 mil e mais de 43 mil óbitos, claro que a subnotificação de casos e em menor proporção de óbitos ocorre mundo afora e aqui de maneira exponencial.

Conjuntamente a esta situação muito complexa, vimos o mundo se transformar num palco de radicalismo com manifestações de desrespeito aos direitos civis e humanos, a diversidade de ideias e de opiniões. Em nosso país também vemos este estado de coisas, esta semana a temperatura dos embates abrandou, mas existe uma catarse de problemas conjunturais, de pensamentos radicais e discriminatórios que estavam ocultos, que vão desde a desestruturação dos nossos hospitais, do mau uso do dinheiro público, a desigualdade social que nos afronta assim como o radicalismo de ideias e atitudes que não respeitam a nada nem a ninguém, esta “geleia real” do pior que há em nosso país, está na ordem do dia e precisa ser definitivamente equacionada.

O trinômio testar, para então planejar e executar, não existe em nosso país, estão buscando dirimir esta questão com testes rápidos (baixíssima eficácia) em detrimento do RT-PCR (alta eficácia) e do sorológico, este a ser utilizado pós pico da pandemia, para identificar o nível de imunização da população. Sem isto, o distanciamento social é utilizado perante critérios duvidosos em tempo e dose que tem logicamente alguma eficácia, entretanto estamos longe de saber qual é, contudo os malefícios de ordem psicológica e econômica causados são nefastos. Mas olhe bem, o distanciamento social, o uso da máscara e atitudes de higiene pessoal são imprescindíveis.

Na falta destas atitudes, de um diálogo informativo com a população, num processo de desmonte técnico e com ministro interino que não é da área, o Ministério da Saúde (MS) ainda tentou restringir o acesso aos dados nacionais desta pandemia, o que foi impedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de se lamentar, assim como é lamentável que tantos escândalos de compras de equipamentos, insumos e outros gêneros hospitalares, necessários nesta emergência, tenham ocorrido antes que o governo federal e os estados descobrissem que a indústria nacional poderia fornecer estes produtos, amenizando a crise em que vive, entretanto ainda não existe uma política nacional para que isto ocorra.

O Brasil vive o pico da pandemia em algumas regiões, para se identificar isto, a epidemiologia se baseia em 3 indicadores: na evolução de números de casos e mortes por dia, dados estes prejudicados pela ampla subnotificação; na taxa de reprodução do vírus (RT), que indica o quanto a doença está acelerando ou desacelerando através da média que um contaminado pode infectar outras pessoas, quando este número está caindo e se aproxima de 1, o pico está chegando, abaixo de 1, começa a entrar em fase de desaceleração e os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, os quais são de notificação compulsória, SUS e Suplementar, na plataforma Infogripe (Fio Cruz).

O governo de Santa Catarina, que continua tendo como bandeira o distanciamento social executado em tempo e dose, a meu ver, absolutamente duvidosos, não creio que adotará uma política de ampla testagem e os dados que informa são desencontrados, arregimentados conforme a necessidade, cito o número de UTIs, onde conjuga SUS e Suplementar, mexendo conforme a conveniência. A região do Grande Oeste, populosa, com sistemas de saúde frágeis e IDH baixo (em média), está bastante afetada, assim como a região da Foz do Rio Itajaí, beirando o limite de ocupação dos leitos de UTI, igualmente populosa, com cidades conurbadas e um grande volume de idosos. Segundo o Infogripe, em maio houve um aumento de 700% nas notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave. O governador, que compareceu a poucos dias em festa junina bem frequentada, parece acreditar que o pior já foi, quem sou eu para contestar, mas a responsabilidade nos impõe ficar atentos.

O momento é de tomarmos os cuidados necessários contra esta doença, a qual se não nos afetar, pode atingir nossos entes queridos, entretanto, precisamos estar alertas, tanto ao que desencadeou esta pandemia e pode provocar algo pior ainda, como as fragilidades conjunturais que temos, as quais são muito mais letais que a doença, assim como é momento propício para compreendermos as transformações que estão ocorrendo, no mundo e no nosso país, com a visão dura e precisa do que deve ser melhorado, mas também com um entendimento criativo e entusiasta do senso de oportunidades que um país em transformação pode nos oferecer.

O “novo normal” já se iniciou e se consolidará com segurança à partir do mês de agosto, as atividades presenciais pós pandemia terão o viés do distanciamento social e de medidas de higiene, o trabalho remoto e o mundo virtual serão definitivamente incorporados em nosso cotidiano e ampliados de maneira exponencial nas relações de trabalho, quem já entendeu isso, iniciou um projeto de estudo, de planejamento ou já está em execução, está atinado com os fatos e no caminho do sucesso.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

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domingo, 14 de junho de 2020

O CORONAVÍRUS E O BRASIL PÓS PANDEMIA: DA ESCURIDÃO AO NOVO NORMAL.

Refletindo sobre este momento de pandemia, cansativo e desgastante para todos, análise da real situação de Santa Catarina e como se preparar para o novo normal. 



Entrevista para o Jornal da Cidade 1ª edição desta quinta-feira (11/06) na Rádio Cidade FM (104,1) de Itapema - SC. 



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quarta-feira, 10 de junho de 2020

MEDICINA POPULAR, UM NOVO OÁSIS DE SUCESSO?









A Medicina Popular tem crescido de maneira impressionante no país, os Cartões de Descontos, os Cartões Pré-Pagos, os aplicativos de Home Care e as Clínicas Médicas Populares de uma nova geração, que prima pela cuidadosa elaboração dos processos, desde a sua construção até o modelo de assistência, são novos nichos de sucesso.

Na crise, crie!

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terça-feira, 9 de junho de 2020

O CORONAVÍRUS E O BRASIL PÓS PANDEMIA: DA ESCURIDÃO AO NOVO NORMAL.




Todos estamos sendo impactados diariamente por novas informações ruins desta pandemia, estamos chegando aos 7 milhões de casos no mundo, no Brasil são mais de 600 mil, com mais 35 mil óbitos, mas claro, é imensa a subnotificação de casos e em menor proporção de óbitos. Estamos virando “experts” em termos médicos, em distanciamento social e em tudo que diz respeito ao SARS-COV-2 e a COVID-19.

Paralelamente a isso, o mundo e nosso país está imerso em discussões político-ideológicas, direita e esquerda, discriminação racial, o radicalismo parece ditar os rumos e o bom senso, assim como o respeito às opiniões, a diversidade de ideias, ao contraditório e ao valor humano parecem em desuso. Não sou historiador e nem sociólogo, mas os fatos presentes nos reportam aos tempos da guerra fria e a discussões sessentistas, que exalam naftalina, que a muito deveriam ter sido superadas.

Conquanto vemos o desrespeito às instituições e aos valores humanos nos afrontarem diariamente, esta pandemia evolui implacavelmente e nos agride no que temos de mais valioso, o convívio com as pessoas e com nossos entes queridos, o nosso trabalho sofrendo com as sequelas econômicas juntamente com as transformações que ocorrerão e com a insegurança que esta doença, ainda desconhecida, nos impõe.

De tudo o que estamos aprendendo, algo importante se confirmou, a COVID-19 está atingindo de maneira mais intensa em torno de 20% da população, formada por idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades (mais de uma doença pré-existente), entretanto, a sua velocidade de contágio é muito maior que imaginávamos e nossos problemas conjunturais são muito mais letais que a doença, senão vejamos, apesar de termos um sistema de saúde público universal (SUS), nossos hospitais são mal preparados e mal distribuídos, temos uma desigualdade social aviltante e a corrupção no serviço público parece não nos abandonar nem nessa hora de dor.

Sabemos o que precisa ser feito: ampla testagem, a partir disso, um planejamento que tenha como principal ferramenta o distanciamento social; incentivar a indústria nacional, com foco no fornecimento de equipamentos e insumos hospitalares; deixar a ciência e o Ministério da Saúde (MS) no comando da situação; entender o difícil momento em que vivemos. Por que não é feito? Sinceramente, a COVID-19 é o menor dos nossos males.

Estou falando do Brasil, mas ao falar de Santa Catarina, veremos quadro diferente? O governo estadual teve um acerto até aqui, que foi o distanciamento social (17/03), quase totalmente revogado e também foi seu maior erro, feito com base no medo e não em dados científicos, sem fazer uma ampla testagem, e até agora não faz, só se o governador tivesse uma “bola de cristal” para planejar e executar isto com eficácia, medida certa em tempo e dose inadequados. Erro imenso, a economia paga o preço disso, também não preparou o sistema de saúde como deveria, a Operação Oxigênio evolui e neste momento prendeu o ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, assim como evolui uma CPI na ALESC por suposto superfaturamento na aquisição de respiradores, valor pago e produto não recebido, ainda observa os trâmites do “finado” hospital de campanha de Itajaí, sinceramente, já parei a muito tempo de dar valor aos dados superficiais e circunstanciais que o estado divulga. Visto que resido em SC, isto me impõe um malabarismo imenso na busca de informações de várias fontes para prover com responsabilidade as minhas observações, lembrando que no mês de junho deve incidir a curva de crescimento aqui.

Não acredito que este estado de coisas vá se alterar, o MS, com ministro interino e com reposição duvidosa de seus quadros técnicos, já praticamente não faz mais coletivas e agora sonega informações, o volume de testes que era no início de maio de 2,1mil/milhão aumentou para 4,4mil/milhão, pouquíssimo se comparado ao EUA (40 mil/milhão) e países da Europa (60 mil/milhão), que ainda estão aumentando o seu volume, com o relevo de ter aumentado com testes rápidos (baixíssima eficácia), portanto, sem testes e vontade política, não existe planejamento. Os estados, com relevo para SC, com algumas poucas exceções, seguem esta toada, deixando os municípios à própria sorte de seus esforços.

Acredito que em agosto já teremos superado a fase de crescimento da doença, por sermos um país continental, haverá diferenças de tempo entre as regiões, claro que uma pandemia tem várias fases e poderemos ter outras ondas de crescimento, como aconteceu com a gripe espanhola que apresentou 4 ondas, portanto não estaremos voltando a nossa normalidade e sim adentrando a um novo normal, o qual impõe responsabilidades sanitárias, o uso constante da máscara e o distanciamento social responsável.

Esta pandemia, tudo quanto ela nos impôs e principalmente o quanto o ser humano foi desnudado perante o que é e o que faz, identificando fatores que podem desencadear outras pandemias ainda mais letais, quais sejam: a desigualdade social, os interesses menores prevalecendo, a superpopulação do planeta e esta mal protegida, a corrupção, o extremismo político tanto de esquerda quanto de direita juntamente com discussões que estavam escondidas em camadas até então desconhecidas da nossa sociedade.

O momento nos impõe entender que o mundo está em transformação, está ocorrendo uma catarse de tudo o que há de pior em todos nós, mas também a solidariedade e o valor humano estão mostrando as caras, as transformações nas relações de trabalho serão intensas e a crise econômica também, mas o momento é de nos repensarmos, de nos prepararmos como seres humanos e como profissionais para o que há de vir.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

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