terça-feira, 25 de janeiro de 2022

VERÃO, ESTAÇÃO MARCADA PELAS VIROSES

 



As “viroses” ocorrem o ano todo, mas na temporada de verão a sua incidência aumenta vertiginosamente em função de um conjunto de fatores, quais sejam: calor intenso, praias ou piscinas lotadas, falta de higiene pessoal, areia contaminada, água poluída e alimentos contaminados.

Virose é um termo pouco específico, que significa doença viral ou infecção provocada por vírus. Perante a semântica do termo, estaremos diante de um gigantesco grupo de doenças virais diferentes, desde as mais simples como a gripe e o resfriado, passando pela dengue, sarampo e até as mais graves, como a AIDS, hepatite e ebola.

Apesar do termo “virose” abranger todas as infecções de origem viral, no jargão médico é utilizado para diagnosticar as infecções virais mais leves, predominantemente de origem respiratória ou gastrointestinal, sendo autolimitadas, ou seja, curam-se espontaneamente após alguns dias, não havendo a necessidade de tratamento medicamentoso e quando este é prescrito, é em caráter de minimizar os sintomas.

Podemos dividi-las em 3 grandes grupos, perante os principais quadros clínicos provocados: Respiratórias, Gastrointestinais e Exantemáticas.

As respiratórias são provocadas pelo vírus da gripe (Influenza) ou por um dos mais de 200 vírus que provocam o resfriado, sendo os mais comuns o Rinovírus (30 a 50% dos casos), o Adenovírus e o Coronavírus. Os sintomas mais comuns são: febre baixa (abaixo de 38,5ºC), espirros, coriza, sinusite, tosse, conjuntivite, dor de cabeça, dor de garganta, dor no corpo, cansaço e mal-estar generalizado. Sua duração é de 2 a 7 dias e a transmissão se faz por gotículas expelidas pela boca ou nariz da pessoa contaminada.

Com relação à gripe e o resfriado, são infecções virais do sistema respiratório, porém, apesar de apresentarem sintomas parecidos, são causadas por diferentes vírus. Além disso, os sintomas da gripe são muito mais intensos e ela pode causar problemas significativos, podendo levar à pneumonia. Contudo, existe vacina contra a gripe, a qual é redimensionada anualmente, conforme a presença de novas cepas virais e se não impede a contaminação, evita a manifestação da doença ou quadros mais severos da mesma.

As gastrointestinais abrangem a maioria dos casos de diarreia aguda, sendo os principais vírus causadores o Rotavírus e o Novovírus. Os sintomas são: quadro de diarreia (não sanguinolenta), cólicas abdominais e vômitos (principalmente nos primeiros dias) e febre baixa (abaixo de 38,5ºC). O quadro dura de 3 a 7 dias, devendo apresentar sinais de melhora entre 48 e 72h e o maior cuidado é com a reposição de líquidos.

As exantemáticas provocam o aparecimento de exantemas, quais sejam, erupções avermelhadas na pele. Entre as mais conhecidas, a Catapora, a Rubéola e o Sarampo. A Dengue, a febre Chikungunya e a febre Zica, também são exemplos, apesar das lesões de pele não serem seus sinais mais importantes. Esclareço que algumas viroses respiratórias e gastrointestinais também podem causar manchas avermelhadas na pele.

Não é incomum, os pacientes terem formas brandas e atípicas de algumas viroses exantemáticas clássicas (Catapora, Dengue ou Rubéola) e só venham a descobrir, ao fazerem exames de sangue, tempos depois, visto a similaridade de sinais e sintomas.

O diagnóstico, por parte do médico, normalmente é feito através do quadro clínico, a solicitação de exames complementares pode ser indicada quando o médico não se sentir seguro com o diagnóstico de “virose”.

Reitero que, “virose” é um jargão médico que designa diversos tipos de infecção viral que são brandas e autolimitadas, notadamente de ordem respiratória ou gastrointestinal, mas podendo também designar ocorrências brandas de dengue ou catapora, por exemplo. O seu tempo de duração é de 2 a 7 dias, com tempo médio de 5 dias, normalmente o diagnóstico é feito pelo médico com base no quadro clínico, sendo que, entre 48 e 72 horas uma avaliação do quadro geral é importante e, em não havendo evolução do mesmo, exames complementares para proverem uma investigação mais ampla, se faz necessário. O tratamento é repouso, por vezes reposição de líquidos e medicamentos podem ser utilizados para minimizar os sintomas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), higienizar as mãos, ato básico de saúde, principalmente antes das refeições e ao usar o banheiro, pode reduzir em até 40% a contaminação por “viroses”. Esta higiene se faz com água e sabão e a complementação com álcool gel é salutar, em especial antes de manipular alimentos.

Os casos crescem nesta época do ano em função do aumento exponencial da população nas cidades litorâneas, o que leva a graves problemas com o abastecimento de água e o saneamento básico/balneabilidade das praias, com a consequente impropriedade de uso. Também o consumo de alimentos e bebidas, que aumenta substancialmente nesta época, carece de cuidados com relação à sua origem, manipulação e acondicionamento, o que pode levar a sua contaminação. Ainda do aumento da população advém uma maior circulação viral.

Ao poder público repousa a responsabilidade de ações de governança que garantam infraestrutura urbana, fiscalização e condições sanitárias adequadas, conquanto ao veranista que se atenha as condições de balneabilidade das praias, a origem dos alimentos e bebidas que consome, procure ferver a água encanada antes consumir, não beba água do mar ou da piscina, evite frequentar ambientes fechados e com alta concentração de pessoas, proteja com as mãos ao espirrar, lave as mãos com constância, adote atitudes de higiene pessoal e ajude a cuidar e manter a cidade que mora ou visita.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

TRANSFORMANDO VIDAS: SOCIEDADE 5.0, A PRIORIDADE É O SER HUMANO

 


Ao tempo em que os meios de produção iniciaram a transição para novos processos de manufatura a partir da 1ª Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em 1760 e que teve o seu término em 1840, a Sociedade também evoluiu em seus modelos de organização social. Em janeiro de 2016, o governo japonês lançou o 5º Plano Básico de Ciência e Tecnologia e a partir deste documento, o qual elenca políticas de inovação a serem estimuladas até 2021, identificou-se o conceito da “Sociedade 5.0”. O 5º modelo de organização social se iniciava, com foco em propiciar as condições para que o desenvolvimento tecnológico trabalhe em prol do bem-estar humano, da qualidade de vida e da resolução de problemas sociais.

No que tange a evolução nos processos de produção, identificam-se 4 momentos, conotados como revoluções industriais, quais sejam: a 1ª Revolução Industrial, que se iniciou em 1760, na Inglaterra, sendo paradigma de produção de grande escala; a 2ª, que se iniciou em 1850, abrangendo o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda a evolução nos meios de transporte e comunicação; a 3ª, que se iniciou em 1950 e teve como marca a gradual evolução da mecânica analógica para a digital, o uso de microcomputadores e a criação da internet (1969), e a 4ª, ainda em curso, iniciada em 2011 e que está relacionada com a conjunção das tecnologias existentes e que estão transformando o mundo.

Na mesma medida, a sociedade também evoluiu em seu modelo de organização, afora a Sociedade 5.0 que estamos vivenciando, identificam-se outros 4 momentos de evolução ou mesmo, de revolução, quais sejam: Sociedade 1.0, da caça, datada do início de nossa espécie, quando os seres humanos eram caçadores-coletores, apresentando características migratórias atrás da oferta de alimentos; Sociedade 2.0, da agricultura, o desenvolvimento das técnicas de cultivo de alimentos provoca a transição do modo de vida nômade para o sedentário, possibilitando um grande aumento na população global; Sociedade 3.0, industrial, marcada pelo surgimento dos motores a vapor e pela 1ª Revolução Industrial, pelo aumento na produção de bens de consumo e pelo impacto da atividade humana no clima; Sociedade 4.0, da informação, se inicia com o surgimento dos computadores, é marcada pela era digital, a consequente revolução no processamento de dados e a possibilidade de comunicação em tempo real entre as pessoas em qualquer parte do planeta.

A Sociedade 5.0 se propõe, a partir de um modelo de organização social, a utilização de diversas tecnologias como big data (conjunto de dados coletados em volume e velocidade cada vez maiores), inteligência artificial, internet das coisas – IoT (interconexão digital de objetos cotidianos com a internet), computação em nuvem, energias renováveis, robótica, telemedicina e veículos autônomos, a criar soluções para as necessidades humanas, tendo o intuito de buscar prover os serviços necessários para o bem-estar a qualquer hora, em qualquer lugar e para qualquer pessoa.

Este projeto do governo japonês trabalha em prol do equilíbrio, do avanço econômico com a resolução de problemas sociais. Se a Sociedade 4.0 revolucionou com a digitalização do planeta Terra, facilitando a vida das pessoas, mas com foco no lucro corporativo, a Sociedade 5.0 procura revisar as intenções e os resultados desta revolução digital com foco no ser humano, utilizando as tecnologias avançadas que são utilizadas na indústria 4.0, da 4ª Revolução Industrial que vivenciamos.

Este modelo traz o conceito da Smart City (Cidade Inteligente), cidades conectadas, que utilizam de maneira criativa e eficaz as tecnologias da informação, por exemplo, redes hidráulicas controladas por centrais remotas, transporte público integrado, informações de big data para embasar decisões administrativas e sistema que permite encontrar vagas de estacionamento por aplicativo de celular. No Brasil, Águas de São Pedro (SP) já adota este conceito.

A Sociedade 5.0 se expressa também no ambiente doméstico, através da Smart Home (Casa Inteligente), onde todas as funções básicas do domicílio estão conectadas digitalmente. Aborda a evolução da telemedicina e da robótica no ambiente de saúde, direcionando o seu olhar para todas as áreas que envolvem a participação do ser humano e a possibilidade de avançar tecnologicamente, mas, reitero, com foco na humanidade.

Os 3 principais valores chave deste novo modelo social, são: qualidade de vida, inclusão e sustentabilidade. Apresentando o desafio da mudança de paradigma social, evoluindo da mentalidade individualista para um pensamento de colaboração, cocriação e busca do bem comum.

Partindo desta premissa, o mundo corporativo está sendo cobrado sobre o propósito social das empresas e na preservação do meio-ambiente. Existe a construção de uma nova mentalidade em curso, claro que existem resistências, contudo, as empresas, gradativamente, estão se tornando aderentes a esta nova realidade, por exemplo, no Vale do Silício, nos EUA, epicentro das empresas de tecnologia, as startups com forte propósito social têm ampliado a sua conquista de espaço.

O mundo está imerso em profundas transformações, se no aspecto individual, o desenvolvimento humano, tendo por base a inteligência emocional, é um pré-requisito para o bem viver e para profissionais de alta performance, na mesma medida, de maneira coletiva, existe uma busca por direcionar a evolução tecnológica para o bem-estar da humanidade e a preservação do planeta Terra, e isto me parece inteligente e necessário.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

JANEIRO BRANCO, A SAÚDE MENTAL EM PRIMEIRO PLANO

 


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 bilhão de pessoas apresentam transtornos ou doenças mentais e uma pessoa se suicida a cada 40 segundos no mundo. A entidade relata que por volta de 264 milhões de pessoas sofrem com Transtornos de Ansiedade, 3,6% da população mundial, sendo que, de 2005 a 2020 houve um aumento de 15%. Na mesma medida, a Depressão também preocupa, considerada desde 2017 como o mal do século, afeta mais de 300 milhões de pessoas globalmente, sendo a principal causa do suicídio.

O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, com a maior taxa mundial de pessoas afetadas por Transtornos de Ansiedade, segundo relatório da OMS de 2020. Algo em torno de 9,3% da população brasileira tem algum Transtorno de Ansiedade, portanto, quase 20 milhões de pessoas. Esses números vêm crescendo, em 2015 tínhamos 18,6 milhões de brasileiros padecendo de Transtornos de Ansiedade, sendo que, a pandemia deve potencializar esses números. A OMS identifica ainda que, algo em torno de 5,8% de nossa população sofre de depressão, mais de 12 milhões de casos, sendo o maior índice da América Latina e o segundo maior das Américas, atrás dos EUA (5,9% da população).

Apenas os indicadores citados acima já justificariam uma maior atenção global a saúde mental logo no início do ano, momento de planejar e projetar a vida no ano que se inicia.

Perante esta lógica, surgiu em 2014 no Brasil, o Janeiro Branco, campanha inspirada no Outubro Rosa e no Novembro Azul, sendo criada por psicólogos de Uberlândia (MG), tendo no primeiro ano, ações realizadas por psicólogos e estudantes de Psicologia desta cidade mineira, envolvendo palestras, rodas de conversa, dinâmicas de grupo, entre outras atividades. Atualmente, o Janeiro Branco está nacionalizado, em crescimento, mas ainda tendo o voluntariado como o seu diferencial, apesar de agregar entidades como o Centro de Valorização da Vida (CVV) e organismos públicos.

A saúde mental das pessoas, que já era uma preocupação mundial antes da pandemia, se tornou algo premente de ser analisado e tem levado os estudiosos a projetar um nível de descontrole tal, que acarretaria uma 4ª onda de consequências da pandemia.

Esta 4ª onda seria relativa ao descontrole de casos de doenças mentais, não se referindo as ondas da pandemia propriamente dita, mas de suas consequências. O pneumologista do Hospital Universitário Eumory, de Atlanta (EUA), Victor Tseng, foi quem inicialmente propôs a separação das consequências da pandemia em 4 ondas. A 1ª onda foca na pandemia (casos e óbitos), a 2ª onda no colapso dos sistemas de saúde, a 3ª onda no agravamento de outras doenças crônicas pelo não tratamento e a 4ª onda está relacionada com o adoecimento mental da população. Importante ressaltar que estas 4 ondas podem ocorrer simultaneamente e desde o início da pandemia já existe um processo de comprometimento da saúde mental da sociedade.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a partir do momento que a 4ª onda de consequências se instala, diferentemente das ondas de uma pandemia que oscilam em aumento e diminuição de casos, esta onda crescente de doenças mentais não apresentará uma curva decrescente, formando um platô que pode levar anos para ser revertido aos níveis anteriores. De acordo com pesquisa da ABP, ainda de 2020, realizada em 23 estados e no Distrito Federal, 47,9% dos psiquiatras entrevistados relataram aumento nos atendimentos, 89,2% identificaram agravamento do quadro psiquiátrico dos pacientes, 67,8% atenderam novos pacientes, 69,3% atenderam pacientes que já haviam recebido alta. Já a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fez um levantamento entre março e abril de 2020 em 23 estados e identificou aumento de 90% nos casos de Depressão. Lembro que a Depressão é a principal causa do suicídio e, reitero, que este levantamento ocorreu no início da pandemia.

Os Transtornos de Ansiedade e a Depressão apresentam fatores de risco internos, quais sejam, genéticos (com relevo para a hereditariedade), comportamentais (timidez, negatividade, dificuldade de gerenciar o estresse, entre outros), dependência química e condições de saúde, que normalmente se somam a fatores externos, por exemplo, eventos traumáticos vividos, violência, estresse familiar ou ambiental e sedentarismo.

Como vimos, o estresse é um fator de risco para desencadear ou potencializar os Transtornos de Ansiedade e a Depressão. Portanto, a carga de tensão vivida pela humanidade nesta pandemia, a qual fez com que o mecanismo orgânico do estresse fosse acionado de maneira continuada em um número infinito de pessoas, pode ter desencadeado danos físicos e mentais. Perante esta lógica científica, os estudos a respeito da 4ª onda de consequências pandêmicas devem ser olhados com muita atenção e medidas preventivas precisam ser tomadas.

Importante dizer que, quando falamos de saúde mental, também não podemos deixar de considerar a importância de se desenvolver a Inteligência Emocional, a qual vem sendo estudada desde 1920, cientificamente aceita e sedimentada através do conceito difundido pelo psiquiatra Dr. Daniel Goleman em 1995.

A saúde mental é uma pauta para ser abordada durante o ano todo, contudo, o Janeiro Branco, esta campanha brasileira, se faz muito importante em conteúdo e na época em que é implementada, momento de planejar o ano, e para isto a saúde mental precisa estar em plenas condições.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...