terça-feira, 22 de março de 2022

ALCOOLISMO, DOENÇA CRÔNICA QUE AFETA O MUNDO.


O álcool é responsável por 3 milhões de mortes anuais no mundo, uma em cada vinte está relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas e entre jovens de 20 a 29 anos a taxa chega a 13,5%.

Este alerta foi feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em relatório sobre o consumo global de álcool e suas consequências adversas para a saúde, divulgado em 2018. Segundo este, o álcool mata mais pessoas que a AIDS, a Tuberculose, que doenças infecciosas, acidentes de trânsito, homicídios, doenças cardiovasculares, entre outras. Destas mortes atribuídas ao consumo excessivo de álcool, 28% estão relacionadas a acidentes de trânsito, violência doméstica, suicídios e outros atos violentos; 21% a distúrbios digestivos; 19% a doenças cardiovasculares e indicadores menores estão relacionados a doenças infecciosas, cânceres, transtornos mentais e outros problemas de saúde. A OMS encerra este relatório prevendo um aumento no consumo global de álcool na próxima década, em especial no sudoeste da Ásia, no Pacífico Ocidental e nas Américas.

Segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), em relatório de 2021, cerca de 85 mil mortes anuais durante o período de 2013 e 2015 nas Américas, são atribuídas 100% ao consumo de álcool. Este relatório indica que o consumo de álcool nas Américas é 25% superior à média global, a maioria das mortes (64,9%) ocorreu entre pessoas com menos de 60 anos, suas causas principais foram: doenças hepáticas (63,9%) e distúrbios neuropsiquiátricos (27,4%), resultantes da dependência de álcool. Mais homens do que mulheres morreram pelo consumo excessivo de álcool e cerca de 80% das mortes em que o álcool foi um fator predisponente ocorreram em 3 países: EUA (36,9%), Brasil (24,8%) e México (18,4%).

Em 2019, a OMS já alertava que o Brasil tinha mais de 4 milhões de alcoólicos, quase 3% da população brasileira acima de 15 anos. Este relatório demonstrou que o consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros acima de 15 anos acelerou em uma década, de 2006 a 2016, com a média aumentando de 6,2 litros para 8,9 litros, um aumento de 43,5%, estando acima da média mundial em 6,4 litros. Nosso país é o 3º com maior consumo de álcool per capta da América Latina e o 5º do Continente Americano, sendo que, o álcool é a substância psicoativa com maior consumo e dependência.

A OMS define o alcoolismo como uma doença crônica, capaz de levar o paciente a outras complicações médicas, como a cirrose e a hepatite. Sendo uma condição em que a pessoa faz constantemente o uso abusivo e descontrolado de bebidas alcoólicas, com o passar do tempo, o organismo sente a necessidade do consumo cada vez mais elevado da substância, se instaurando um vício progressivo.

Os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento do alcoolismo, são: internos (genéticos, psicológicos, personalidade, escolha pessoal e histórico de bebida) e externos (família, meio ambiente, religião, social, cultural, idade, educação e status de trabalho). Os principais sinais do alcoolismo, são: vontade constante e incontrolável de ingerir bebidas alcoólicas; após o primeiro gole, falta de controle sobre o consumo; necessidade de doses cada vez mais elevadas; a pessoa passa a beber sozinha, esconder o consumo e existe um afastamento dos familiares e amigos. Seus principais sintomas, são: suor, nervosismo, tremedeira, angústia, ansiedade, náusea, enjoo e, por vezes, perda de memória.

O seu diagnóstico é feito com o auxílio de um Psiquiatra ou Psicólogo e o tratamento se inicia pela vontade da pessoa em parar de beber, entendendo a sua condição de dependência e aceitando o tratamento, compreendendo a repercussão negativa deste vício para a saúde física, mental e emocional, sendo destrutivo em todos os âmbitos da sua vida.

O tratamento pode ter um aspecto multidisciplinar, com a participação do Psiquiatra, Psicólogo, Terapeuta Ocupacional e outros profissionais médicos especialistas nas áreas orgânicas afetadas pelo consumo excessivo de bebida alcoólica, por exemplo, médico Hepatologista, caso o fígado já tenha sido atingido de maneira importante.

O alcoolismo foi declarado doença pela OMS em 1967, sendo um problema que afeta a sociedade como um todo, trazendo consequências graves à saúde do dependente, mas também atingindo sua vida de maneira integral, por vezes desintegrando a sua família e criando enormes problemas para o exercício profissional.

O resultado do alcoolismo pode ser observado nos hospitais, nos noticiários, nas delegacias de polícia, corpos de bombeiros, penitenciárias e, infelizmente, nos cemitérios.

Em 1935, em Akron, Ohio – EUA, teve início os Alcoólicos Anônimos, entidade criada por Bill W., um corretor da Bolsa de New York e pelo Dr. Bob S., médico cirurgião, ambos alcoólicos, estando hoje capilarizada por mais de 146 países, reunindo mais de 2 milhões de integrantes. No Brasil, são 650 grupos registrados e 75 mil membros. Esta entidade busca ajudar o dependente a vencer o vício do álcool, tendo adotado o lema: “Evite o primeiro gole”, podendo ser encontrada na internet através do site www.aa.org.br. Outra entidade, igualmente mundial, a Al-Anon, criada para cuidar de familiares e amigos de alcoólicos, adota os mesmos princípios dos Alcoólicos Anônimos, com o lema: “Evite o primeiro atrito”.

Em favor da bebida, o alcoólico abre mão de sua qualidade de vida, de sua integridade física e moral, de seu trabalho, de seus amigos e de sua família. Contudo, estamos lidando com uma pessoa portadora de uma doença crônica, que precisa ser tratada, mas este tratamento só é possível com a vontade e comprometimento do paciente.

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