A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava, já em 2015, que por volta de 70% da população mundial estava infectada pelo herpes simples vírus tipo 1, chamado de HSV-1. Estes dados foram coletados perante as primeiras estimativas globais sobre infecção causada pelo vírus e aponta que na época, mais de 3,7 bilhões de pessoas com menos de 50 anos estavam infectadas com o HSV-1. Atualmente, a OMS estima que mais de 80% da população global nesta faixa etária já teve contato com o vírus.
Existem 8 tipos de herpes-vírus humano que, apesar de fazerem parte da mesma família, agem de forma diferenciada no organismo, quais sejam: herpes simples vírus tipos 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2), vírus da varicela-zoster (VVZ), vírus Epstein-Barr (VEB), citomegalovírus (CMV) e herpes-vírus humanos tipos 6 (HHV-6), 7 (HHV-7) e 8 (HHV-8), também conhecido como herpes-vírus associado ao sarcoma de Kaposi (KSHV). O contato com estes vírus costuma ocorrer antes dos 5 anos de idade, sendo que, após o contágio, o vírus pode ficar no organismo sem apresentar qualquer tipo de manifestação. As infecções primárias dependem de cada tipo de vírus da família, podendo apresentar desde infecções subclínicas a infecções graves, como encefalites, meningites e linfomas. Importante esclarecer que a manifestação de infecção causada por estes vírus está diretamente relacionada com alterações no sistema imunológico das pessoas.
O herpes simplex vírus ou herpes simples vírus como também é conhecido, é o mais comum, como já foi dito, algo em torno de 80% da população mundial está contaminada por ele. Sendo classificado em 2 tipos: HSV-1 e HSV-2, ambos altamente infecciosos e incuráveis.
O HSV-1 é transmitido principalmente por contato oral, pelo beijo, ocasionando feridas e pequenas bolhas ao redor dos lábios ou na cavidade interna da boca, podendo ainda se evidenciar nos olhos. Já o HSV-2, se manifesta através de pequenas bolhas ou feridas na região genital, se transmitindo através da relação sexual e sendo conotado como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST).
A partir do momento em que a pessoa foi contaminada pelo herpes-vírus humano, esta condição permanecerá por toda a sua vida, independente de qual dos 8 tipos de vírus que compõe a família ter sido o fator contaminante. Contudo, a infecção causada por estes vírus se evidenciará conquanto haja uma queda no sistema imunológico da pessoa.
Uma vez ativo no organismo, o herpes simples vírus causa a infecção denominada de Herpes, que se apresenta da seguinte forma: inicialmente pode haver coceira e ardência no local das lesões, a seguir formam-se pequenas bolhas que se agrupam como um buquê sobre área avermelhada e inchada, posteriormente, as bolhas se rompem liberando líquido rico em vírus e formando uma ferida (esta fase apresenta maior perigo de transmissão), a ferida começa a secar formando uma crosta que antecede a cicatrização. A duração da infecção é de 5 a 10 dias.
Esta doença é crônica e autolimitada, qual seja, apesar de não ter cura, o próprio organismo se incumbe de tornar o vírus novamente inativo, sendo o restabelecimento da normalidade do sistema imunológico, o principal fator para cessar a infecção. Entretanto, determinados cuidados podem ser tomados e estes repercutirão em um surto de menor intensidade e duração, além de evitar a contaminação de outras pessoas.
Antes de abordar os cuidados que podem ser tomados, também se faz necessário ressaltar a importância de buscar a orientação de um médico Dermatologista, evitando a automedicação, a qual pode trazer prejuízos para outras áreas do organismo. Deve-se também ter o entendimento, como já foi dito, de se tratar de uma doença crônica e autolimitada, portanto, as medicações utilizadas são para combater os sintomas, para diminuir a intensidade e o tempo do surto.
Quanto ao tratamento, este deve ser iniciado tão logo comecem os primeiros sintomas, devendo ser orientado pelo médico Dermatologista, o qual determinará os medicamentos mais indicados para o caso, dependendo da intensidade, podem ser de uso local (na forma de cremes ou soluções) ou de uso oral (na forma de comprimidos). Quando os surtos forem muito frequentes, a imunidade deve ser estimulada.
No que tange aos cuidados que se deve ter com a infecção ativa, pode-se elencar: evitar furar as bolhas; evitar beijar ou falar muito próximo das pessoas; evitar relações sexuais (se o Herpes for genital); lavar sempre bem as mãos após manipular as feridas visto que, a infecção pode ser transmitida para outros locais do seu próprio corpo, especialmente as mucosas oculares, bucal e genital.
Com relação a vacinas, dos 8 tipos de herpes-vírus humano, apenas a varicela-zoster tem vacina desenvolvida e aprovada, sendo de alto custo e não disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para se evitar o contágio e a transmissão do herpes simples vírus, atitudes preventivas e de higiene pessoal são importantes, no caso do HSV-1, evitar o contato pessoal e o beijo quando do surto, já para o HSV-2, o uso do preservativo nas relações sexuais é o principal aconselhamento.
Para aqueles que se somam a maior parte da população mundial e estão infectados pelo herpes simples vírus, buscar o acompanhamento médico é um sábio conselho, assim como tocar a vida, visto que a doença causada por este tipo de vírus é constituída por surtos recorrentes, mas que não alteram a qualidade de vida e nem levam a consequências mais graves.
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