sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

DESVENDANDO O HOSPITAL PÚBLICO MUNICIPAL RUTH CARDOSO!!! (Parte I)



O objetivo deste artigo é trazer luz as razões que impedem o Hospital Público Municipal Ruth Cardoso, hospital geral de referência do Sistema Único de Saúde (SUS) para os municípios de Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema, Porto Belo e Bombinhas, de atingir ou se aproximar das metas que se esperam, quais sejam: humanização no acolhimento, eficácia no atendimento, um custeio financeiro equilibrado e, em última análise, informar você, perante os seus direitos como usuário do SUS.

O Hospital Público Municipal Ruth Cardoso é referência para outros municípios, ou melhor, Balneário Camboriú é referência hospitalar e anteriormente contratualizava esta referência através do Hospital Santa Inês, o qual era privado e credenciado pelo município junto ao Ministério da Saúde para atender pelo SUS. É importante dizer, que o fato de um município ser referência hospitalar lhe dá alguns privilégios e uma situação diferenciada junto ao Ministério da Saúde em função desta responsabilidade, além de receber perante o financiamento tripartite do SUS por estes atendimentos, se é muito ou pouco, se recebe em dia ou não, isto é outra discussão. Feito este breve comentário, reitero que alguns fatores vão definir um Hospital Público Municipal, sendo que o Sistema Municipal de Saúde é o primeiro e primordial fator.

Portanto, para um hospital público municipal atingir um estado de excelência, o sistema de saúde do município sede tem que estar em equilíbrio, bem organizado, com boa cobertura pré-hospitalar e apresentar uma Atenção Básica que alie uma ampla cobertura com um atendimento eficaz, ressaltando que esta linha de atenção é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde e é responsável pela gestão do acesso às linhas de cuidado: secundária (especialidades médicas, por exemplo) e terciária (área hospitalar). Claro que o perfil sanitário dos municípios referenciados nele também vai definir uma maior ou menor procura hospitalar, entretanto uma boa e eficaz organização do sistema de saúde do município sede, sempre será a expressão para a excelência de um Hospital Público Municipal.

Ao abordar o Sistema de Saúde de Balneário Camboriú, é importante dizer que o sistema foi concebido de uma forma não conectada com o modelo de saúde pública implementado no Brasil a partir da Constituição de 1988, qual seja, com perfil horizontal onde a Atenção Básica, ampla e eficaz, focada na Estratégia de Saúde da Família, seria a porta de entrada do sistema, se propondo a resolver a maior parte das demandas em saúde e direcionando os encaminhamentos para as linhas de atenção secundária e terciária. Balneário Camboriú desde o início do SUS optou por adotar uma política independente, focada na oferta de serviços de especialidades em detrimento da Atenção Básica e continua desta forma até os dias atuais, talvez neste momento pela dificuldade em se alterar o seu perfil de assistência e se adequar a realidade.

Corroborando com o que digo, podemos identificar várias ofertas em saúde como: Centro Integrado de Solidariedade em Saúde (CISS), Centro de Diagnose e Terapia, Posto de Atenção Infantil (PAI), Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI), Núcleo de Atenção à Mulher (NAM), citando algumas apenas, que são de extrema relevância, caso o sistema tivesse sido construído prioritariamente com uma ampla capilarização da Atenção Básica, mas isto não ocorreu, como desvendaremos aqui.

Conforme o IBGE de 2018, Balneário Camboriú tem 138.732 habitantes, segundo a Portaria GM/MS nº 2436/2017 que instituiu a atual Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a Estratégia de Saúde da Família (ESF) é estratégia prioritária de atenção à saúde e pode ter uma população adstrita em 2.400 a 3.500 pessoas; segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), Balneário Camboriú tem cadastradas 07 ESFs, portanto tem 18% de cobertura da Estratégia de Saúde da Família. Este índice é baixíssimo, restando por volta de 114.232 pessoas descobertas, este quadro por si só já é catastrófico para o hospital, tornando o sistema hospitalocêntrico e independente do fluxo de outros municípios referenciados neste nosocômio, só Balneário Camboriú causaria desequilíbrio severo no fluxo de atendimento hospitalar. Lembrando que a Estratégia de Saúde da Família é uma política já aprovada por outros países com quadros sociais e sanitários similares ao nosso e tem o papel de fazer educação em saúde, prevenção das doenças, trabalha com agentes comunitárias que vão até a casa da população adstrita e um conjunto de ações que se propõe a diminuir o acesso as outras duas linhas de atenção em saúde e claro, que se for conjugado o binômio ampla cobertura e eficácia, diminuirá substancialmente o afluxo hospitalar.

Através do CNES e por informações divulgadas na mídia pelo município de Balneário Camboriú, percebo que estão ampliando o horário de atendimento destas 07 Unidades Básicas de Saúde (onde estão as equipes de ESF), claro que é uma tentativa de se mitigar esta situação extremamente complicada de falta de cobertura na Atenção Básica. Imagino que estejam criando equipes de Atenção Básica, modalidade permitida pela nova Política Nacional de Atenção Básica (Portaria nº 2.436/2017), entretanto esta modalidade permitida por esta política recente, visa basicamente atender aos municípios em suas dificuldades para estruturar equipes de ESF, visto a obrigatoriedade de 40 horas semanais (08 horas diárias, inclusive para o médico), ao invés de encontrar maneiras de tornar a ESF de seu município uma experiência exitosa, e tem como fazer, entretanto é mais fácil se ofertar um serviço com menor número de profissionais e obrigatoriedade de apenas 10 horas de cumprimento de carga horária semanal, quanto à eficácia disto, estou certo ser praticamente nula, portanto é “enxugar gelo”. Seria melhor ampliar o horário das UBSs (das 07 ou as que fossem estratégicas) em rito de urgência, visto o município ter pouca cobertura de pré-hospitalar, com isto certamente se reduziria o afluxo ao Hospital Ruth Cardoso (especialmente no seu Pronto-Socorro) e a partir de uma série histórica se receberia por estes procedimentos do Governo Federal no bloco de recebimento MAC (Média e Alta Complexidade).

Através do CNES também é fácil perceber além de um bom volume de médicos generalistas referenciados nestas UBSs, em contraponto a existência de apenas uma equipe de Estratégia de Saúde da Família cadastrada em cada qual, ainda a existência de pediatras e ginecologistas cadastrados em quase todas as UBSs. O Sistema apresenta ainda uma Unidade Mista de Saúde (Posto de Saúde Central), ofertando serviços de atenção básica e de especialidades médicas, com isto buscando atenuar a inexistência de uma ESF no centro da cidade.

No que tange a pré-hospitalares (PAs, UPAs, Salas de Estabilização ou mesmo Unidades Básicas de Saúde funcionando em horário estendido para rito de urgência) temos apenas o PA da Barra (24 horas) em funcionamento e existe ainda a UPA do bairro das Nações por ser inaugurada, portanto praticamente não ocorre o trabalho de transbordo do Hospital Público Municipal Ruth Cardoso. Lembrando que o município oferta o SAMU 24 horas com duas USBs (Unidade de Suporte Básico).

Em respeito a história da criação do sistema de saúde de Balneário Camboriú, pós Constituição de 1988 e do advento do SUS, devo dizer que assim foi concebido porque o perfil de assistência já existente encaminhava a isso, entretanto deveria ter ocorrido uma mudança na lógica assistencial desde muito tempo, mantendo estruturas sanitárias exitosas, como o Centro de Fisioterapia e Reabilitação (CEFIR) e outras que já citei, mas priorizando uma nova estruturação focada na Atenção Básica, é inconcebível o pequeno número de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) existentes, lembrando que sem elas não se pode credenciar novas Estratégias de Saúde da Família. Seria fundamental a construção de novas UBSs, talvez mais amplas, que concebam mais equipes de ESF credenciadas (conforme o permitido pela PNAB) e capilarizadas por todo o município. Já seria tempo de um projeto em saúde de curto, médio e longo prazo, que identificasse estes problemas graves do sistema e desse início a uma ampla reformulação, a qual é extremamente necessária. Acrescento que, por sua característica turística, nos meses de temporada de verão, a sua população duplica e por vezes, triplica e os seus problemas sanitários também.

Entendo como necessário este breve diagnóstico do Sistema de Saúde de Balneário Camboriú, o qual tem problemas seríssimos de concepção, refletindo em especial na Atenção Básica e na cobertura de pré-hospitalar, isto certamente impacta o Hospital Público Municipal Ruth Cardoso como impactaria qualquer outro hospital que fosse. Portanto, reitero que, independente do afluxo de usuários de outros municípios referenciados ali, os problemas graves apresentados pelo sistema de saúde de Balneário Camboriú já seriam de difícil solução para este hospital. O sistema é inadequado, portanto de uma eficácia bastante duvidosa e, imagino de alto custo de manutenção, visto que, ao ser desconectado da Política Nacional, não se consegue financiamento, inclusive para custeio, recursos estes, na maior parte dos casos, já disponibilizados em portarias específicas perante as políticas do Ministério da Saúde.

Na próxima terça-feira, ao dar continuidade ao: “Desvendando o Hospital Público Municipal Ruth Cardoso (parte II)”, estarei discorrendo sobre o hospital propriamente dito, seus problemas de concepção de projeto, sua estrutura física inadequada à oferta de serviços nele referenciada, o modelo de gestão atualmente utilizado e como todos estes fatores somados ao que foi abordado nesta primeira parte do artigo, são determinantes para os problemas enfrentados pelo hospital.

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DESVENDANDO UM TABU: Suicídio de crianças e adolescentes. (Parte V)



Chegamos na quinta parte, que é a conclusão deste artigo, com muitas informações e um caminho trilhado, juntos eu e você, que espero nos permita desvendar este tabu e deixar nossa contribuição no sentido de esclarecer, alertar e, em última análise, evitar outros casos.

Já sabemos que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 e 29 anos e que, segundo o Ministério da Saúde, nos últimos 10 anos houve um crescimento de 40% na taxa de suicídio de jovens entre 10 e 14 anos e de 33,5% de jovens entre 15 e 29 anos.

Nós sabemos que, até o início dos anos 2000, os organismos de saúde não tratavam abertamente sobre o tema, por medo do chamado “Efeito Werther”, segundo o qual a divulgação de um caso poderia provocar outros, atualmente, a OMS tem como diretriz abordar o assunto: instruindo, informando sem divulgar métodos, agindo sem preconceito e tendo como norte, a prevenção.

Desvendamos juntos os motivos apontados por especialistas, quais sejam: sentimento de abandono, desajustamento na escola ou em casa, desesperança em relação ao futuro, uso de álcool e drogas (cada vez mais precoce), quadros de doenças psicossociais (depressão, Síndrome de Déficit de Atenção e Hiperatividade, entre outras), abusos e maus-tratos, maternidade em idade prematura, impulsividade natural de crianças e adolescentes, violência social (Bullying) e o fator “Era Digital”.

Aprendemos que, 01 de cada 02 jovens que tentam o suicídio, apresenta sinais que podem ser identificados, quais sejam:

· Crianças: apatia, voz monótona; sintomas físicos (como dor de barriga, dor de cabeça e dificuldade em dormir recorrentes); irritação; queda no desempenho escolar ou não gosta mais de ir para a escola; mudança na alimentação (come muito ou come pouco);

· Adolescentes: conseguem relatar de uma forma mais clara através de frases como: “eu sou um peso morto para a família”, “ninguém gosta de mim”; demonstrar grau de desesperança; mudança de hábitos (escolar, alimentar, entre outros).



Os especialistas entendem que dos 08 aos 23 anos o cérebro está em formação e que a partir dos 08 anos a criança perde a sua noção lúdica do mundo e já tem percepção de vida e de morte, podendo apresentar “ideação suicida”. Assim como entendem que em 90% dos casos existe um distúrbio psíquico envolvido.

Com estas informações que desvendamos, tivemos a percepção que dos motivos elencados, inclusive a existência de doenças psicossociais, apenas a Sociedade em que Vivemos (expressada por sua forma mais perversa através do Bullying) e a Era Digital, são fatores em modificação ou novos, portanto, é razoável acreditar serem os responsáveis por esta curva de crescimento do suicídio de jovens apresentada nos últimos anos.

Ao abordarmos o fator “sociedade em que vivemos”, desvendamos o Bullying e descobrimos pesquisa do Kings College, em Londres, iniciada em 1959, que acompanhou durante 40 anos, crianças entre 07 e 11 anos que foram vitimadas, a qual concluiu que o impacto do assédio moral é persistente e generalizado, com consequências sanitárias, sociais e econômicas duradouras até na fase adulta.

Quanto a Era Digital, nós trouxemos a luz os psicopatas virtuais que promovem o cyberbullying e também induzem os jovens ao suicídio, através de desafios inseridos em vídeos no YouTube (como o da Peppa Pig e do Fortnite), falamos da Baleia Azul e da MOMO; mas também abordamos o caso de filmes com conteúdo que pode induzir ao suicídio, como “13 Reason Why” (série da Netflix).

Perante esta curva de crescimento deste “mal dos nossos tempos”, os organismos constituídos estão reagindo com uma mudança de postura ao abordar o tema: instruindo, esclarecendo e trabalhando a prevenção, ainda com uma legislação para coibir o Bullying e também para trabalhar a prevenção do suicídio, senão vejamos:

· Leis Federais nº13.185/2015 e nº 13.663/2018, as quais visam o combate ao bullying, ao cyberbullying e instituem o Programa de Combate a Intimidação Sistemática nos Estabelecimentos de Ensino, sendo que a lei de 2018 altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).

· Lei Federal nº 13.819 de 26 de abril de 2019, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.



Importante citar ainda o Mapa da Violência do Ministério da Saúde, o qual se baseia em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e que traz dados confiáveis e atualizados sobre este tema, assim como o trabalho da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), entidade que ainda em 2009 elaborou a cartilha: “Suicídio, informando para prevenir” e os esforços da ONG Safer Net Brasil, a qual defende os direitos humanos na internet, luta contra crimes cibernéticos e apresenta uma Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos em parceria com o Ministério Público Federal.

Perante o caminho que trilhamos e de tudo quanto desvendamos é de se ressaltar o preocupante aumento dos casos e a necessidade de ações concretas para se coibir este mal, entendo que esta curva de crescimento está diretamente relacionada com os fatores “Sociedade em que Vivemos” e “Era Digital”, entretanto estes dois fatores dependem da existência de um perfil de fragilidade emocional e/ou psicológica existente. O papel de todos para coibir esta curva de crescimento é fundamental, iniciando pela atitude dos pais em ter um diálogo com seus filhos, com foco na lealdade, no bom exemplo a ser seguido, na amizade, na possibilidade concreta de serem seus confidentes e de passarem a segurança do entendimento, inclusive de situações complexas, onde a não reprimenda, mas sim, o aconselhamento embasado na compreensão do desenvolvimento etário e intelectual dos mesmos seja regra, também o papel de educadores preparados com a compreensão das nuances e da forma de abordagem com o jovem, ainda agentes sanitários prontos para dar o acolhimento humano e profissional a casos psicossociais.

Os agentes constituídos também tem um papel fundamental, seja na postura de promover o diálogo e de prover informações, ainda em ter atitudes que visem articular ações para acolher, coibir e prevenir.

As leis existentes, com foco no Bullying e em um programa voltado às instituições de ensino como maneira de evitá-lo, são importantes, assim como a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, instituída recentemente, também o é.

Espero que se encontrem formas de controlar o conteúdo disponibilizado na internet, como também de identificar e criminalizar os psicopatas virtuais, aproveitando este veículo maravilhoso de difusão de informações para, a partir de protocolos psicossociais e sanitários, difundir a boa informação, acolher o jovem com perfil de fragilidade e trabalhar a prevenção. Neste contexto o papel dos pais é fundamental: ao colocar limites para seus filhos, ao perceber suas alterações de comportamento, sua imersão excessiva nas redes digitais e ao controlar o conteúdo digital por eles recebido.

Ao concluir este artigo, onde eu e você desvendamos este tabu, estou certo de termos contribuído para esclarecer, informar e, com o conteúdo aqui disponibilizado, difundir a importância do entendimento para a prevenção deste mal.

O alerta está dado, mas o trabalho aqui iniciado, vai continuar.

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DESVENDANDO UM TABU: Suicídio de crianças e adolescentes. (Parte IV)



Você sabia que, segundo o ranking divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2014, o Brasil é o oitavo país com maior número de suicídios no mundo?

Você sabia que entre 1980 e 2014, segundo dados do Mapa da Violência, estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) – Ministério da Saúde (MS), houve um aumento de 27,2% dos suicídios de jovens entre 15 e 29 anos?

Você sabia que, segundo o Mapa da Violência do Ministério da Saúde, nos últimos 10 anos, houve um crescimento de 40% na taxa de suicídio de jovens entre 10 e 14 anos e de 33,5% de jovens de 15 e 19 anos?

Você sabia que, segundo dados do SIM-MS, 7,3% de todas as mortes de jovens são decorrentes de suicídio, ficando atrás somente de acidentes de trânsito?

Você sabia que, por muito tempo não se tratou abertamente sobre o tema por medo do chamado “Efeito Werther”, nome que vem do protagonista do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, publicado em 1774, que versa sobre um rapaz que se mata após um fracasso amoroso e cujo exemplo teria provocado outros suicídios de jovens, que este pensamento fortalecido por pesquisa feita nos Estados Unidos nos anos 80 perdurou até o início dos anos 2000? Ainda que, a diretriz atual da OMS é abordar o tema sem glamour, sem divulgar métodos e sem apontar o suicídio como solução para os problemas, agindo sem preconceito e oferecendo ajuda a quem precisa?

Nesta quarta parte deste artigo abordarei a “Era Digital” como fator motivador do suicídio de crianças e adolescentes.

Um artigo de investigação da Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, de junho de 2017, elaborado por duas estudiosas do tema, constatou que as Redes Digitais podem operar facilitando o acesso a conteúdo sobre o suicídio, informando sobre método, encorajando, produzindo o contágio e o cyberbullicidio.

Thiago Tavares, presidente da Safer Net Brasil, ONG que defende os direitos humanos na internet, luta contra crimes cibernéticos e apresenta uma Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos operada em parceria com o Ministério Público Federal, fala sobre a exploração de quem possui vulnerabilidade emocional e o risco deste jovem ser induzido ao suicídio.

Vários jovens foram induzidos ao suicídio em 2017 e 2018 através do jogo da Baleia Azul, onde são propostas tarefas, que vão desde atividades simples, como desenhar uma baleia em um papel ou assistir sozinho a um filme de terror, até coisas mais agressivas como cortar os lábios, perfurar a palma da mão e desenhar uma baleia no antebraço com um objeto cortante. Quando deixa de cumprir os deveres, o participante é ameaçado pelo administrador. Na etapa final o jogador deve se matar.

Em 2017, temos o caso relatado de um casal de jovens encontrados mortos em um hotel de São Paulo (uma jovem de 16 anos e o namorado de 19 anos), segundo a polícia, houve um pacto de morte, onde o rapaz teria matado a namorada e em seguida se suicidou. Todas as evidências da polícia apontam para a influência negativa da série da Netflix “13 Reason Why”, onde a protagonista de 17 anos se mata após ser vítima de bullying e assédio, versando a série nas 13 fitas que ela grava explicando as razões e as pessoas que a levaram a praticar o ato.

Em 2018 e 2019, temos casos relatados de suicídio de jovens, onde a linha de investigação aponta a influência da boneca “MOMO”, vídeo que induz a criança a automutilação e ao suicídio, o qual é inserido por hackers em vídeos da Peppa Pig e Fortnite no YouTube.

Podemos ainda lembrar do triste acontecimento ocorrido em Suzano-SP, em 2019, onde adolescentes chacinaram outros tantos jovens em uma escola, simulando um jogo de videogame ou de massacre similar, ocorrido em 2018, efetuado por um ex-aluno de 19 anos, na escola Marjory Stoneman Douglas na Florida-USA, com saldo de 17 mortos.

Um dos maiores especialistas do Brasil no tema, o médico psiquiatra, psicanalista e professor da Fundação Oswaldo Cruz, Carlos Estellita Lins, defende que esta curva de crescimento tem uma relação muito forte com o impacto da onipresença da internet junto aos jovens, segundo ele, a pessoa fica vivendo em um ambiente virtual, que leva a um maior afastamento, a depressão, ao isolamento, além da facilidade que a internet proporciona do acesso sobre as informações do suicídio, métodos e formas de fazê-lo, ainda ocorrendo a banalização do ato e o aconselhamento que beira o convencimento para atentar contra a própria vida.

As Redes Digitais são, sem sombra de dúvidas, um milagre dos nossos dias, nos propiciando o acesso a todas as informações, o encurtamento das distâncias e poderiam ser melhor utilizadas para prevenir vários males da sociedade moderna, entre eles o suicídio, mas para isso, seria necessário que os organismos de saúde criassem protocolos médicos e psicológicos para serem trabalhados na internet, além de ampliarem a discussão e o alcance das informações sobre o tema. Portanto as Redes Digitais poderiam ser melhor utilizadas pelos organismos constituídos para divulgar a boa informação, para acalentar de maneira adequada o sofrimento de cada qual e com um conjunto de atitudes, utilizar este importante meio de comunicação para prevenir este mal. Claro que, o controle do conteúdo inserido nas Redes Digitais seria fundamental, mas até que ponto isso é possível? Conquanto isso não acontece, os psicopatas virtuais continuam a se utilizar deste veículo poderoso para invadir nossos lares e atentar contra a vida de nossos filhos.

O papel dos pais também é fundamental, seja ao conversar abertamente com seus filhos, sem reprimendas, os conquistando como amigos e confidentes, mas também sabendo ditar limites e estando sempre atentos as mudanças de comportamento, além de observar e de certa forma controlar a imersão de seus filhos nas Redes Digitais.

Perante o estudo que tenho feito, estou solidamente convencido que as Redes Digitais e a Sociedade em que Vivemos, retratada em sua perversidade, especialmente através do bullying (lembrando que o bullying também pode ocorrer virtualmente), estão diretamente relacionados com esta curva de crescimento apresentada nos últimos anos no suicídio de jovens, entretanto até que ponto apenas as Redes Digitais ou o Bullying podem levar a este ato?

Os especialistas citam um perfil de fragilidade emocional e/ou uma doença psicossocial existente como fator predisponente, o qual poderíamos conotar como “fator de vulnerabilidade”, será?

Na próxima terça-feira, na conclusão deste artigo, estarei desvendando junto com você, a real causa deste “mal dos nossos tempos”.

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