terça-feira, 21 de setembro de 2021

OBESIDADE, O CENTRO DO APETITE ESTÁ NO NOSSO CÉREBRO

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) entende que a obesidade é um dos maiores problemas do mundo, estimando que, em 3 anos, teremos por volta de 2,3 bilhões de adultos obesos, destes, 700 milhões poderão estar com a sua saúde alterada ao nível de proporcionar riscos à vida. No Brasil houve um aumento de 72% nos casos de obesidade nos últimos 13 anos, havendo crescimento, inclusive, entre os mais jovens, sendo que, 13% das crianças na faixa etária de 5 a 9 anos já sofrem de obesidade.
A OMS define obesidade como excesso de gordura corporal em quantidade que determine prejuízos à saúde. Uma pessoa é considerada obesa quando o seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m² e a faixa de peso normal varia entre 18,5 e 24,9 kg/m², tendo este cálculo como base a análise do peso da pessoa em relação a sua altura.
A obesidade é considerada uma doença crônica, a qual varia de acordo com a localização e distribuição da gordura pelo corpo, existindo 3 tipos: abdominal, periférica e homogênea. Quanto a classificação por IMC, temos: peso normal (18,0 a 24,9 kg/m²), sobrepeso (25,0 a 29,9 kg/m²), obesidade grau 1 (30,0 a 34,9 kg/m²), obesidade grau 2 (35 a 39,9 kg/m²) e obesidade grau 3 ou mórbida (superior a 40 kg/m²).
A necessidade de ingestão de alimentos, portanto, o sentimento de fome ou de saciedade alimentar é ditada pelo hipotálamo, estrutura localizada na base do cérebro. Contudo, existem fatores internos e externos que interferem no ganho de peso excessivo, ocorrendo uma interação de fatores genéticos, culturais e familiares. Portanto, a obesidade está relacionada com hábitos alimentares errados, pré-disposição genética, vida sedentária, distúrbios psicológicos e problemas familiares.  
Os sinais externos também aguçam o apetite, sugestões visuais relacionadas a alimentos em comerciais de TV, anúncios nas ruas, entre outros, sugestionam um consumo excessivo de comida. Determinadas doenças como o hipotireoidismo e a diabetes tipo 2 podem causar obesidade, assim como distúrbios mentais, como a Depressão e Transtornos de Ansiedade.
Apesar das causas já conhecidas que levam a obesidade, a influência cerebral neste processo, onde realmente reside o centro decisório de se comer em excesso, é algo que se busca desvendar.
Pesquisadores do Centro Médico Beth Israel Deaconess (BIDMC), nos EUA desenvolveram uma pesquisa com grupos específicos de neurônios no cérebro de camundongos, onde identificaram uma via biológica que liga os neurônios que se encontram em regiões do cérebro mais “antigas”, as quais desencadeiam a sensação de fome, com circuitos cerebrais distantes, relacionadas a funções cognitivas mais sofisticadas, estas envolvidas na decisão de reagir ou não a sugestões visuais relacionadas a alimentos.
Em outra pesquisa, realizada em Israel em 2017 e divulgada na conceituada revista britânica Nature Neuroscience, cientistas utilizaram uma avançada técnica de análise neural e descobriram 50 novas células cerebrais e determinaram estruturas que estavam relacionadas ao consumo exagerado de alimentos.
Estas descobertas podem abrir caminho para novos tratamentos que atenuem a vontade de comer em pessoas obesas ou com distúrbios alimentares, sendo muito importantes, visto o crescimento da população obesa mundial.
Esta doença crônica, em um primeiro momento, pode atuar diminuindo a autoestima das pessoas e isto pode trazer consequências emocionais importantes, entretanto, pode acarretar ou potencializar distúrbios físicos e mentais extremamente preocupantes.
O excesso de peso pode acarretar processos inflamatórios em diferentes regiões do corpo, acúmulo de gordura nas artérias, o que pode causar infarto na musculatura cardíaca e colesterol nos vasos sanguíneos, causador do AVC, além de distúrbios psicológicos. Algumas das doenças relacionadas são: cardiopatias (Arritmia e Infarto), doenças cardiovasculares (Hipertensão e AVC), Diabetes tipo 2, Câncer (intestino, mama e endométrio), doenças nos músculos e ossos por sobrecarga de peso, doenças respiratórias (Apnéia e Asma), Depressão e Ansiedade.
A identificação da causa que leva ao ganho excessivo de peso é fundamental, sendo importante a busca por um profissional de saúde especializado que possa investigar os motivos e tratar esta doença crônica. Da mesma forma, os exercícios físicos em conjunto com a mudança de hábitos alimentares é uma excelente indicação para a queima de gorduras, mas igualmente, precisa de indicação e monitoramento realizado por profissional qualificado.
O entendimento que a obesidade se trata de uma doença crônica e que precisa ser tratada, é fundamental. Já sabíamos que a vontade de comer tem início no cérebro, mais precisamente, no hipotálamo, agora, a ciência está desvendando outros circuitos cerebrais que estão relacionados com o aumento do consumo de alimentos e isto se reveste de uma nova leitura sobre a obesidade, o que proporciona novos caminhos, novos tratamentos e novas perspectivas para esta imensa população mundial que padece das consequências do excesso de peso.


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