terça-feira, 23 de março de 2021

REGIÃO SUL, NOVO EPICENTRO DA PANDEMIA


O Ministério da Saúde (MS) identifica a Região Sul do país como novo epicentro da pandemia e esta situação alarmante é consubstanciada por recordes em números de óbitos/dia nos 3 estados, Rio Grande do Sul (RS) com 514 óbitos registrados em 17/03, Paraná (PR) com 310 óbitos em 16/03 e Santa Catarina (SC) com 167 óbitos em 16/03. Para se ter um comparativo, no dia 16/03 o RS esteve atrás apenas de São Paulo (SP), que registrou 617 óbitos neste dia. Lembro que o RS tem mais de 11,4 milhões de habitantes, enquanto SP tem mais de 46,2 milhões, segundo o censo do IBGE de 2020, portanto, uma população quase 4 vezes menor.

As consequências desta situação de caos sanitário já podem ser percebidas, se nos estados do Norte, o abastecimento de oxigênio hospitalar se tornou um nó crítico, nos estados do Sul os sistemas de saúde estão em colapso, com filas de espera para leitos de UTI Covid e os insumos, assim como as medicações para entubar os pacientes, começam a faltar.

É importante perceber que o RS foi considerado estado modelo no combate a esta pandemia no início desta crise sanitária. SC, estado que implementou um distanciamento social ampliado em 17/03/2020, quando havia apenas circulação comunitária do vírus no sul do estado, portanto, a meu ver, de maneira a suscitar discussões sobre o momento e a dosimetria de uso desta medida que causa grandes prejuízos econômicos e psicológicos, também foi considerado, por muitos, como um modelo a ser seguido. Já o Paraná, sempre esteve na vanguarda das ações de enfrentamento. Então, o quê aconteceu para que o quadro se revertesse de maneira tão radical?

As explicações me parecem claras, a começar por um negacionismo e uma inércia nas ações de governança desta crise sanitária, por parte do Governo Federal, que se alastra e pressiona estados e municípios. Afinal, as medidas de distanciamento social, somadas a cuidados de higiene e o uso da máscara, são as formas de prevenção, as quais se completam com as vacinas. Mas sabemos que medidas rígidas de distanciamento social são impopulares, visto os prejuízos severos na economia. Se visitarmos o nosso passado recente, percebemos que desde a campanha eleitoral municipal, todas as medidas de enfrentamento foram afrouxadas, como se a pandemia houvesse se encerrado. Soma-se a isto, a ocupação, desprovida de qualquer cuidado sanitário, das praias e equipamentos turísticos nestes 3 estados a partir de 12/10/2020, o que se avolumou nas festas de final de ano, mesmo com a inexistência de eventos públicos e no carnaval. Foi uma beleza, muita gente visitando estes estados, se aglomerando nas praias sem qualquer tipo de cuidado e com uma absoluta inexistência de fiscalização sanitária ou mesmo algum trabalho de conscientização para o momento vivido.

O Governo Federal, que engata seu 4º ministro da saúde nesta pandemia, se superou em falta de planejamento, no menosprezo à ciência e na falta de valorização à vida humana, ao descredenciar, em massa, leitos de UTI na virada do ano. Segundo o Conselho Nacional de Secretarias de Estado da Saúde (CONASS) de 11.565 leitos de UTI - Covid, o número passou para 3.372, uma diminuição de 70%. Jamais implementou uma política de testagem em massa da população, o que permitiria cortar a cadeia de contágio e identificar quadros de situação da pandemia, nem tampouco, desenvolveu campanhas de conscientização ou estimulou estados e municípios para que o fizessem, ao contrário disto, desenvolveu narrativas dissonantes da grave situação sanitária vivida. Para piorar, não adquiriu vacinas de maneira antecipada e nem ao menos, desenvolveu uma logística de aquisição de insumos. Como consequência, sobram dúvidas e faltam vacinas.

Mas, como reza o dito popular, “o que está ruim, ainda pode piorar”, esta “geleia real” de irresponsabilidade e falta de ações de governança que domina nosso país nesta grave crise sanitária, acarreta uma segunda onda pandêmica muito mais agressiva ou, como defendem alguns cientistas, uma nova pandemia patrocinada por uma nova cepa viral, nascida em nosso país, mais precisamente em Manaus-AM, a P1, a qual tem maior velocidade de contágio, atinge de maneira importante pessoas com menos de 50 anos, leva a estágios mais graves da doença mais rapidamente e por conter a mutação E-484k, a qual dribla os anticorpos, pode alterar a eficácia das vacinas.

Os motivos para vivermos este caos sanitário estão claros, mas nosso país, responsável por 20% das mortes por Covid-19 no mundo, causa apreensão global pela perspectiva de se tornar uma “fábrica” de novas variantes mais agressivas, com grande possibilidade de alterarem substancialmente a eficácia das vacinas. Isto ocorre pela combinação de uma vacinação em “conta-gotas” com a transmissão descontrolada do Sars-Cov-2. Afinal, a vacina precisa de um tempo para a formação de anticorpos, com uma transmissão acelerada, uma pessoa recém-vacinada pode ser contaminada e a variante ao se deparar com uma quantidade ainda pequena de anticorpos, ao se replicar, pode promover mutações mais resistentes a esses anticorpos e potencializar uma cadeia evolutiva de cepas virais mais agressivas e com maior resistência às vacinas.

Entendo que o momento vivido é muito grave e enfatizo a necessidade de campanhas de conscientização, afinal, sem o comprometimento da população se torna difícil superar esta pandemia. Quanto aos governos, menos narrativas e mais ações.



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terça-feira, 16 de março de 2021

BRASIL, NO CAOS PANDÊMICO FALTAM CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO


 



O Brasil voltou a ser o epicentro da pandemia da Covid-19, enquanto grande parte dos países demonstram aprendizado com a primeira onda deste evento sanitário sem precedentes, nosso país apresenta dia após dia recordes de mortes, a mais de 50 dias, com números acima de 1000 mortes/dia, em 10/03 registrou 2.349 óbitos, totalizando nesta data 270.917.

Enquanto os países do Continente Europeu, os EUA, Israel, Canadá e diversos outros países, inclusive muitos da América Latina, adquiriram vacinas com antecedência e desenvolveram uma logística de aquisição de insumos, nosso país se aliou ao negacionismo, por parte do Governo Federal, a ações de governança que se mostraram frágeis, a discussões intermináveis sobre a importância do distanciamento social e sua ação deletéria para a cadeia produtiva e buscou o caminho da cura milagrosa através de medicações sem comprovação científica de uso para tratar a Covid-19, algumas com a possibilidade de efeitos colaterais perigosos. É um retrato deste período, as manifestações negacionistas, com pessoas aglomeradas, sem usar máscaras e portando cartazes onde se lia: “quem tem cloroquina, não precisa de vacina”.

Sempre correndo atrás do prejuízo e isto é fatal em uma pandemia, aliás, como os indicadores de mortalidade estão comprovando, com um volume de testagem da população baixíssimo, trabalhando por mitigar a tragédia com incrementos de última hora de leitos hospitalares de retaguarda e de UTI, vimos surgir no país uma nova cepa viral, a P1, originada em Manaus-AM, a qual o Ministério da Saúde (MS) foi incapaz de conter, tendo colapsado os sistemas de saúde dos estados do Norte e se disseminado por mais de 12 estados, levando o caos, através de sua maior velocidade de contágio, por atingir um público mais jovem e também por evoluir rapidamente para quadros graves da doença, tendo a possibilidade de reinfectar pessoas já infectadas por outras cepas virais.

Com uma vacinação em “conta-gotas”, na preocupação de as vacinas serem eficazes contra esta nova variante e vendo surgir uma nova cepa viral no Rio de Janeiro-RJ, a P2, o Brasil se tornou uma preocupação para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e para o restante do mundo, pelo fato de além da tragédia sanitária em curso, se tornar um “laboratório” para o desenvolvimento de novas variantes mais agressivas do Sars-CoV-2.

Emerge de maneira importante nesta ausência de governança da pandemia em nosso país, a falta de conscientização de boa parte das pessoas. Parece incrível, mas em mais de um ano deste evento sanitário em terras nacionais, não houve qualquer movimento do Governo Federal, ou mesmo dos estados, para prover campanhas que suscitem o entendimento do momento vivido e das responsabilidades de cada qual para superá-lo. Sem o comprometimento da população, mesmo com vacinas, será difícil vencermos esta pandemia.

As campanhas de educação sanitária tiveram início em nosso país no final do século XIX e início do século XX, com o intuito de mudar os paradigmas relativos a atitudes de higiene e cuidados pessoais, adequando-os às novas realidades sociais e da ciência, sendo fundamentais para o combate da Varíola, da Febre-Amarela, da Poliomielite e do HIV- AIDS.

Os mais antigos se lembrarão do personagem “Sujismundo”, criado por Rui Perotti em 1972, em pleno Regime Militar, personagem porcalhão e mal-educado, que protagonizou uma campanha para melhorar os hábitos de higiene e limpeza da população: “Povo desenvolvido é povo limpo”. Este personagem caiu no gosto popular e virou sinônimo de pessoas que, assim como ele, tinham maus hábitos de higiene. Ele foi utilizado entre 1977 e 1979 para reforçar a importância da vacinação, introduzindo outro personagem, o “Sujismundinho”, seu filho, mas diametralmente oposto no comportamento e que procurava conscientizar o pai, um negacionista e reacionário contumaz, para a importância das boas práticas de higiene, da vacinação e da ciência. Estes personagens e a campanha que os utilizou foram importantes, por exemplo, para a erradicação da Poliomielite no país, alcançada em 1989.

Em 1986, o artista plástico Darlan Rosa, criou o Zé Gotinha, bonequinho simpático e personagem central de campanhas para incentivar a vacinação contra a Poliomielite, sendo hoje utilizado como símbolo de campanhas vacinais em nosso país. Não podemos esquecer de campanhas nos moldes do Outubro Rosa, de estímulo e conscientização para atitudes de prevenção contra o câncer de mama e de colo de útero, o Novembro Azul, nos mesmos moldes, focada na prevenção do câncer de próstata e nas campanhas desenvolvidas pelo MS para conscientizar, em especial os mais jovens, sobre práticas sexuais seguras com foco na prevenção do HIV-AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Entendo como fundamental que sejam desenvolvidas campanhas de educação em saúde, com foco na conscientização e esclarecimento das pessoas sobre todo o contexto desta pandemia, a importância das vacinas e que cada um tem que fazer a sua parte, usando máscara, tomando cuidados sanitários, adotando medidas de distanciamento social. Acredito que ainda é tempo do Governo Federal capitanear uma ampla campanha, mas independente disto, os estados poderiam fazê-lo, contudo, vejo os municípios como atores diferenciados e que deveriam viabilizar suas próprias campanhas, assim como o Poder Legislativo em âmbito municipal também poderia fazê-lo de maneira parceira ou individual, ainda as empresas e entidades da sociedade organizada, precisam acordar e se envolver de maneira mais atuante em projetos desta natureza.


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terça-feira, 9 de março de 2021

O BRASIL VIVE A MAIOR TRAGÉDIA SANITÁRIA DA SUA HISTÓRIA


 


Após um ano do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, passamos de 264 mil mortes e, em novo pico de crescimento da pandemia, estamos registrando números acima de 1000 óbitos/dia, há mais de 40 dias, sendo que, no dia 04 de março alcançamos a marca de 1910 óbitos/dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) “o Brasil vive uma tragédia”, como afirmou o Diretor de Emergência da entidade Michael Ryan.

Tragédia anunciada visto os erros cometidos pelo Ministério da Saúde (MS) desde o início, senão vejamos, quando chegou ao país já havia atingido a Europa, os EUA e outros países, sabíamos que a testagem em massa da população seria fundamental para cortar a cadeia de transmissão e prover um planejamento de contenção eficaz, que o distanciamento social seria a única maneira de diminuir a velocidade de contágio e que precisaríamos de uma estrutura hospitalar redimensionada para ofertar leitos de retaguarda e de UTI em ampla escala. Destas medidas, a ampla testagem jamais foi feita e quando se procurou testar a população, esta tarefa foi liderada pelos municípios utilizando testes rápidos, dotados de baixa eficácia. Quanto ao distanciamento social, coube a estados e municípios, liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), elaborarem suas estratégias, em alguns locais com implementação correta e em outros de maneira inadequada em tempo e dosimetria. Já a preparação do sistema hospitalar, até que se tentou, mas se em novembro de 2020 tínhamos mais de 12 mil UTIs credenciadas pelo MS, iniciamos o ano com descredenciamento em massa, como se a pandemia tivesse acabado, tendo em fevereiro de 2021 pouco mais de 3 mil UTIs credenciadas.

Se sobram erros e omissão por parte do MS, o Governo Federal, a partir do Chefe da Nação, sempre adotou uma narrativa que relativizava a pandemia, menosprezava a ciência, de maneira agressiva e, por vezes, desrespeitosa, discordava de sua evolução. Jamais suscitou a conscientização nas pessoas da importância do uso da máscara e de se evitar aglomerações, ao contrário, suas atitudes caminharam na contramão e claro, também contestou as vacinas e até se pronunciou dizendo que não iria se vacinar.

Será que esta tragédia já não estava anunciada?

Chegamos até aqui, de aglomerações em aglomerações, vitaminadas por “fake news”, as quais criam “comprovações científicas” para pulverizar a importância do uso da máscara e do distanciamento social, muitas delas reverberadas por próceres do Governo Federal, se aliando a medicações salvadoras e renegadas pela ciência como a Cloroquina, ainda negando a história que relata outras pandemias e sua evolução, como a Gripe Espanhola (jan.1918-dez.1920), a qual teve 4 ondas, a segunda a mais severa, vitimando mais de 50 milhões de pessoas, 35 mil no Brasil.

Desde as eleições municipais houve uma relativização desta pandemia por parte dos municípios, os quais até aquele momento estavam liderando a contenção e também por parte de alguns estados, muitos dos quais, desde um primeiro momento, se esforçaram em elaborar e implementar um planejamento correto.

O feriado de 12 de outubro de 2020 foi emblemático, com praias e outros equipamentos turísticos superlotados, sem qualquer preocupação sanitária e nem fiscalização governamental, depois vieram as festas de final de ano e o carnaval, sendo que nem o cancelamento dos eventos públicos impediu as pessoas de circularem, de fazerem festas particulares e de proverem aglomerações.

Com um ano de pandemia no país, com um planejamento de contenção por parte do MS e do Governo Federal eivado de erros e embasado na negação deste evento sanitário, o Governo Federal, os estados e a esmagadora maioria dos municípios foram incapazes de prover uma campanha de educação sanitária para conscientizar e comprometer as pessoas perante o grave momento que vivemos, como foi feito, por exemplo, em 1973 com a criação do personagem “Sugismundo”, em um amplo trabalho para erradicar a Varíola, o que foi alcançado e replicado para a erradicação da Poliomielite, alcançada em 1979.

Se a chegada das vacinas trouxe esperança ao mundo, em nosso país escancarou a falta de planejamento para a aquisição de imunizantes e de insumos por parte do MS, o Programa Nacional de Imunização (PNI), referência mundial, virou motivo de dúvidas e até de chacotas. Com a liberação do STF, os estados e municípios podem adquirir imunizantes e creio que terão de fazê-lo. Enquanto isso uma nova cepa viral surgida em Manaus-AM (P1) já atinge mais de 12 estados brasileiros e dá o tom desta segunda onda de maior velocidade de contágio e que atinge de maneira importante pessoas jovens. A partir desta, se estabeleceu uma nova variante no Rio de Janeiro-RJ (P2), nenhuma delas estudadas.

Em Santa Catarina, estado atingido de maneira horizontal por esta segunda onda, catapultada pela variante P1, chegamos a mais de 94 mortes/dia, já são mais de 7.800 óbitos. Com os sistemas de saúde em colapso e tendo mais de 35 pacientes indo a óbito na espera de um leito de UTI, iniciou em 27/02 um lockdown de 2 finais de semana e em 03/03 o transporte de pacientes para o Espírito Santo.

Em meio ao caos, o MS anunciou ter assinado Termo de Intenção de Compra de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer e 38 milhões da Jansen (03/03), em se concretizando, começaremos a receber lotes de maio a dezembro, mas poderão faltar seringas e agulhas.

Pois é, quem não planeja e nem respeita uma pandemia, semeia a tragédia.

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Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...