A guerra contra o SARS-COV-2 e a doença por ele causada, a COVID-19, ainda está por começar, contudo o Brasil tem a chance de travar esta guerra sabendo do resultado de outros países, tem a condição de ter um comparativo de curvas de crescimento e também a possibilidade de manejar as ferramentas disponíveis.
Perante as medidas de parar a população através do distanciamento social ampliado adotado por vários estados, acredita-se que tenha ocorrido um achatamento da curva de contágio, adiando esta batalha, possibilitando que o Ministério da Saúde (MS), estados e municípios se estruturem, e mitiguem problemas estruturais crônicos.
O que pode subverter esta lógica é a ausência de uma ampla testagem para comprovar que, efetivamente e em que medida, as ações adotadas estão surtindo efeito, mas perante estarem, o MS estima para 4 e 10 de maio o início da fase de aceleração da COVID-19, ou seja, na 19ª semana do ano e à partir da 25ª semana deve ocorrer a desaceleração, portanto a guerra tem data para se iniciar.
É sabido que mais de 80% da população em sendo contaminada, apesar de haver transmissão de 1 a 14 dias do contágio, de maneira assintomática, apresentará sintomas brandos, entretanto 15 a 20%, formada por grupos vulneráveis (idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades) podem apresentar sintomas mais graves, 5% destes podem apresentar síndrome respiratória aguda grave (necessitando de UTI) e daí sairão os óbitos. O Brasil apresenta mais de 30 milhões de idosos, 60 milhões de portadores de doenças crônicas não contagiosas, o pico da pandemia irá coincidir com doenças sazonais prevalentes, como a gripe (sua cepa viral mais agressiva é a H1N1) e o sarampo, e tem a área hospitalar como um problema conjuntural. Lembro que os fatores populacionais, epidemiológicos e conjunturais impactam no desenvolvimento e no enfrentamento desta pandemia.
O MS (08/04) emitiu uma Nota Informativa onde define critérios de distanciamento social com base em diferentes cenários para dar parâmetro e uniformizar as ações de estados e municípios, aconselhando a adequação à partir de 13/04. Nesta nota são definidos tipos de isolamento social: lockdown (ainda não adotado aqui), horizontal ou distanciamento social ampliado (DAS) e vertical ou distanciamento social seletivo (DSS), com parâmetros e tempo. Exemplo: o DAS deve ser adotado quando o número de casos confirmados impacte mais de 50% da capacidade instalada do sistema de saúde local, esta nota deveria ter sido emitida no início da pandemia no Brasil.
Indicadores monitorados diariamente pelo MS e governos estaduais, a curva de contágio e o fator de crescimento, balizam as ações de enfrentamento, propiciam a feitura de quadros possíveis e demarcam o momento da guerra realmente acontecer, qual seja, o momento da aceleração de casos.
A curva de contágio considera o número de casos reportados pelos sistemas de saúde de cada governo, depois que estes países ultrapassam a barreira dos 50 testes positivos, por exemplo, a França saltou de 50 para 1000 casos em 10 dias. Perante essa metodologia é possível tecer comparações estatísticas com outros países que estão dias ou semanas atrás do outro na “curva de crescimento”. Conforme esta, o primeiro dia da Itália é 23/02, do EUA é 25/02 e do Brasil 12/03.
O fator de crescimento permite comparar os dados do Brasil e de seus estados com os cenários de outros países, dia a dia, considerando como o número de casos aumenta ao longo do tempo e permitindo que se calcule a quantidade de dias que leva para que o número de casos dobre em cada país. Os dados utilizados são os de casos confirmados e de óbitos. Para cada caso confirmado, 15 permanecem ocultos, portanto a falta de uma testagem ampla impacta bastante.
A Fio Cruz criou uma ferramenta online que permite monitorar a “curva de crescimento” no país: MonitoraCovid-19. O registro de 114 mortes entre 6 e 7/04 colocou o Brasil no ranking dos países mais afetados.
O ministro da saúde, apesar das dificuldades, mostra lucidez, um diálogo transparente com a população e decisões seguras. Alguns erros ocorreram, a política de uma ampla testagem já deveria ter sido implementada e perante as dificuldades de compra de insumos e outros equipamentos hospitalares da China (principal fornecedor), a indústria nacional deveria ser estimulada a fabricá-los, o que parece estar começando timidamente a acontecer.
Santa Catarina, com mais de 20 dias em distanciamento social ampliado, sem quadro epidemiológico quando de sua implementação, mas com a necessidade de estruturar o seu sistema de saúde, abriu Edital de Chamamento Público para Hospital de Campanha com 100 leitos de UTI em Itajaí, com previsão de início da transformação do Centreventos em 13/04 . Segundo o MS, o estado possui 1630 leitos de UTI somados SUS e suplementar (incluindo adulto, pediátrico e neonatal), destes, 801 leitos são da rede pública e filantrópica, no plano de contingência constava 117 hospitais SUS com 450 leitos de UTI (45 para a COVID-19). Segundo o governo estadual será preciso, ao menos, de 2500 leitos. Me preocupa o fato que estes novos 100 leitos demorarão 30 dias para serem entregues, há discussão judicial sobre esta licitação, esta e outras circunstâncias podem dilatar este prazo. Lembro que o pico da COVID-19 deve ser em 4 a 10 de maio, outras doenças não deixarão de ocorrer e, portanto, o sistema pode eclipsar.
Segundo a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) as próximas 3 a 6 semanas serão desafiadoras para o Brasil e para toda a América Latina.
Vem comigo!!!
Contatos para PALESTRAS VIRTUAIS e ORIENTAÇÕES para você e sua empresa nestes TEMPOS DE CORONAVÍRUS:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99903-6152
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com


Nenhum comentário:
Postar um comentário