Ao tempo em que os meios de produção iniciaram a transição para novos processos de manufatura a partir da 1ª Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em 1760 e que teve o seu término em 1840, a Sociedade também evoluiu em seus modelos de organização social. Em janeiro de 2016, o governo japonês lançou o 5º Plano Básico de Ciência e Tecnologia e a partir deste documento, o qual elenca políticas de inovação a serem estimuladas até 2021, identificou-se o conceito da “Sociedade 5.0”. O 5º modelo de organização social se iniciava, com foco em propiciar as condições para que o desenvolvimento tecnológico trabalhe em prol do bem-estar humano, da qualidade de vida e da resolução de problemas sociais.
No que tange a evolução nos processos de produção, identificam-se 4 momentos, conotados como revoluções industriais, quais sejam: a 1ª Revolução Industrial, que se iniciou em 1760, na Inglaterra, sendo paradigma de produção de grande escala; a 2ª, que se iniciou em 1850, abrangendo o desenvolvimento de indústrias elétricas, de petróleo, química e aço, ainda a evolução nos meios de transporte e comunicação; a 3ª, que se iniciou em 1950 e teve como marca a gradual evolução da mecânica analógica para a digital, o uso de microcomputadores e a criação da internet (1969), e a 4ª, ainda em curso, iniciada em 2011 e que está relacionada com a conjunção das tecnologias existentes e que estão transformando o mundo.
Na mesma medida, a sociedade também evoluiu em seu modelo de organização, afora a Sociedade 5.0 que estamos vivenciando, identificam-se outros 4 momentos de evolução ou mesmo, de revolução, quais sejam: Sociedade 1.0, da caça, datada do início de nossa espécie, quando os seres humanos eram caçadores-coletores, apresentando características migratórias atrás da oferta de alimentos; Sociedade 2.0, da agricultura, o desenvolvimento das técnicas de cultivo de alimentos provoca a transição do modo de vida nômade para o sedentário, possibilitando um grande aumento na população global; Sociedade 3.0, industrial, marcada pelo surgimento dos motores a vapor e pela 1ª Revolução Industrial, pelo aumento na produção de bens de consumo e pelo impacto da atividade humana no clima; Sociedade 4.0, da informação, se inicia com o surgimento dos computadores, é marcada pela era digital, a consequente revolução no processamento de dados e a possibilidade de comunicação em tempo real entre as pessoas em qualquer parte do planeta.
A Sociedade 5.0 se propõe, a partir de um modelo de organização social, a utilização de diversas tecnologias como big data (conjunto de dados coletados em volume e velocidade cada vez maiores), inteligência artificial, internet das coisas – IoT (interconexão digital de objetos cotidianos com a internet), computação em nuvem, energias renováveis, robótica, telemedicina e veículos autônomos, a criar soluções para as necessidades humanas, tendo o intuito de buscar prover os serviços necessários para o bem-estar a qualquer hora, em qualquer lugar e para qualquer pessoa.
Este projeto do governo japonês trabalha em prol do equilíbrio, do avanço econômico com a resolução de problemas sociais. Se a Sociedade 4.0 revolucionou com a digitalização do planeta Terra, facilitando a vida das pessoas, mas com foco no lucro corporativo, a Sociedade 5.0 procura revisar as intenções e os resultados desta revolução digital com foco no ser humano, utilizando as tecnologias avançadas que são utilizadas na indústria 4.0, da 4ª Revolução Industrial que vivenciamos.
Este modelo traz o conceito da Smart City (Cidade Inteligente), cidades conectadas, que utilizam de maneira criativa e eficaz as tecnologias da informação, por exemplo, redes hidráulicas controladas por centrais remotas, transporte público integrado, informações de big data para embasar decisões administrativas e sistema que permite encontrar vagas de estacionamento por aplicativo de celular. No Brasil, Águas de São Pedro (SP) já adota este conceito.
A Sociedade 5.0 se expressa também no ambiente doméstico, através da Smart Home (Casa Inteligente), onde todas as funções básicas do domicílio estão conectadas digitalmente. Aborda a evolução da telemedicina e da robótica no ambiente de saúde, direcionando o seu olhar para todas as áreas que envolvem a participação do ser humano e a possibilidade de avançar tecnologicamente, mas, reitero, com foco na humanidade.
Os 3 principais valores chave deste novo modelo social, são: qualidade de vida, inclusão e sustentabilidade. Apresentando o desafio da mudança de paradigma social, evoluindo da mentalidade individualista para um pensamento de colaboração, cocriação e busca do bem comum.
Partindo desta premissa, o mundo corporativo está sendo cobrado sobre o propósito social das empresas e na preservação do meio-ambiente. Existe a construção de uma nova mentalidade em curso, claro que existem resistências, contudo, as empresas, gradativamente, estão se tornando aderentes a esta nova realidade, por exemplo, no Vale do Silício, nos EUA, epicentro das empresas de tecnologia, as startups com forte propósito social têm ampliado a sua conquista de espaço.
O mundo está imerso em profundas transformações, se no aspecto individual, o desenvolvimento humano, tendo por base a inteligência emocional, é um pré-requisito para o bem viver e para profissionais de alta performance, na mesma medida, de maneira coletiva, existe uma busca por direcionar a evolução tecnológica para o bem-estar da humanidade e a preservação do planeta Terra, e isto me parece inteligente e necessário.
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