Todos estamos sendo impactados diariamente por novas informações ruins desta pandemia, estamos chegando aos 7 milhões de casos no mundo, no Brasil são mais de 600 mil, com mais 35 mil óbitos, mas claro, é imensa a subnotificação de casos e em menor proporção de óbitos. Estamos virando “experts” em termos médicos, em distanciamento social e em tudo que diz respeito ao SARS-COV-2 e a COVID-19.
Paralelamente a isso, o mundo e nosso país está imerso em discussões político-ideológicas, direita e esquerda, discriminação racial, o radicalismo parece ditar os rumos e o bom senso, assim como o respeito às opiniões, a diversidade de ideias, ao contraditório e ao valor humano parecem em desuso. Não sou historiador e nem sociólogo, mas os fatos presentes nos reportam aos tempos da guerra fria e a discussões sessentistas, que exalam naftalina, que a muito deveriam ter sido superadas.
Conquanto vemos o desrespeito às instituições e aos valores humanos nos afrontarem diariamente, esta pandemia evolui implacavelmente e nos agride no que temos de mais valioso, o convívio com as pessoas e com nossos entes queridos, o nosso trabalho sofrendo com as sequelas econômicas juntamente com as transformações que ocorrerão e com a insegurança que esta doença, ainda desconhecida, nos impõe.
De tudo o que estamos aprendendo, algo importante se confirmou, a COVID-19 está atingindo de maneira mais intensa em torno de 20% da população, formada por idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades (mais de uma doença pré-existente), entretanto, a sua velocidade de contágio é muito maior que imaginávamos e nossos problemas conjunturais são muito mais letais que a doença, senão vejamos, apesar de termos um sistema de saúde público universal (SUS), nossos hospitais são mal preparados e mal distribuídos, temos uma desigualdade social aviltante e a corrupção no serviço público parece não nos abandonar nem nessa hora de dor.
Sabemos o que precisa ser feito: ampla testagem, a partir disso, um planejamento que tenha como principal ferramenta o distanciamento social; incentivar a indústria nacional, com foco no fornecimento de equipamentos e insumos hospitalares; deixar a ciência e o Ministério da Saúde (MS) no comando da situação; entender o difícil momento em que vivemos. Por que não é feito? Sinceramente, a COVID-19 é o menor dos nossos males.
Estou falando do Brasil, mas ao falar de Santa Catarina, veremos quadro diferente? O governo estadual teve um acerto até aqui, que foi o distanciamento social (17/03), quase totalmente revogado e também foi seu maior erro, feito com base no medo e não em dados científicos, sem fazer uma ampla testagem, e até agora não faz, só se o governador tivesse uma “bola de cristal” para planejar e executar isto com eficácia, medida certa em tempo e dose inadequados. Erro imenso, a economia paga o preço disso, também não preparou o sistema de saúde como deveria, a Operação Oxigênio evolui e neste momento prendeu o ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba, assim como evolui uma CPI na ALESC por suposto superfaturamento na aquisição de respiradores, valor pago e produto não recebido, ainda observa os trâmites do “finado” hospital de campanha de Itajaí, sinceramente, já parei a muito tempo de dar valor aos dados superficiais e circunstanciais que o estado divulga. Visto que resido em SC, isto me impõe um malabarismo imenso na busca de informações de várias fontes para prover com responsabilidade as minhas observações, lembrando que no mês de junho deve incidir a curva de crescimento aqui.
Não acredito que este estado de coisas vá se alterar, o MS, com ministro interino e com reposição duvidosa de seus quadros técnicos, já praticamente não faz mais coletivas e agora sonega informações, o volume de testes que era no início de maio de 2,1mil/milhão aumentou para 4,4mil/milhão, pouquíssimo se comparado ao EUA (40 mil/milhão) e países da Europa (60 mil/milhão), que ainda estão aumentando o seu volume, com o relevo de ter aumentado com testes rápidos (baixíssima eficácia), portanto, sem testes e vontade política, não existe planejamento. Os estados, com relevo para SC, com algumas poucas exceções, seguem esta toada, deixando os municípios à própria sorte de seus esforços.
Acredito que em agosto já teremos superado a fase de crescimento da doença, por sermos um país continental, haverá diferenças de tempo entre as regiões, claro que uma pandemia tem várias fases e poderemos ter outras ondas de crescimento, como aconteceu com a gripe espanhola que apresentou 4 ondas, portanto não estaremos voltando a nossa normalidade e sim adentrando a um novo normal, o qual impõe responsabilidades sanitárias, o uso constante da máscara e o distanciamento social responsável.
Esta pandemia, tudo quanto ela nos impôs e principalmente o quanto o ser humano foi desnudado perante o que é e o que faz, identificando fatores que podem desencadear outras pandemias ainda mais letais, quais sejam: a desigualdade social, os interesses menores prevalecendo, a superpopulação do planeta e esta mal protegida, a corrupção, o extremismo político tanto de esquerda quanto de direita juntamente com discussões que estavam escondidas em camadas até então desconhecidas da nossa sociedade.
O momento nos impõe entender que o mundo está em transformação, está ocorrendo uma catarse de tudo o que há de pior em todos nós, mas também a solidariedade e o valor humano estão mostrando as caras, as transformações nas relações de trabalho serão intensas e a crise econômica também, mas o momento é de nos repensarmos, de nos prepararmos como seres humanos e como profissionais para o que há de vir.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!
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