terça-feira, 16 de março de 2021

BRASIL, NO CAOS PANDÊMICO FALTAM CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO


 



O Brasil voltou a ser o epicentro da pandemia da Covid-19, enquanto grande parte dos países demonstram aprendizado com a primeira onda deste evento sanitário sem precedentes, nosso país apresenta dia após dia recordes de mortes, a mais de 50 dias, com números acima de 1000 mortes/dia, em 10/03 registrou 2.349 óbitos, totalizando nesta data 270.917.

Enquanto os países do Continente Europeu, os EUA, Israel, Canadá e diversos outros países, inclusive muitos da América Latina, adquiriram vacinas com antecedência e desenvolveram uma logística de aquisição de insumos, nosso país se aliou ao negacionismo, por parte do Governo Federal, a ações de governança que se mostraram frágeis, a discussões intermináveis sobre a importância do distanciamento social e sua ação deletéria para a cadeia produtiva e buscou o caminho da cura milagrosa através de medicações sem comprovação científica de uso para tratar a Covid-19, algumas com a possibilidade de efeitos colaterais perigosos. É um retrato deste período, as manifestações negacionistas, com pessoas aglomeradas, sem usar máscaras e portando cartazes onde se lia: “quem tem cloroquina, não precisa de vacina”.

Sempre correndo atrás do prejuízo e isto é fatal em uma pandemia, aliás, como os indicadores de mortalidade estão comprovando, com um volume de testagem da população baixíssimo, trabalhando por mitigar a tragédia com incrementos de última hora de leitos hospitalares de retaguarda e de UTI, vimos surgir no país uma nova cepa viral, a P1, originada em Manaus-AM, a qual o Ministério da Saúde (MS) foi incapaz de conter, tendo colapsado os sistemas de saúde dos estados do Norte e se disseminado por mais de 12 estados, levando o caos, através de sua maior velocidade de contágio, por atingir um público mais jovem e também por evoluir rapidamente para quadros graves da doença, tendo a possibilidade de reinfectar pessoas já infectadas por outras cepas virais.

Com uma vacinação em “conta-gotas”, na preocupação de as vacinas serem eficazes contra esta nova variante e vendo surgir uma nova cepa viral no Rio de Janeiro-RJ, a P2, o Brasil se tornou uma preocupação para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e para o restante do mundo, pelo fato de além da tragédia sanitária em curso, se tornar um “laboratório” para o desenvolvimento de novas variantes mais agressivas do Sars-CoV-2.

Emerge de maneira importante nesta ausência de governança da pandemia em nosso país, a falta de conscientização de boa parte das pessoas. Parece incrível, mas em mais de um ano deste evento sanitário em terras nacionais, não houve qualquer movimento do Governo Federal, ou mesmo dos estados, para prover campanhas que suscitem o entendimento do momento vivido e das responsabilidades de cada qual para superá-lo. Sem o comprometimento da população, mesmo com vacinas, será difícil vencermos esta pandemia.

As campanhas de educação sanitária tiveram início em nosso país no final do século XIX e início do século XX, com o intuito de mudar os paradigmas relativos a atitudes de higiene e cuidados pessoais, adequando-os às novas realidades sociais e da ciência, sendo fundamentais para o combate da Varíola, da Febre-Amarela, da Poliomielite e do HIV- AIDS.

Os mais antigos se lembrarão do personagem “Sujismundo”, criado por Rui Perotti em 1972, em pleno Regime Militar, personagem porcalhão e mal-educado, que protagonizou uma campanha para melhorar os hábitos de higiene e limpeza da população: “Povo desenvolvido é povo limpo”. Este personagem caiu no gosto popular e virou sinônimo de pessoas que, assim como ele, tinham maus hábitos de higiene. Ele foi utilizado entre 1977 e 1979 para reforçar a importância da vacinação, introduzindo outro personagem, o “Sujismundinho”, seu filho, mas diametralmente oposto no comportamento e que procurava conscientizar o pai, um negacionista e reacionário contumaz, para a importância das boas práticas de higiene, da vacinação e da ciência. Estes personagens e a campanha que os utilizou foram importantes, por exemplo, para a erradicação da Poliomielite no país, alcançada em 1989.

Em 1986, o artista plástico Darlan Rosa, criou o Zé Gotinha, bonequinho simpático e personagem central de campanhas para incentivar a vacinação contra a Poliomielite, sendo hoje utilizado como símbolo de campanhas vacinais em nosso país. Não podemos esquecer de campanhas nos moldes do Outubro Rosa, de estímulo e conscientização para atitudes de prevenção contra o câncer de mama e de colo de útero, o Novembro Azul, nos mesmos moldes, focada na prevenção do câncer de próstata e nas campanhas desenvolvidas pelo MS para conscientizar, em especial os mais jovens, sobre práticas sexuais seguras com foco na prevenção do HIV-AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Entendo como fundamental que sejam desenvolvidas campanhas de educação em saúde, com foco na conscientização e esclarecimento das pessoas sobre todo o contexto desta pandemia, a importância das vacinas e que cada um tem que fazer a sua parte, usando máscara, tomando cuidados sanitários, adotando medidas de distanciamento social. Acredito que ainda é tempo do Governo Federal capitanear uma ampla campanha, mas independente disto, os estados poderiam fazê-lo, contudo, vejo os municípios como atores diferenciados e que deveriam viabilizar suas próprias campanhas, assim como o Poder Legislativo em âmbito municipal também poderia fazê-lo de maneira parceira ou individual, ainda as empresas e entidades da sociedade organizada, precisam acordar e se envolver de maneira mais atuante em projetos desta natureza.


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terça-feira, 9 de março de 2021

O BRASIL VIVE A MAIOR TRAGÉDIA SANITÁRIA DA SUA HISTÓRIA


 


Após um ano do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, passamos de 264 mil mortes e, em novo pico de crescimento da pandemia, estamos registrando números acima de 1000 óbitos/dia, há mais de 40 dias, sendo que, no dia 04 de março alcançamos a marca de 1910 óbitos/dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) “o Brasil vive uma tragédia”, como afirmou o Diretor de Emergência da entidade Michael Ryan.

Tragédia anunciada visto os erros cometidos pelo Ministério da Saúde (MS) desde o início, senão vejamos, quando chegou ao país já havia atingido a Europa, os EUA e outros países, sabíamos que a testagem em massa da população seria fundamental para cortar a cadeia de transmissão e prover um planejamento de contenção eficaz, que o distanciamento social seria a única maneira de diminuir a velocidade de contágio e que precisaríamos de uma estrutura hospitalar redimensionada para ofertar leitos de retaguarda e de UTI em ampla escala. Destas medidas, a ampla testagem jamais foi feita e quando se procurou testar a população, esta tarefa foi liderada pelos municípios utilizando testes rápidos, dotados de baixa eficácia. Quanto ao distanciamento social, coube a estados e municípios, liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), elaborarem suas estratégias, em alguns locais com implementação correta e em outros de maneira inadequada em tempo e dosimetria. Já a preparação do sistema hospitalar, até que se tentou, mas se em novembro de 2020 tínhamos mais de 12 mil UTIs credenciadas pelo MS, iniciamos o ano com descredenciamento em massa, como se a pandemia tivesse acabado, tendo em fevereiro de 2021 pouco mais de 3 mil UTIs credenciadas.

Se sobram erros e omissão por parte do MS, o Governo Federal, a partir do Chefe da Nação, sempre adotou uma narrativa que relativizava a pandemia, menosprezava a ciência, de maneira agressiva e, por vezes, desrespeitosa, discordava de sua evolução. Jamais suscitou a conscientização nas pessoas da importância do uso da máscara e de se evitar aglomerações, ao contrário, suas atitudes caminharam na contramão e claro, também contestou as vacinas e até se pronunciou dizendo que não iria se vacinar.

Será que esta tragédia já não estava anunciada?

Chegamos até aqui, de aglomerações em aglomerações, vitaminadas por “fake news”, as quais criam “comprovações científicas” para pulverizar a importância do uso da máscara e do distanciamento social, muitas delas reverberadas por próceres do Governo Federal, se aliando a medicações salvadoras e renegadas pela ciência como a Cloroquina, ainda negando a história que relata outras pandemias e sua evolução, como a Gripe Espanhola (jan.1918-dez.1920), a qual teve 4 ondas, a segunda a mais severa, vitimando mais de 50 milhões de pessoas, 35 mil no Brasil.

Desde as eleições municipais houve uma relativização desta pandemia por parte dos municípios, os quais até aquele momento estavam liderando a contenção e também por parte de alguns estados, muitos dos quais, desde um primeiro momento, se esforçaram em elaborar e implementar um planejamento correto.

O feriado de 12 de outubro de 2020 foi emblemático, com praias e outros equipamentos turísticos superlotados, sem qualquer preocupação sanitária e nem fiscalização governamental, depois vieram as festas de final de ano e o carnaval, sendo que nem o cancelamento dos eventos públicos impediu as pessoas de circularem, de fazerem festas particulares e de proverem aglomerações.

Com um ano de pandemia no país, com um planejamento de contenção por parte do MS e do Governo Federal eivado de erros e embasado na negação deste evento sanitário, o Governo Federal, os estados e a esmagadora maioria dos municípios foram incapazes de prover uma campanha de educação sanitária para conscientizar e comprometer as pessoas perante o grave momento que vivemos, como foi feito, por exemplo, em 1973 com a criação do personagem “Sugismundo”, em um amplo trabalho para erradicar a Varíola, o que foi alcançado e replicado para a erradicação da Poliomielite, alcançada em 1979.

Se a chegada das vacinas trouxe esperança ao mundo, em nosso país escancarou a falta de planejamento para a aquisição de imunizantes e de insumos por parte do MS, o Programa Nacional de Imunização (PNI), referência mundial, virou motivo de dúvidas e até de chacotas. Com a liberação do STF, os estados e municípios podem adquirir imunizantes e creio que terão de fazê-lo. Enquanto isso uma nova cepa viral surgida em Manaus-AM (P1) já atinge mais de 12 estados brasileiros e dá o tom desta segunda onda de maior velocidade de contágio e que atinge de maneira importante pessoas jovens. A partir desta, se estabeleceu uma nova variante no Rio de Janeiro-RJ (P2), nenhuma delas estudadas.

Em Santa Catarina, estado atingido de maneira horizontal por esta segunda onda, catapultada pela variante P1, chegamos a mais de 94 mortes/dia, já são mais de 7.800 óbitos. Com os sistemas de saúde em colapso e tendo mais de 35 pacientes indo a óbito na espera de um leito de UTI, iniciou em 27/02 um lockdown de 2 finais de semana e em 03/03 o transporte de pacientes para o Espírito Santo.

Em meio ao caos, o MS anunciou ter assinado Termo de Intenção de Compra de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer e 38 milhões da Jansen (03/03), em se concretizando, começaremos a receber lotes de maio a dezembro, mas poderão faltar seringas e agulhas.

Pois é, quem não planeja e nem respeita uma pandemia, semeia a tragédia.

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terça-feira, 2 de março de 2021

NA PANDEMIA, SANTA CATARINA VIVE O SEU MOMENTO MAIS COMPLICADO


A Covid-19 já vitimou mais de 2,5 milhões de pessoas mundo afora, apenas nos EUA, país campeão em casos e óbitos, são mais de 500 mil mortes. O Brasil é o 2º país no ranking de mortes com mais de 254 mil.

Se o mundo enxerga com entusiasmo o advento das vacinas e acompanha uma vacinação maciça em diversos países, detém um olhar atento a 6 novas cepas virais (sul-africana, britânica, 2 brasileiras e 2 norte-americanas) que podem alterar a eficácia dos imunizantes, fato que ocorreu na África do Sul, onde perante a variante sul-africana, a vacina de Oxford/AstraZeneca reduziu sua eficácia para algo em torno de 10% a 26%. A maior parte dos países mantém o monitoramento da evolução da pandemia para, a partir de indicadores consistentes, prover uma dosimetria nas ações de distanciamento social, lembro que a pouco tempo, o Reino Unido esteve em lockdown. Claro, procuram em ações e campanhas continuadas, conscientizar as pessoas do seu importante papel que se expressa no uso da máscara, em atitudes de higiene e de distanciamento social.

Nosso país continua a sua sina de desgoverno nesta pandemia, não fomos capazes de elaborar um planejamento sustentável de contenção, o Governo Federal, a partir do Chefe da Nação, adotou uma postura de relativizar um evento tão grave, com narrativas negacionistas, contrárias às medidas de distanciamento social e, inclusive, contrárias às vacinas. Foi incapaz de prover uma campanha nacional de educação sanitária, sempre trabalhou com “a porta arrombada”, democratizando para estados e municípios o ônus de sua absoluta ineficácia em ações de governança desta grave crise sanitária e demonstrando total falta de empatia e compaixão com as vítimas, tanto desta pandemia, quanto em boa proporção destes desmandos governamentais.

Neste momento sofremos com a falta de um planejamento vacinal, está sendo ridicularizado o Programa Nacional de Imunização (PNI), existente desde 1973, regido pela Lei Federal nº 6259/1975, referência mundial, programa responsável pela erradicação da Varíola em 1973 e da Poliomielite em 1979.

Estamos correndo atrás de vacinas, tardiamente, temos uma campanha vacinal letárgica, não foi feita uma logística de compra de insumos (seringas, agulhas, entre outros) antecipadamente, agora o mercado está aquecido, os valores estão altos e existe dificuldade de pronta entrega. Portanto, temos 2 vacinas (Oxford e Coronavac) sendo aplicadas, mas em doses diminutas e estamos usando as 60 milhões de agulhas e seringas que são a reserva técnica para outras vacinas. Contudo, não faltam narrativas para desviar o foco do problema, o qual não é pequeno, e também para jogar a estados e municípios a responsabilidade, senão vejamos, ao ser judicializado para adquirir seringas e agulhas em quantitativo suficiente para uma vacinação em massa, o que significaria 1 milhão de doses aplicadas por dia, o Chefe da Nação justificou, judicialmente, não ser esta questão de sua responsabilidade, contrariando a legislação que cria o Sistema Único de Saúde (SUS) e a PNI, além das pactuações tripartites entre Governo Federal, estados e municípios.

Afora isto, vemos uma nova onda varrendo o país, vitaminada por uma nova cepa viral surgida em Manaus-AM (P1), a qual ainda não foi sequenciada, mas que se apresenta com maior velocidade de contágio e atingindo de maneira importante, as pessoas mais jovens. O Ministério da Saúde (MS) não conseguiu conter esta nova variante, a qual colapsou o sistema de saúde de Manaus, se disseminou por todo o estado, pelos estados do Norte e já se faz presente em 12 estados brasileiros. No Rio de Janeiro, segundo a Fundação Oswaldo Cruz, se mutou em uma nova cepa viral, a P2, ainda a ser melhor avaliada.

Santa Catarina vive o seu momento mais crítico nesta pandemia, se em momento anterior passamos por uma situação difícil, com a região do Vale do Rio Itajaí, Médio Vale, Grande Florianópolis e Sul do estado vendo o seu sistema de saúde a beira de colapsar e outras regiões alternando o aumento de casos e óbitos, neste momento percebemos que a pandemia se disseminou pelo interior do estado, com vislumbre de atingir de maneira horizontal todas as regiões, portanto, será difícil remanejar pacientes para leitos de retaguarda e de UTIs de regiões menos afetadas. Ainda, esta nova onda está atingindo de maneira importante, pessoas mais jovens, o que me leva a acreditar que a falta de cuidados individuais se soma a presença da nova variante surgida em Manaus (P1) a provocar esta situação.

O Governo Estadual contingenciou 1 bilhão de reais para o enfrentamento deste difícil momento pandêmico, sendo 600 milhões para a aquisição de leitos de UTI no sistema suplementar e 300 milhões para compra de vacinas.

O quadro atual catarinense tem como causa o que contextualizei anteriormente, era previsível que isto iria ocorrer e entendo que os estados do Sul deveriam se unir para suprir a omissão por parte do Governo Federal, implementando a partir de uma ampla campanha de educação sanitária, ações de controle e enfrentamento, as quais passam pela aquisição de vacinas, o único caminho para o encerramento desta pandemia.

Mas, infelizmente, “quem não tem projeto não tem futuro, tem destino”, com base no que não foi feito, na falta de conscientização sanitária de muitos e com os sistemas de saúde municipais colapsando, foi implementado um lockdown de 2 finais de semana. Isto vai resolver? Lamentavelmente, creio que não e medidas mais severas hão de vir.


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