terça-feira, 20 de outubro de 2020

O BRASIL NO “NOVO AGORA” E O TURISMO SUSTENTÁVEL

 



Essa pandemia que assola o mundo e que teve o seu início em 30 de dezembro de 2019, quando do surgimento do SARS-COV-2 e da COVID-19 em Wuhan na China, já contaminou quase 40 milhões de pessoas, mais de 5 milhões no Brasil, vitimando mais de 1 milhão, um pouco mais de 151 mil em nosso país. A cada dia conhecemos um pouco mais sobre este vírus e esta doença, nos alarmamos com a possibilidade de reinfecção, com as sequelas temporárias e definitivas, pouco sabemos ainda sobre os percentuais para “imunização de rebanho” e nem quanto tempo esta imunização da população duraria, especula-se de 3 a 6 meses. Alguns países da Europa vivem uma segunda onda, Reino Unido, França, Espanha e Alemanha já discutem novas medidas restritivas de convívio social, de outra maneira, os EUA continuam o seu calvário pandêmico, com surtos intermitentes em diversos estados o que deve se agravar com a chegada do inverno no Hemisfério Norte.

Perante este quadro que traz referências históricas da Peste Negra (século XIV), da Gripe Espanhola (1918-1920), a despeito da evolução da ciência e da tecnologia, acaba ganhando maior dimensão que estes outros eventos históricos pandêmicos em função da globalização que vivemos, isto democratiza os problemas, exige que as soluções abranjam todos os países e provoca eventos correlatos de crise econômica, social, política, assim como transformações na forma e nas relações de trabalho. Já se fala em uma depressão mundial para este e os próximos anos maior que a depressão dos anos 30, provocada pelo “crash” da bolsa de valores de Nova Iorque (1929).

O mundo vive a expectativa de uma “salvadora” vacina. Das 185 em desenvolvimento, 35 estão em fases mais avançadas e 9 em terceira fase de testes em humanos, espera-se ansiosamente a sua chegada para final de 2020 e primeiro semestre de 2021, mas lembro que a logística de produção, aplicação e imunização pode demorar até final de 2021 e início de 2022, para então pensarmos no encerramento desta pandemia.

O Brasil que vive uma acefalia do Ministério da Saúde (MS) nunca vista desde a sua criação em 1953, já cometeu todos os erros possíveis, se aliou a curas milagrosas e a narrativas que pregam o negacionismo científico. Este conjunto de atitudes se espelha no fato do país ser o 3º em número de casos e o 2º em óbitos. Aqui se diz que o ano começa após o carnaval, 2020 se encerrou após as “festas de momo”, com o primeiro caso relatado em 26/02. Neste momento estamos em fase de desaceleração de contágio, entretanto, fechamos em patamar alto de casos e óbitos, o que é preocupante. A despeito disso tudo, nossas vidas precisam continuar, com cuidados e responsabilidade perante o “novo agora” e assim será nossa temporada de verão, tão importante para a economia de nosso país e para nós, anda mais em um ano que não existiu.

É razoável acreditar que o turismo internacional pouco dará as caras nesta temporada 2020/2021, o carnaval do Rio de Janeiro e de outros locais sendo desmarcados, as festas de reveillón sendo redimensionadas para evitar afluxo de público e cruzeiros marítimos sendo cancelados, sinalizam esta evidência. Entretanto, a EMBRATUR já se manifestou sobre o grande aquecimento do turismo regional nesta temporada, o feriadão de 12 de outubro comprovou isto com uma grande visitação nas cidades litorâneas.

É lamentável que o MS em conjunto com as Secretarias de Estado da Saúde não esteja desenvolvendo um inventário epidemiológico, através de testes sorológicos que identifiquem qual parcela da população está imunizada, além de prover maiores elementos sobre esta pandemia. Continuamos a trabalhar com o fato consumado, com o crescimento da ocupação de leitos de UTI e teremos um sinal da evolução da Covid-19 passados 15 dias deste feriadão, com o ciclo de contaminação dando cores a esta ocupação irrestrita e desprovida de fiscalização de nossos equipamentos turísticos.

As pessoas precisam passear, viajar, ir às compras e, certamente, o farão. Acredito piamente em uma temporada superaquecida, entretanto, a dor de cada qual neste momento é o temor, pela vida, pelo trabalho, pelo futuro, sendo o remédio para isto a segurança. Mesmo os negacionistas, carregam consigo este sentimento, portanto, os que menos se cuidam serão os primeiros a “apontar o dedo” para os destinos turísticos que elevarem seus números de casos e causarem insegurança.

Soma-se a esta realidade, toda uma legislação pandêmica criada em nosso país à partir da manifestação da Organização Mundial da Saúde de Emergência Sanitária de Importância Internacional pelo Coronavírus (30/01) e também o fato de, desde 29/04, existir jurisprudência criada pelo STF que a Covid-19 é doença ocupacional.

Ciente destes fatos, a SANTUR está criando para Santa Catarina protocolos sanitários com certificação para seu trade turístico, a cidade de Foz do Iguaçu (PR) fez algo similar, anteriormente, e se tornou um “case” de sucesso, elevando sua ocupação hoteleira.

Portanto entendo que precisamos tocar nossas vidas na toada do “novo agora”, com cuidados e responsabilidade. A temporada de verão será um imenso sucesso do turismo regional, entretanto, há necessidade de elaboração e cumprimento de protocolos sanitários por parte dos governos municipais e pelos empreendedores, com treinamento adequado dos colaboradores e todo o zelo para garantir a biossegurança de todos, assim como, a segurança jurídica de quem emprega. Afinal, todos precisam se divertir, mas com segurança.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!!!

Vem comigo!!!

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