terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

DORMIR BEM PREVINE DOENÇAS E GARANTE A QUALIDADE DE VIDA

 



 

O sono é considerado uma atividade fisiológica, sendo responsável por restaurar nossas energias, atuando no metabolismo, revigorando o corpo e a mente, prevenindo doenças crônicas, corrigindo disfunções celulares e atuando para fortalecer nosso sistema imunológico, se conotando pela suspensão temporária da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária, que mantém o corpo e a mente em um repouso normal e periódico.

Um estado de sono restrito crônico pode desencadear, por exemplo: fadiga, sonolência, diminuição da imunidade, redução dos reflexos, envelhecimento precoce, dificuldade de concentração, problemas de memória, irritabilidade e ganho de peso. Pode ainda criar um quadro favorável para o desenvolvimento de doenças cardíacas, diabetes, AVC e o câncer. Apesar de ser raro em humanos, a privação completa do sono por um período prolongado de dias pode levar à morte.

Ainda é desconhecido o tempo máximo que um ser humano conseguiria suportar sem dormir, contudo, em 1964, um jovem de 17 anos, Randy Gardner, estabeleceu o recorde mundial de 11 dias e 25 minutos, entrando para o Guinness Book. Essa experiência foi acompanhada pelo professor William Dement, que hoje é professor emérito da Universidade de Stanford, na Califórnia. Na ocasião, o professor Dement iniciava pesquisa em ciência do sono e relata que durante o dia o jovem se mantinha em atividade, por exemplo, jogando basquete, sendo os momentos de inatividade os mais críticos, em especial no período noturno. Randy experimentou diferenças no paladar, no olfato e na audição, logo houveram mudanças progressivas nas suas habilidades cognitivas, incluindo as sensoriais, também teve algumas alucinações durante o período e alterações no humor.

Após registrar o recorde, Randy dormiu por 14 horas e progressivamente, seus padrões de sono se normalizaram. Após algum tempo, o jovem passou a sofrer de insônia e este fato fez com que o Guinness Book parasse de registrar este tipo de recorde. Para a experiência, o hospital do Arizona enviou um computador que detectou que partes do cérebro de Randy descansavam e eram repostas enquanto ele estava acordado.

Segundo estudo de pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison nos EUA, publicada no periódico Journal of Neuroscience, ocorre uma espécie de “limpeza” no cérebro enquanto dormimos, quando a atividade do corpo é menor. Contudo, quando não temos um sono adequado em tempo e qualidade, esta limpeza fica comprometida, precisando ocorrer de uma maneira ou de outra, por vezes, quando estamos acordados, com o cérebro em plena atividade, se tornando caótica e confusa, o que pode acarretar a destruição de células saudáveis e benéficas. Este quadro de anormalidade pode estar associado ao surgimento de doenças como Alzheimer e Demência.

A importância de se dormir bem para a saúde foi materializada em 2008, por iniciativa da World Association of Sleep Medicine (Associação Mundial da Medicina do Sono), nos EUA, com a criação do Dia Mundial do Sono, comemorado anualmente em 19 de março. Posteriormente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se incorporou a esta ação, no formato de uma campanha mundial, que já ocorre em cerca de 80 países. Em 2021, esta campanha teve como tema “sono equilibrado, futuro saudável”, com o objetivo de divulgar os benefícios da boa saúde do sono para a qualidade de vida e a prevenção de outras doenças. No Brasil, ocorreram eventos, aulas e encontros nas redes sociais entre os dias 15 e 21 de março, tendo como organizadores a Associação Brasileira do Sono (ABS), a Associação Brasileira da Medicina do Sono (ABMS) e a Associação Brasileira de Odontologia do Sono (ABROS).

Segundo a OMS, em estudo publicado em 2019, 45% da população mundial possui algum tipo de dificuldade para dormir. No Brasil, 40% de nossa população apresenta algum tipo de distúrbio do sono. O estresse, transtornos de ansiedade e a Depressão alteram a quantidade e a qualidade do sono, na mesma medida, que esta alteração também potencializa distúrbios da saúde mental. De acordo com especialistas, cerca de 75% dos pacientes com Depressão relatam distúrbios no sono.

Na maioria dos casos, a insônia se apresenta como psicofisiológica, tendo como suas principais causas: fatores genéticos, estresse, hábitos inadequados, estilo de vida irregular, transtornos mentais, neurológicos ou hormonais, problemas respiratórios, dores crônicas, problemas gastrointestinais, ingestão de medicamentos ou substâncias, entre outros.

O sono satisfatório associa quantidade de horas dormidas e qualidade do sono. Segundo a OMS, bebês no primeiro ano de vida precisam de 12 a 16 horas de sono, podendo dormir entre 17 e 20 horas/dia, crianças (1 a 3 anos) devem dormir de 11 a 14 horas, crianças (3 a 5 anos) de 10 a 13 horas, crianças (6 a 13 anos) de 9 a 12 horas, adolescentes (14 a 17 anos) de 8 a 10 horas, jovens adultos (18 a 25 anos) e adultos (26 a 64 anos) de 7 a 9 horas, e idosos (acima de 65 anos) de 7 a 8 horas.

A OMS estabeleceu uma cartilha de higiene do sono, onde recomenda: horário regular para dormir e acordar, evitar o tabaco e álcool à noite, evitar cafeína depois das 14 horas, exercício físico regular (pelo menos 4 horas antes de dormir), quarto sem luz, sem ruído e com temperatura adequada, roupa de cama confortável, retirar tecnologia, usar apenas roupa de dormir, refeições ligeiras à noite, evitar dormir durante o dia (caso sofra de insônia), libertar-se das preocupações diárias, não utilizar o ambiente de dormir para trabalho intelectual ou de lazer, manter uma rotina.

Os distúrbios do sono estão relacionados a diversos fatores, os quais precisam ser investigados e tratados.

Vem comigo!!! 
 

 











 

 

 

 

 

 

 

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