terça-feira, 9 de março de 2021

O BRASIL VIVE A MAIOR TRAGÉDIA SANITÁRIA DA SUA HISTÓRIA


 


Após um ano do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, passamos de 264 mil mortes e, em novo pico de crescimento da pandemia, estamos registrando números acima de 1000 óbitos/dia, há mais de 40 dias, sendo que, no dia 04 de março alcançamos a marca de 1910 óbitos/dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) “o Brasil vive uma tragédia”, como afirmou o Diretor de Emergência da entidade Michael Ryan.

Tragédia anunciada visto os erros cometidos pelo Ministério da Saúde (MS) desde o início, senão vejamos, quando chegou ao país já havia atingido a Europa, os EUA e outros países, sabíamos que a testagem em massa da população seria fundamental para cortar a cadeia de transmissão e prover um planejamento de contenção eficaz, que o distanciamento social seria a única maneira de diminuir a velocidade de contágio e que precisaríamos de uma estrutura hospitalar redimensionada para ofertar leitos de retaguarda e de UTI em ampla escala. Destas medidas, a ampla testagem jamais foi feita e quando se procurou testar a população, esta tarefa foi liderada pelos municípios utilizando testes rápidos, dotados de baixa eficácia. Quanto ao distanciamento social, coube a estados e municípios, liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), elaborarem suas estratégias, em alguns locais com implementação correta e em outros de maneira inadequada em tempo e dosimetria. Já a preparação do sistema hospitalar, até que se tentou, mas se em novembro de 2020 tínhamos mais de 12 mil UTIs credenciadas pelo MS, iniciamos o ano com descredenciamento em massa, como se a pandemia tivesse acabado, tendo em fevereiro de 2021 pouco mais de 3 mil UTIs credenciadas.

Se sobram erros e omissão por parte do MS, o Governo Federal, a partir do Chefe da Nação, sempre adotou uma narrativa que relativizava a pandemia, menosprezava a ciência, de maneira agressiva e, por vezes, desrespeitosa, discordava de sua evolução. Jamais suscitou a conscientização nas pessoas da importância do uso da máscara e de se evitar aglomerações, ao contrário, suas atitudes caminharam na contramão e claro, também contestou as vacinas e até se pronunciou dizendo que não iria se vacinar.

Será que esta tragédia já não estava anunciada?

Chegamos até aqui, de aglomerações em aglomerações, vitaminadas por “fake news”, as quais criam “comprovações científicas” para pulverizar a importância do uso da máscara e do distanciamento social, muitas delas reverberadas por próceres do Governo Federal, se aliando a medicações salvadoras e renegadas pela ciência como a Cloroquina, ainda negando a história que relata outras pandemias e sua evolução, como a Gripe Espanhola (jan.1918-dez.1920), a qual teve 4 ondas, a segunda a mais severa, vitimando mais de 50 milhões de pessoas, 35 mil no Brasil.

Desde as eleições municipais houve uma relativização desta pandemia por parte dos municípios, os quais até aquele momento estavam liderando a contenção e também por parte de alguns estados, muitos dos quais, desde um primeiro momento, se esforçaram em elaborar e implementar um planejamento correto.

O feriado de 12 de outubro de 2020 foi emblemático, com praias e outros equipamentos turísticos superlotados, sem qualquer preocupação sanitária e nem fiscalização governamental, depois vieram as festas de final de ano e o carnaval, sendo que nem o cancelamento dos eventos públicos impediu as pessoas de circularem, de fazerem festas particulares e de proverem aglomerações.

Com um ano de pandemia no país, com um planejamento de contenção por parte do MS e do Governo Federal eivado de erros e embasado na negação deste evento sanitário, o Governo Federal, os estados e a esmagadora maioria dos municípios foram incapazes de prover uma campanha de educação sanitária para conscientizar e comprometer as pessoas perante o grave momento que vivemos, como foi feito, por exemplo, em 1973 com a criação do personagem “Sugismundo”, em um amplo trabalho para erradicar a Varíola, o que foi alcançado e replicado para a erradicação da Poliomielite, alcançada em 1979.

Se a chegada das vacinas trouxe esperança ao mundo, em nosso país escancarou a falta de planejamento para a aquisição de imunizantes e de insumos por parte do MS, o Programa Nacional de Imunização (PNI), referência mundial, virou motivo de dúvidas e até de chacotas. Com a liberação do STF, os estados e municípios podem adquirir imunizantes e creio que terão de fazê-lo. Enquanto isso uma nova cepa viral surgida em Manaus-AM (P1) já atinge mais de 12 estados brasileiros e dá o tom desta segunda onda de maior velocidade de contágio e que atinge de maneira importante pessoas jovens. A partir desta, se estabeleceu uma nova variante no Rio de Janeiro-RJ (P2), nenhuma delas estudadas.

Em Santa Catarina, estado atingido de maneira horizontal por esta segunda onda, catapultada pela variante P1, chegamos a mais de 94 mortes/dia, já são mais de 7.800 óbitos. Com os sistemas de saúde em colapso e tendo mais de 35 pacientes indo a óbito na espera de um leito de UTI, iniciou em 27/02 um lockdown de 2 finais de semana e em 03/03 o transporte de pacientes para o Espírito Santo.

Em meio ao caos, o MS anunciou ter assinado Termo de Intenção de Compra de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer e 38 milhões da Jansen (03/03), em se concretizando, começaremos a receber lotes de maio a dezembro, mas poderão faltar seringas e agulhas.

Pois é, quem não planeja e nem respeita uma pandemia, semeia a tragédia.

Na crise, se repense, se transforme, CRIE!

Vem comigo!!!


Contatos:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99916-0744
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...