Master Coach, Palestrante, Consultor de Gestão e de Projetos na área da Saúde, Colunista e Blogueiro. Cirurgião dentista, pós-graduado em Gestão Hospitalar. Colunista do portal de notícias No Ponto SC com a coluna e o Podcast “Transformando Vidas”. Presidente do Instituto Abaeté de Saúde e Desenvolvimento Humano. Criador do método "Transformando Vidas".
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
DESVENDANDO O HOSPITAL MUNICIPAL SANTO ANTONIO DE ITAPEMA E O CAMINHO PARA UM NOVO HOSPITAL (Parte III)
Na terceira parte deste artigo que se propõe a trazer luz à área hospitalar de Itapema, olhando sobre a óptica de seus direitos de cidadão, continuo abordando o Hospital Municipal Santo Antonio, perante sua história, sua estrutura atual e seu direcionamento futuro, mas com o norte de desvendar a necessidade de um novo hospital.
Como já abordei anteriormente, este hospital se tornou municipal em 2010 através do decreto nº 87/2010, o qual revogou a Lei Municipal nº 853/1993, cancelando a doação de seu terreno para a empresa Ioppi & Ioppi e requisitando todas as instalações, equipamentos e demais utensílios necessários para seu funcionamento. No que tange a isto, prezo esclarecer que há discussão judicial relativa a este decreto por parte da empresa Ioppi & Ioppi, estando conclusa a discussão relativa ao terreno, com ganho judicial por parte do município e ainda se discute o ressarcimento financeiro à empresa, relativo a estrutura física e demais itens requisitados.
É interessante de se observar que, desde que o mesmo se tornou municipal ele foi administrado por uma empresa e duas organizações sociais. Em 29 de abril de 2019 assumiu a terceira OS a fazer sua gestão, o Instituto Santé, sendo que a despeito de estas três primeiras gestões terem apresentado certos indicadores positivos, a X-Pró e o Instituto Adonhiran saíram após diversas reclamações com relação ao atendimento prestado e a terceira, o instituto IDEAS, sofreu uma intervenção por descumprimento do contrato de gestão que perdurou de 31 de outubro de 2018 até a sua saída em 29 de abril de 2019.
Muito sugestivo também o fato que este breve período de intervenção na gestão do hospital tenha apresentado resultados muito positivos, tanto de melhorias na sua estrutura física, na aquisição de utensílios para um melhor acolhimento do paciente ou na elaboração de protocolos que vislumbram o fortalecimento organizacional. Prezo ressaltar que as ações de gestão desta intervenção não passaram pelo engessamento administrativo ditado por uma gestão direta, visto que havia uma gestão indireta por terceirização para OS em vigência, com seu contrato de gestão sob intervenção, entretanto a experiência que o município teve com estas gestões do Hospital Santo Antonio, acredito será relevante na escolha do modelo de gestão para o novo hospital.
Os ganhos apresentados por esta intervenção são visíveis, desde o estacionamento melhor estruturado, passando por uma recepção reformada e com protocolo de risco no acolhimento, a implementação de laboratório 24 horas e pelo zelo em cada processo que envolve este hospital, o que pode ser expresso pelo processo expurgo/esterilização muito bem montado e o trilhar do caminho para finalmente se conseguir o seu alvará sanitário. O volume de atendimentos, em torno de 160/dia e de cirurgias executadas, aproximadamente 60/mês, além da diminuição das reclamações, expressam a melhoria na gestão. Estes indicadores reforçam o meu pensar sobre o modelo de gestão que seria mais adequado para o novo hospital, o qual desvendaremos aqui perante suas necessidades e claro, explicarei os modelos de gestão que possam ser utilizados, seus gargalos e suas virtudes.
Este hospital que é de pequeno porte, com 19 leitos de internação e 13 leitos de pronto socorro, atendendo demandas de baixa e média complexidade, a despeito das melhorias executadas através dos tempos, ainda apresenta diversos problemas estruturais, como infiltrações e outras tantas irregularidades, mantendo a característica de um pronto atendimento ampliado e com uma área física de terreno restritiva (3.966,15m²), em função disto, creio ser impensável uma reforma que contemple as necessidades epidemiológicas de uma Itapema que, segundo o IBGE de 2018, conta com 63.250 habitantes, que cresce de maneira exponencial (de 2000 a 2010 cresceu 70,89%) e que tem na construção civil e no turismo seus grandes geradores de emprego. Para reforçar o que digo, podemos também imaginar este novo hospital sendo referenciado para os municípios de Porto Belo e Bombinhas e desafogando os dois hospitais gerais desta região: H. Ruth Cardoso e H.M. Marieta Konder Bornhausen.
Portanto, entendo que a construção de um novo hospital é necessária e deve ser célere, já o Hospital Santo Antonio, perante esta nova situação estando concretizada, pode ser estruturado como um estabelecimento de atenção em saúde vocacionado a uma demanda epidemiológica local ou loco regional e que preferencialmente proporcione o recebimento de recursos de custeio do SUS.
Ao concluir este artigo, onde propus que caminhássemos juntos para entender a área hospitalar de Itapema, perante as suas necessidades de hoje e futuras, se faz fundamental o entendimento do sistema municipal de saúde e o conhecimento do Hospital Municipal Santo Antonio a partir de sua história, passando pela sua estrutura física, oferta de serviços e modelo de gestão. Com este caminho trilhado, eu estou convicto e certo que você também está, da necessidade de um novo hospital para Itapema.
Convido você para continuar comigo e, a partir do próximo artigo, caminharmos juntos para desvendar todas as nuances, desde porte, projeto, oferta de serviços e modelo de gestão de um novo hospital para Itapema.
Vem comigo!!!
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