As “viroses” ocorrem o ano todo, mas na temporada de verão a sua incidência aumenta vertiginosamente em função de um conjunto de fatores, quais sejam: calor intenso, praias ou piscinas lotadas, falta de higiene pessoal, areia contaminada, água poluída e alimentos contaminados.
Virose é um termo pouco específico, que significa doença viral ou infecção provocada por vírus. Perante a semântica do termo, estaremos diante de um gigantesco grupo de doenças virais diferentes, desde as mais simples como a gripe e o resfriado, passando pela dengue, sarampo e até as mais graves, como a AIDS, hepatite e ebola.
Apesar do termo “virose” abranger todas as infecções de origem viral, no jargão médico é utilizado para diagnosticar as infecções virais mais leves, predominantemente de origem respiratória ou gastrointestinal, sendo autolimitadas, ou seja, curam-se espontaneamente após alguns dias, não havendo a necessidade de tratamento medicamentoso e quando este é prescrito, é em caráter de minimizar os sintomas.
Podemos dividi-las em 3 grandes grupos, perante os principais quadros clínicos provocados: Respiratórias, Gastrointestinais e Exantemáticas.
As respiratórias são provocadas pelo vírus da gripe (Influenza) ou por um dos mais de 200 vírus que provocam o resfriado, sendo os mais comuns o Rinovírus (30 a 50% dos casos), o Adenovírus e o Coronavírus. Os sintomas mais comuns são: febre baixa (abaixo de 38,5ºC), espirros, coriza, sinusite, tosse, conjuntivite, dor de cabeça, dor de garganta, dor no corpo, cansaço e mal-estar generalizado. Sua duração é de 2 a 7 dias e a transmissão se faz por gotículas expelidas pela boca ou nariz da pessoa contaminada.
Com relação à gripe e o resfriado, são infecções virais do sistema respiratório, porém, apesar de apresentarem sintomas parecidos, são causadas por diferentes vírus. Além disso, os sintomas da gripe são muito mais intensos e ela pode causar problemas significativos, podendo levar à pneumonia. Contudo, existe vacina contra a gripe, a qual é redimensionada anualmente, conforme a presença de novas cepas virais e se não impede a contaminação, evita a manifestação da doença ou quadros mais severos da mesma.
As gastrointestinais abrangem a maioria dos casos de diarreia aguda, sendo os principais vírus causadores o Rotavírus e o Novovírus. Os sintomas são: quadro de diarreia (não sanguinolenta), cólicas abdominais e vômitos (principalmente nos primeiros dias) e febre baixa (abaixo de 38,5ºC). O quadro dura de 3 a 7 dias, devendo apresentar sinais de melhora entre 48 e 72h e o maior cuidado é com a reposição de líquidos.
As exantemáticas provocam o aparecimento de exantemas, quais sejam, erupções avermelhadas na pele. Entre as mais conhecidas, a Catapora, a Rubéola e o Sarampo. A Dengue, a febre Chikungunya e a febre Zica, também são exemplos, apesar das lesões de pele não serem seus sinais mais importantes. Esclareço que algumas viroses respiratórias e gastrointestinais também podem causar manchas avermelhadas na pele.
Não é incomum, os pacientes terem formas brandas e atípicas de algumas viroses exantemáticas clássicas (Catapora, Dengue ou Rubéola) e só venham a descobrir, ao fazerem exames de sangue, tempos depois, visto a similaridade de sinais e sintomas.
O diagnóstico, por parte do médico, normalmente é feito através do quadro clínico, a solicitação de exames complementares pode ser indicada quando o médico não se sentir seguro com o diagnóstico de “virose”.
Reitero que, “virose” é um jargão médico que designa diversos tipos de infecção viral que são brandas e autolimitadas, notadamente de ordem respiratória ou gastrointestinal, mas podendo também designar ocorrências brandas de dengue ou catapora, por exemplo. O seu tempo de duração é de 2 a 7 dias, com tempo médio de 5 dias, normalmente o diagnóstico é feito pelo médico com base no quadro clínico, sendo que, entre 48 e 72 horas uma avaliação do quadro geral é importante e, em não havendo evolução do mesmo, exames complementares para proverem uma investigação mais ampla, se faz necessário. O tratamento é repouso, por vezes reposição de líquidos e medicamentos podem ser utilizados para minimizar os sintomas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), higienizar as mãos, ato básico de saúde, principalmente antes das refeições e ao usar o banheiro, pode reduzir em até 40% a contaminação por “viroses”. Esta higiene se faz com água e sabão e a complementação com álcool gel é salutar, em especial antes de manipular alimentos.
Os casos crescem nesta época do ano em função do aumento exponencial da população nas cidades litorâneas, o que leva a graves problemas com o abastecimento de água e o saneamento básico/balneabilidade das praias, com a consequente impropriedade de uso. Também o consumo de alimentos e bebidas, que aumenta substancialmente nesta época, carece de cuidados com relação à sua origem, manipulação e acondicionamento, o que pode levar a sua contaminação. Ainda do aumento da população advém uma maior circulação viral.
Ao poder público repousa a responsabilidade de ações de governança que garantam infraestrutura urbana, fiscalização e condições sanitárias adequadas, conquanto ao veranista que se atenha as condições de balneabilidade das praias, a origem dos alimentos e bebidas que consome, procure ferver a água encanada antes consumir, não beba água do mar ou da piscina, evite frequentar ambientes fechados e com alta concentração de pessoas, proteja com as mãos ao espirrar, lave as mãos com constância, adote atitudes de higiene pessoal e ajude a cuidar e manter a cidade que mora ou visita.
Vem comigo!!!
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