sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

UM NOVO HOSPITAL MUNICIPAL PARA ITAPEMA: QUANTO CUSTA A SUA CONSTRUÇÃO?



Neste caminho que você está trilhando comigo para entender tudo o que envolve a construção de um projeto de hospital municipal, já expliquei os indicadores que o justificam e o embasam, abordei os pilares de sua elaboração, quais sejam: Perfil de Assistência, Projeto Básico Arquitetônico, Oferta de Serviços e Vocação, Plano Financeiro e Modelo de Gestão.

Hoje vou me aprofundar em um quesito do Plano Financeiro, afinal, quais são os parâmetros que devemos seguir para saber o custo de construção de um hospital e como isto vai impactar no planejamento para que o seu custeio seja sustentável?

Um Plano Financeiro, como já mencionei anteriormente, deve envolver ao menos, os custos de construção e implementação, com equipamentos e mobiliário, o custo mensal deste hospital aberto e do sistema de saúde (antes e depois de sua implementação). Ainda deve esclarecer de onde se originarão os recursos para cada etapa da planilha financeira, para o custeio mensal do hospital em funcionamento e também um cronograma temporal e financeiro de implementação do seu Perfil de Assistência.

Afinal, a construção de um hospital apresenta valores diferentes de uma construção convencional? Por que?

A construção de um hospital impõe o cumprimento de uma série de regramentos sanitários e conforme o pavimento, estas exigências são de maior proporção. Por exemplo, um hospital deve, minimamente, ofertar exames de Raio-X, a sala onde ele deve se localizar precisa ser de argamassa baritada. A ANVISA exige projeto da sala, onde o nível de proteção das paredes deve ser compatível a potência do equipamento, entre outras exigências legais e isto tem um custo.

Portanto os pavimentos hospitalares tem custos diferentes, certamente os valores de construção de um centro cirúrgico, de um centro de esterilização e acondicionamento de materiais ou de um centro de diagnose e tratamento, são diferenciados dos valores gastos na construção de uma recepção.

Uma estrutura hospitalar deve apresentar um sistema hidro sanitário adequado a legislação da ANVISA, assim como outras tantas exigências legais constantes do Projeto Básico Arquitetônico ou em projetos complementares, como: cuidados com a acessibilidade, sistema de aerificação e refrigeração, entre outros que a diferenciam de uma construção convencional e certamente encarecem os seus custos.

A qualidade da construção e o seu tipo ainda vão influenciar nos valores, em Itapema existe um terreno amplo e de boa topografia destinado ao hospital, a proposta de uma construção horizontal e em pavimentos pode ser menos onerosa, além de permitir maior facilidade na sua implementação por etapas, fato que é comum na construção hospitalar.

Claro que o porte do hospital e a complexidade de serviços também vai influenciar nos seus valores de construção, sendo que, eu propus perante os indicadores loco regionais (epidemiológicos, de oferta/demanda de serviços, entre outros), uma estrutura hospitalar de 100 leitos (médio porte) em sua fase final de implementação, ainda que o mesmo seja preparado para demandas de média e alta complexidade. Prezo lembrar que a extensão de sua Oferta de Serviços deve estar expressa no seu Perfil de Assistência, portanto acolhida em seu Projeto Básico Arquitetônico, entretanto gradualmente e com responsabilidade financeira se faz a implementação disto.

Entendo que o hospital deve iniciar seus trabalhos para o atendimento da população de Itapema, mas esta estrutura sanitária para ser exitosa, com foco no futuro e nas necessidades loco regionais, precisa desde um primeiro momento estar preparada para a sua expansão e a implementação de novos serviços.

Agora não basta apenas construir um hospital, o seu equilíbrio de custeio é um objetivo que deve ser planejado desde o primeiro momento e para isto, investir em uma estrutura sanitária que possa dar o retorno em saúde desejado a população de Itapema de hoje mas com foco no futuro, que possibilite ter a sua oferta de serviços referenciada loco regionalmente, que permita o objetivo de se buscar credenciamento de alta complexidade e seja competitiva para o atendimento também do público privado, este tão essencial para o equilíbrio das contas de um hospital municipal, são fatores essenciais para o seu sucesso, entretanto acarretarão um custo financeiro que impactará nos valores de sua construção.

Portanto os custos de construção são variáveis, ao tempo em que se deve buscar soluções menos onerosas, precisamos dar condições desta estrutura sanitária cumprir o seu papel perante a comunidade de Itapema e tenho certeza que futuramente para Porto Belo e Bombinhas, entretanto um projeto macro bem amarrado, que envolva um plano financeiro bem elaborado é essencial.

Pronto-Socorro é um pavimento hospitalar?

O que significa o jargão muito usado na área da saúde: “Hospital de Porta Aberta”?

Saiba mais, desvende comigo, no próximo artigo: “Um novo Hospital Municipal para Itapema: Pronto-Socorro”.

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