terça-feira, 24 de agosto de 2021

A TECNOLOGIA EVOLUINDO EXPONENCIALMENTE A CIÊNCIA E TRANSFORMANDO A MEDICINA.



Vivemos um tempo de imensa evolução tecnológica e isto impacta grandemente na evolução da ciência e está transformando a área médica, facilitando o acesso, modificando processos, salvando vidas e gerando empoderamento ao paciente.

Esta evolução está redefinindo os processos cirúrgicos, cada vez menos invasivos, com um pós-operatório menos traumático e uma recuperação mais rápida. A expectativa de vida da população está aumentando em função disto, países como o Japão alcançaram uma média de expectativa de vida de 85 anos, o Brasil já atingiu 74 anos.

Se a expectativa de vida tem aumentado, já existindo esperança de cura de muitas doenças e a reparação de restrições físicas congênitas ou adquiridas, em evolução proporcional, a qualidade de vida tem evoluído. Em paralelo a isso, a Tecnologia da Informação (TI) é utilizada de maneira cada vez mais eficaz para armazenar e compartilhar dados dos pacientes, os quais podem ser de todas as ordens e utilizados, por exemplo, numa emergência hospitalar para ter prontamente informações sobre o seu histórico clínico, possíveis alergias, doenças pré-existentes e outras informações vitais para a estabilização e tratamento.

A TI está sendo utilizada de maneira crescente para a gestão de estoque de clínicas e hospitais, em programas de prontuários cada vez mais sofisticados, na gestão administrativa de Estruturas de Atenção em Saúde e em uma infinidade de outros processos relacionados a gestão e aos cuidados em saúde de estrutura sanitárias de diferentes linhas de atenção. Na linha de cuidados, a telemedicina já se tornou ferramenta de uso corriqueiro em unidades de saúde e hospitais públicos, propiciando que o médico especialista instrua, a distância, o médico generalista ou os profissionais de enfermagem a executarem, por exemplo, exames onde os laudos são enviados on-line. O eletrocardiograma é um dos mais executados por telemedicina.

Em outro extremo, o da sofisticação tecnológica, robôs possibilitam cirurgias cada vez menos invasivas, mais eficientes e eficazes, apresentando um pós-operatório de melhor qualidade. Os exames de diagnóstico por imagem também evoluíram bastante, um exemplo disto é o Pet Scan (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons), o qual está sendo muito utilizado para o diagnóstico precoce do Câncer e é capaz de mostrar como o corpo está funcionando, visualizando as alterações em nível celular, sendo mais amplo em informações e na possibilidade da identificação precoce da doença que os exames de ressonância magnética e tomografia computadorizada. Na mesma medida, as células tronco possibilitam a recuperação de órgãos e tecidos, salvando pacientes outrora em estado terminal e restaurando a qualidade de vida.

Como vimos, a evolução tecnológica está impactando todos os processos médicos, desde a prevenção, elaboração de diagnóstico, passando pela linha de cuidados, os ritos cirúrgicos e pós-cirúrgicos. Da mesma forma, o acesso aos serviços também está sendo impactado e em processo rápido de transformação. A marcação de consultas online está crescendo em uso (inclusive no serviço público), os aplicativos de agendamento de serviços médicos no próprio domicilio e os Home Care, estão em franca expansão.

No passado, o médico ou a clínica se estabelecia e criava ou adquiria um ponto comercial próximo a farmácias, hospitais e locais de grande circulação de pessoas, apostava no volume e na notoriedade de profissionais da área envolvidos, no intuito de criar um local de procura óbvia (se organizando em condomínios ou clinicas), somando-se a isso o atendimento a pacientes de planos de saúde, a plantões em hospitais e o tempo a conspirar para retribuir o retorno pelo bom trabalho em visibilidade e crescimento profissional. Nos dias atuais esta cartilha se amplia com a incorporação de novas tecnologias no tratamento, no acesso do paciente e na divulgação do profissional.

Atualmente a tecnologia promoveu um empoderamento do paciente e os profissionais de saúde precisam ter à disposição várias ferramentas digitais para satisfazer o cliente na facilitação do acesso e na divulgação de seus serviços. Os projetos de marketing digital são uma necessidade cada vez mais presente, divulgando, nos conformes do que a lei permite, seu trabalho como profissional através de conteúdos publicados em plataformas digitais como: Facebook, Instagram e LinkedIn, também em sites e blogs. A tradicional secretária que fazia a agenda dos pacientes por telefone está sendo rapidamente substituída pelo catálogo online, onde se procura a especialidade desejada e o profissional mais próximo de sua residência.

Os processos internos de uma clínica também se alteraram bruscamente, os cadastros são eletrônicos e exigem dados importantes de pré-consulta que possibilitem a pós-consulta e a fidelização do paciente. Os agendamentos ainda são híbridos, mas se encaminham rapidamente para se tornarem unicamente online.

Como vemos, a tecnologia evoluiu incrivelmente a ciência, como exemplo, temos nesta pandemia da Covid-19 a elaboração de vacinas em tempo recorde, lembrando que anteriormente a vacina da Caxumba tinha sido elaborada em menor tempo (4 anos), com tecnologia bastante avançada (inclusive a genômica), seguras, eficientes e muito eficazes. Esta evolução também impactou todos os processos que constituem uma estrutura de atenção em saúde (desde uma clínica até um hospital), ainda a forma de acesso do paciente aos serviços e os mecanismos de informação.

A evolução tecnológica cria condições para vivermos mais e com maior qualidade de vida, ao mesmo tempo transforma de maneira irreversível a área da saúde e fortalece o empoderamento do paciente.

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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

LONGEVIDADE E QUALIDADE DE VIDA: COMO VIVER MAIS E MELHOR

 


O ser humano está vivendo mais, a despeito da pandemia que reduziu mundialmente a expectativa de vida das pessoas. No Brasil houve uma redução de 2 anos, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com a Universidade de Harvard (EUA), contudo, até 2019, a expectativa de vida do brasileiro seguia uma curva crescente até atingir a média de 74 anos. Ao compararmos com nossos vizinhos da América do Sul, temos uma expectativa de vida menor que a Argentina (76 anos), o Uruguai (77 anos) e o Chile (80 anos). O Japão é o país com maior expectativa de vida, 84 anos e a média mundial é de 66,57 anos.

Este aumento está diretamente relacionado com o desenvolvimento social e a evolução da ciência, entretanto, existe uma correlação entre renda e saúde, a qual é perceptível quando comparamos a expectativa de vida dos países ricos e pobres.

No Brasil, cerca de 35 milhões de pessoas não tem acesso à água potável e 100 milhões não tem acesso à coleta e tratamento de esgoto, segundo o Ranking do Saneamento elaborado pelo Instituto Trata Brasil e pela GO Associados. Sobrevivem com até R$ 247,00 por mês, algo em torno de 27 milhões de pessoas e com a pandemia, pesquisas indicam que este número tende a triplicar. Nosso país lidera o ranking mundial de pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (9,3% da população), é o 5º em casos de Depressão (5,8% da população) e o 8º em número de suicídios por ano, 12 mil. Será que estes indicadores impactam na expectativa de vida do brasileiro?

No início do século XIX, a expectativa de vida na Europa tinha a média de 35 anos, na Ásia e na África girava em torno de 28 anos. O planeta era habitado por algo em torno de um bilhão de pessoas, hoje somos mais de sete bilhões. Esta superpopulação do planeta é um ambiente propício para a proliferação de diversas doenças, em especial as virais, como esta pandemia que assola o mundo desde o final de 2019. Esta situação se soma a degradação ambiental, aos maus hábitos alimentares e de higiene, a desigualdade social, a fragilidade dos sistemas de saúde de diversos países, a falta de acesso à água potável e a ausência de saneamento básico que atinge um contingente imenso de pessoas globalmente para configurar um núcleo amplo dos que vivem, de alguma forma, em situação de risco.

Apesar do desenvolvimento que vivemos em diversas áreas e neste século, de maneira importante, na área da tecnologia, a qual transforma diariamente a vida das pessoas, criando facilitações jamais imaginadas e impactando de maneira exponencial na evolução dos processos na área da saúde, de outra medida a superpopulação do planeta faz com que problemas conjunturais se ampliem e que a diferença entre ricos e pobres influencie decisivamente na longevidade da espécie humana.

Os problemas conjunturais como a falta de acesso à água potável e a precariedade das medidas de higiene e saneamento básico, influenciam negativamente na expectativa de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% das doenças registradas ao redor do mundo poderiam ser evitadas se os países investissem mais na resolução destes problemas, paradoxalmente, a evolução positiva na expectativa de vida tem como um dos seus indicadores a melhoria que o mundo tem alcançado nestes quesitos. A alimentação também se configura como indicador importante para a longevidade humana, sendo que o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, com alimentos mais nutritivos, estão sendo fundamentais para que as pessoas criem maior resistência às doenças, contudo, segundo a OMS, mais de 820 milhões de pessoas passaram fome em 2018.

A medicina e a tecnologia também se associam para configurar um indicador importante. Se a ciência transformou em realidade o caminho para o fim da pandemia da Covid-19 através das vacinas, as mais rápidas já elaboradas e com tecnologia extremamente avançada, como a genômica, na mesma medida, tem prolongado a vida humana, tornado as cirurgias menos invasivas e o pós-operatório menos traumático e mais rápido. Vivemos o tempo das cirurgias robóticas, das células-tronco e da telemedicina.

Se o perfil etário da humanidade está mudando com o envelhecimento da população, neste caminho os desafios se tornam diferentes e isto se explicita no aumento da taxa de suicídios de pessoas com mais de 70 anos no mundo, preocupação apontada pela OMS em 2018. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, em dados divulgados em 2018, houve um aumento de 5,5 para 8,9 suicídios por 100 mil habitantes, de pessoas com mais de 70 anos, entre os anos de 2012 e 2017, sendo que a população com mais de 60 anos, neste mesmo lapso temporal, aumentou em 18,8%.

Estamos vivendo por mais tempo, isto é fato. Conciliar longevidade e qualidade de vida nos faz conjugar o binômio saúde e bem-estar. Planejamento de vida se faz necessário, além de mudar a mentalidade com relação ao envelhecimento, entendê-lo como um processo continuado que se inicia com o nascimento. A sociedade também precisa evoluir o seu conceito com relação aos mais velhos, isto é importante em qualquer tempo, ainda mais neste momento onde a idade cronológica que caracteriza a velhice está sendo cada vez mais alongada. Os cuidados com a saúde física e mental são essenciais, assim como se manter ativo e jamais perder a chama dos sonhos.



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terça-feira, 17 de agosto de 2021

SUS, 33 ANOS: MARCO DA TRANSFORMAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA DO BRASIL.

 



O Sistema Único de Saúde (SUS), antes tão combatido e incompreendido, tem sido o maior alicerce do combate a pandemia da Covid-19 no Brasil. Este sistema de modelo Universal, atende gratuitamente, com ofertas de serviços bastante amplas e de maneira capilarizada por todo o país. Mas, antes de nos aprofundarmos no seu entendimento, que tal conhecermos um pouco da história e de como era o nosso modelo de saúde pública antes do advento do SUS?

A saúde brasileira, tanto pública quanto suplementar, passou por um amplo processo de estruturação a partir da criação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs) em 1933, ainda nos anos 30 tivemos o início da grande expansão da área hospitalar, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo iniciou sua construção em 1938 e foi inaugurado em 1944 durante a solenidade de aniversário do presidente Getúlio Vargas. Para se ter uma dimensão dos parâmetros hospitalares da época em comparação com os dias atuais, onde os hospitais apresentam dimensões menores, o HC foi construído em uma área de 4600m², contando com 11 andares, 1200 leitos, 207 enfermarias, 17 salas cirúrgicas, 106 quartos de 1 e 2 leitos, 125 conjuntos sanitários e 600 outras dependências.

Este processo de estruturação foi dado continuidade com a criação das Caixas de Assistência (CASSI) nos anos 40 e do Ministério da Saúde (MS) em 1953. O modelo de saúde no Brasil era de Seguro Social, onde só tinha direito à gratuidade dos serviços aqueles que tinham carteira de trabalho assinada, sendo que a oferta de serviços era bastante limitada e concentrada. Este modelo vigente na época evoluiu em organização em 1966 com a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e na transformação deste no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) em 1978.

Esclareço que, o que define o modelo de saúde de um país é a hegemonia de determinada forma de organização e financiamento, sendo classificados como: Universal (financiamento público, oferta de serviços integral e acesso gratuito), Seguro Social (o financiamento é por aporte e contribuição dos empresários e trabalhadores, só dando cobertura aos contribuintes), Seguro Privado (financiamento privado e acesso ao público aderente) e Assistencialista (o Estado só da assistência às pessoas mais vulneráveis e carentes).

As discussões a respeito da reforma sanitária se iniciaram nos anos 60 e esta ganhou corpo após a redemocratização do nosso país, com seus preceitos estando contidos na Constituição de 1988 e configurados através do SUS.

Os artigos da Constituição de 1988 que abordam especificamente a saúde vão do 196 ao 200 e já no artigo 196 estão expressas as garantias constitucionais que balizaram os princípios e diretrizes do SUS, com esta redação: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e equalitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A Lei Complementar a Constituição nº 8080/1990 é considerada a Lei Orgânica da Saúde, tanto pública quanto suplementar ou privada, estando contida nela os princípios e diretrizes do SUS. Os seus princípios são: Universalidade, o que garante a todo cidadão brasileiro o acesso gratuito e equalitário ao sistema em qualquer parte do país; Integralidade, o que impõe uma oferta de serviços ampla e na dimensão das necessidades da população e Equidade, que significa tratar de maneira diferente os diferentes, qual seja, cada região tem um perfil epidemiológico e necessidades sanitárias que devem ser contempladas. As suas diretrizes são: Descentralização, Regionalização, Hierarquização e Participação Social.

Com relação a Participação Social, existe uma Lei Complementar a Constituição específica sobre este importante tema, a LC nº 8142/1990, a qual também aborda o financiamento do sistema, que é tripartite, com recursos oriundos do Governo Federal, estados e municípios. Esta Lei impõe a criação dos Conselhos de Saúde, em âmbito nacional, estadual e municipal, sendo que estes atuam como coparticipes de gestão, formulando estratégias e no controle da execução das políticas de saúde, sendo organismos de fiscalização das gestões do SUS. A garantia do fluxo social na gestão do sistema, como já foi dito, é uma diretriz constitucional (art.198) e também está configurada na LC nº 8080/1990.

O SUS é um sistema de saúde de modelo Universal que tem como inspiração o sistema de saúde mais bem avaliado do mundo, o do Reino Unido. Diversos países adotam este modelo: Canadá, Dinamarca, Suécia, Espanha, Portugal, Cuba, França, entre outros. Este sistema busca a democratização do acesso a saúde, a diminuição dos impactos da desigualdade social e, ao meu ver, é o modelo mais justo e eficaz.

Nestes 33 anos desde a sua criação, o SUS se tornou o sistema de saúde predominantemente público com maior cobertura populacional e de oferta de serviços no mundo. Ao adotar a Estratégia de Saúde da Família como Política de Estado da Atenção Básica (porta de entrada do sistema que gerencia os encaminhamentos para as outras linhas de cuidados), o SUS priorizou a prevenção das doenças, sem esquecer a importância do tratamento. Os investimentos foram e são altos para capilarizar a oferta de serviços através das Unidades Básicas de Saúde, sem esquecer do investimento em tecnologia.

Muito precisa ser melhorado, mas o SUS está sustentando o enfrentamento desta pandemia.

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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...