O Ministério da Saúde (MS) identifica a Região Sul do país como novo epicentro da pandemia e esta situação alarmante é consubstanciada por recordes em números de óbitos/dia nos 3 estados, Rio Grande do Sul (RS) com 514 óbitos registrados em 17/03, Paraná (PR) com 310 óbitos em 16/03 e Santa Catarina (SC) com 167 óbitos em 16/03. Para se ter um comparativo, no dia 16/03 o RS esteve atrás apenas de São Paulo (SP), que registrou 617 óbitos neste dia. Lembro que o RS tem mais de 11,4 milhões de habitantes, enquanto SP tem mais de 46,2 milhões, segundo o censo do IBGE de 2020, portanto, uma população quase 4 vezes menor.
As consequências desta situação de caos sanitário já podem ser percebidas, se nos estados do Norte, o abastecimento de oxigênio hospitalar se tornou um nó crítico, nos estados do Sul os sistemas de saúde estão em colapso, com filas de espera para leitos de UTI Covid e os insumos, assim como as medicações para entubar os pacientes, começam a faltar.
É importante perceber que o RS foi considerado estado modelo no combate a esta pandemia no início desta crise sanitária. SC, estado que implementou um distanciamento social ampliado em 17/03/2020, quando havia apenas circulação comunitária do vírus no sul do estado, portanto, a meu ver, de maneira a suscitar discussões sobre o momento e a dosimetria de uso desta medida que causa grandes prejuízos econômicos e psicológicos, também foi considerado, por muitos, como um modelo a ser seguido. Já o Paraná, sempre esteve na vanguarda das ações de enfrentamento. Então, o quê aconteceu para que o quadro se revertesse de maneira tão radical?
As explicações me parecem claras, a começar por um negacionismo e uma inércia nas ações de governança desta crise sanitária, por parte do Governo Federal, que se alastra e pressiona estados e municípios. Afinal, as medidas de distanciamento social, somadas a cuidados de higiene e o uso da máscara, são as formas de prevenção, as quais se completam com as vacinas. Mas sabemos que medidas rígidas de distanciamento social são impopulares, visto os prejuízos severos na economia. Se visitarmos o nosso passado recente, percebemos que desde a campanha eleitoral municipal, todas as medidas de enfrentamento foram afrouxadas, como se a pandemia houvesse se encerrado. Soma-se a isto, a ocupação, desprovida de qualquer cuidado sanitário, das praias e equipamentos turísticos nestes 3 estados a partir de 12/10/2020, o que se avolumou nas festas de final de ano, mesmo com a inexistência de eventos públicos e no carnaval. Foi uma beleza, muita gente visitando estes estados, se aglomerando nas praias sem qualquer tipo de cuidado e com uma absoluta inexistência de fiscalização sanitária ou mesmo algum trabalho de conscientização para o momento vivido.
O Governo Federal, que engata seu 4º ministro da saúde nesta pandemia, se superou em falta de planejamento, no menosprezo à ciência e na falta de valorização à vida humana, ao descredenciar, em massa, leitos de UTI na virada do ano. Segundo o Conselho Nacional de Secretarias de Estado da Saúde (CONASS) de 11.565 leitos de UTI - Covid, o número passou para 3.372, uma diminuição de 70%. Jamais implementou uma política de testagem em massa da população, o que permitiria cortar a cadeia de contágio e identificar quadros de situação da pandemia, nem tampouco, desenvolveu campanhas de conscientização ou estimulou estados e municípios para que o fizessem, ao contrário disto, desenvolveu narrativas dissonantes da grave situação sanitária vivida. Para piorar, não adquiriu vacinas de maneira antecipada e nem ao menos, desenvolveu uma logística de aquisição de insumos. Como consequência, sobram dúvidas e faltam vacinas.
Mas, como reza o dito popular, “o que está ruim, ainda pode piorar”, esta “geleia real” de irresponsabilidade e falta de ações de governança que domina nosso país nesta grave crise sanitária, acarreta uma segunda onda pandêmica muito mais agressiva ou, como defendem alguns cientistas, uma nova pandemia patrocinada por uma nova cepa viral, nascida em nosso país, mais precisamente em Manaus-AM, a P1, a qual tem maior velocidade de contágio, atinge de maneira importante pessoas com menos de 50 anos, leva a estágios mais graves da doença mais rapidamente e por conter a mutação E-484k, a qual dribla os anticorpos, pode alterar a eficácia das vacinas.
Os motivos para vivermos este caos sanitário estão claros, mas nosso país, responsável por 20% das mortes por Covid-19 no mundo, causa apreensão global pela perspectiva de se tornar uma “fábrica” de novas variantes mais agressivas, com grande possibilidade de alterarem substancialmente a eficácia das vacinas. Isto ocorre pela combinação de uma vacinação em “conta-gotas” com a transmissão descontrolada do Sars-Cov-2. Afinal, a vacina precisa de um tempo para a formação de anticorpos, com uma transmissão acelerada, uma pessoa recém-vacinada pode ser contaminada e a variante ao se deparar com uma quantidade ainda pequena de anticorpos, ao se replicar, pode promover mutações mais resistentes a esses anticorpos e potencializar uma cadeia evolutiva de cepas virais mais agressivas e com maior resistência às vacinas.
Entendo que o momento vivido é muito grave e enfatizo a necessidade de campanhas de conscientização, afinal, sem o comprometimento da população se torna difícil superar esta pandemia. Quanto aos governos, menos narrativas e mais ações.
Na crise, se repense, se transforme, CRIE!
Vem comigo!!!
Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com
As consequências desta situação de caos sanitário já podem ser percebidas, se nos estados do Norte, o abastecimento de oxigênio hospitalar se tornou um nó crítico, nos estados do Sul os sistemas de saúde estão em colapso, com filas de espera para leitos de UTI Covid e os insumos, assim como as medicações para entubar os pacientes, começam a faltar.
É importante perceber que o RS foi considerado estado modelo no combate a esta pandemia no início desta crise sanitária. SC, estado que implementou um distanciamento social ampliado em 17/03/2020, quando havia apenas circulação comunitária do vírus no sul do estado, portanto, a meu ver, de maneira a suscitar discussões sobre o momento e a dosimetria de uso desta medida que causa grandes prejuízos econômicos e psicológicos, também foi considerado, por muitos, como um modelo a ser seguido. Já o Paraná, sempre esteve na vanguarda das ações de enfrentamento. Então, o quê aconteceu para que o quadro se revertesse de maneira tão radical?
As explicações me parecem claras, a começar por um negacionismo e uma inércia nas ações de governança desta crise sanitária, por parte do Governo Federal, que se alastra e pressiona estados e municípios. Afinal, as medidas de distanciamento social, somadas a cuidados de higiene e o uso da máscara, são as formas de prevenção, as quais se completam com as vacinas. Mas sabemos que medidas rígidas de distanciamento social são impopulares, visto os prejuízos severos na economia. Se visitarmos o nosso passado recente, percebemos que desde a campanha eleitoral municipal, todas as medidas de enfrentamento foram afrouxadas, como se a pandemia houvesse se encerrado. Soma-se a isto, a ocupação, desprovida de qualquer cuidado sanitário, das praias e equipamentos turísticos nestes 3 estados a partir de 12/10/2020, o que se avolumou nas festas de final de ano, mesmo com a inexistência de eventos públicos e no carnaval. Foi uma beleza, muita gente visitando estes estados, se aglomerando nas praias sem qualquer tipo de cuidado e com uma absoluta inexistência de fiscalização sanitária ou mesmo algum trabalho de conscientização para o momento vivido.
O Governo Federal, que engata seu 4º ministro da saúde nesta pandemia, se superou em falta de planejamento, no menosprezo à ciência e na falta de valorização à vida humana, ao descredenciar, em massa, leitos de UTI na virada do ano. Segundo o Conselho Nacional de Secretarias de Estado da Saúde (CONASS) de 11.565 leitos de UTI - Covid, o número passou para 3.372, uma diminuição de 70%. Jamais implementou uma política de testagem em massa da população, o que permitiria cortar a cadeia de contágio e identificar quadros de situação da pandemia, nem tampouco, desenvolveu campanhas de conscientização ou estimulou estados e municípios para que o fizessem, ao contrário disto, desenvolveu narrativas dissonantes da grave situação sanitária vivida. Para piorar, não adquiriu vacinas de maneira antecipada e nem ao menos, desenvolveu uma logística de aquisição de insumos. Como consequência, sobram dúvidas e faltam vacinas.
Mas, como reza o dito popular, “o que está ruim, ainda pode piorar”, esta “geleia real” de irresponsabilidade e falta de ações de governança que domina nosso país nesta grave crise sanitária, acarreta uma segunda onda pandêmica muito mais agressiva ou, como defendem alguns cientistas, uma nova pandemia patrocinada por uma nova cepa viral, nascida em nosso país, mais precisamente em Manaus-AM, a P1, a qual tem maior velocidade de contágio, atinge de maneira importante pessoas com menos de 50 anos, leva a estágios mais graves da doença mais rapidamente e por conter a mutação E-484k, a qual dribla os anticorpos, pode alterar a eficácia das vacinas.
Os motivos para vivermos este caos sanitário estão claros, mas nosso país, responsável por 20% das mortes por Covid-19 no mundo, causa apreensão global pela perspectiva de se tornar uma “fábrica” de novas variantes mais agressivas, com grande possibilidade de alterarem substancialmente a eficácia das vacinas. Isto ocorre pela combinação de uma vacinação em “conta-gotas” com a transmissão descontrolada do Sars-Cov-2. Afinal, a vacina precisa de um tempo para a formação de anticorpos, com uma transmissão acelerada, uma pessoa recém-vacinada pode ser contaminada e a variante ao se deparar com uma quantidade ainda pequena de anticorpos, ao se replicar, pode promover mutações mais resistentes a esses anticorpos e potencializar uma cadeia evolutiva de cepas virais mais agressivas e com maior resistência às vacinas.
Entendo que o momento vivido é muito grave e enfatizo a necessidade de campanhas de conscientização, afinal, sem o comprometimento da população se torna difícil superar esta pandemia. Quanto aos governos, menos narrativas e mais ações.
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