Master Coach, Palestrante, Consultor de Gestão e de Projetos na área da Saúde, Colunista e Blogueiro. Cirurgião dentista, pós-graduado em Gestão Hospitalar. Colunista do portal de notícias No Ponto SC com a coluna e o Podcast “Transformando Vidas”. Presidente do Instituto Abaeté de Saúde e Desenvolvimento Humano. Criador do método "Transformando Vidas".
terça-feira, 31 de março de 2020
EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS: A SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA, O PERFIL DA POPULAÇÃO E O QUE HÁ DE VIR.
A pandemia do Coronavírus se alastra em progressão geométrica mundo afora, no momento que escrevo, são mais de 700 mil infectados e quase 30 mil mortes, mas por volta de 120 mil pessoas se curaram. No Brasil estamos na faixa dos 4 mil infectados e mais de 100 mortos, sendo ainda o seu início. Segundo o Ministério da Saúde (MS), seu ápice será em abril e maio, com atitudes de contenção e mitigação eficientes, espera-se uma estabilização de casos à partir de julho. Santa Catarina em isolamento sanitário horizontal desde 17/03, se estrutura e planeja medidas para conviver com o vírus.
Este ápice vai incidir no outono/inverno, coincidindo com a sazonalidade de doenças respiratórias, como a gripe, com relevo para a sua cepa viral mais agressiva, a H1N1 que infectou 3430 pessoas e vitimou 797 (2019) e o sarampo, infecção respiratória grave e de alto contágio (cada contaminado pode transmitir para até 18 pessoas), que estava erradicada, voltando em 2019 com 20 mil casos, causando 15 óbitos. O MS já está vacinando contra a gripe e o sarampo também tem vacina. Prezo lembrar da dengue, apesar do mosquito vetor (Aedes Aegypti) se proliferar em clima quente e úmido, tivemos em 2019 mais de 1,5 milhão de casos e 754 óbitos, está epidêmica em 2020, não tem vacina pelo SUS, portanto o combate a este mosquito é tarefa para o ano todo.
A COVID-19 apresenta letalidade de 2,4% no país, altíssimo contágio e é científico que para cada caso confirmado existem outros 15 ocultos. Mais de 80% da população, em se contaminando, apresentará sintomas brandos, contudo estará transmitindo, há transmissão durante o período de incubação (1 a 14 dias) e assintomático, 20% da população formada por grupos vulneráveis (idosos, doentes crônicos e pessoas com comorbidades) podem ser atingidos mais intensamente, destes 20%, 5% poderão apresentar síndrome respiratória grave e de onde sairão os óbitos.
A situação epidemiológica e as características populacionais de um país são base para tecer quadros possíveis. Temos a 5ª maior população idosa do mundo (29,6 milhões acima dos 60 anos) e 57,4 milhões de portadores de doenças crônicas não contagiosas (indicadores do MS em 2016, perante 207,7 milhões de habitantes, hoje mais de 210 milhões). Os idosos lideram o grupo de vulneráveis, seguidos pelos doentes crônicos.
Portanto a lógica de propagação depende da situação epidemiológica e do perfil populacional do país, vejamos a Itália, com maior volume de idosos da Europa e que se aproxima dos 100 mil casos e 10 mil óbitos. Perante estes indicadores, no Brasil, apesar da virtude de termos um sistema de saúde com modelo universal (SUS), se somam problemas conjunturais antigos da saúde pública, com relevo para a área hospitalar, que podem perfazer um quadro extremamente grave em índice de contágio e de letalidade.
Na ausência de vacina (EUA e China devem disponibilizar em até 18 meses) e de medicações (a cloroquina tem apresentado melhores resultados, em testes, foi liberada perante Nota Informativa nº 5 de 26/03/2020 do MS como medicação adjuvante em pacientes graves, em âmbito hospitalar e perante protocolo), as ferramentas disponíveis são: isolamento social horizontal, vertical, testes laboratoriais e a tecnologia. Lembrando que a COVID-19 é autolimitante, em condições imunológicas normais, a cura é espontânea.
O isolamento social horizontal tem sido usado historicamente em incidências de doenças de alto contágio e pressupõe o isolamento completo de grupos sociais, municípios, estados e até de países. Como vários estados, Santa Catarina adotou à partir de 17/03, com base no seu momento epidemiológico, mas na lógica de preparar os municípios perante o protocolo de doenças infectocontagiosas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e principalmente pela fragilidade da sua rede hospitalar, composta por 117 hospitais-SUS (96 filantrópicos e/ou municipais), tendo apresentado no seu plano de contingência 450 UTIs (45 para o Coronavírus). Esta falta de estrutura hospitalar e de UTIs seria catastrófica. A suspensão das cirurgias eletivas já vinha ocorrendo, após uma semana desta, o governador relatou ter 801 UTIs-SUS (acredito que ampliando a lógica de 60% SUS e 40% privado da rede filantrópica, habilitando novos leitos e com reserva de leitos no setor privado). O estado trabalha com o ideal de 1500 UTIs e prioriza a reativação de hospitais para o Coronavírus, por exemplo, na região da Foz do Rio Itajaí tem o Hospital Santa Inês, imagino que seja reativado.
Portanto o isolamento social horizontal é uma ferramenta a ser usada em tempo e dose necessária, com um objetivo específico, buscando o achatamento da sua curva de crescimento (dividindo os casos por mais meses). Santa Catarina, em tendo sanado as dificuldades, agiu corretamente até aqui, mas ao prolongar este isolamento, pode trazer em seu bojo, consequências psicológicas, problemas econômicos severos e desarranjos sociais.
A OMS está preconizando o modelo de enfrentamento exitoso da Coreia do Sul e da Alemanha, baseado no volume amplo de testes rápidos. Na Coreia são mais de 10 mil por dia, na Alemanha 12 mil, ainda utilizam o isolamento social vertical (seletivo).
O MS sinaliza com a aquisição 10 milhões de testes rápidos, creio ser este o caminho, passando pela estruturação do sistema hospitalar, com um diálogo reto e transparente com a comunidade, com uma uniformidade nacional de ações e a adoção de embasamento técnico para emissão de opinião e a tomada de atitudes pelas autoridades. Quanto a nós cidadãos entender as limitações e cuidados que devemos ter, cumprir as orientações, buscar a boa informação e sermos solidários.
Vem comigo!!!
Contatos para PALESTRAS VIRTUAIS e ORIENTAÇÕES para você e sua empresa nestes TEMPOS DE CORONAVÍRUS:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026, (47) 99903-6152
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com
Assinar:
Postar comentários (Atom)
TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM
Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...
-
O Estados Unidos (EUA) tem avançado significativamente na vacinação da sua população de mais de 328 milhões de pessoas. Tendo iniciado em de...
-
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava já em 2019 que o mundo padecia de uma epidemia silenciosa provocada por quatro Infecções Sex...
-
A primeira vacina foi elaborada em 1796, contra a Varíola, pelo médico inglês Edward Jenner, o qual observou que ordenhadoras contaminadas c...


Nenhum comentário:
Postar um comentário