terça-feira, 30 de março de 2021

A CIÊNCIA NA PANDEMIA: SPRAY NASAL, ASPIRINA E AS VACINAS

 

A ciência demonstra a cada dia ser a luz no final do túnel desta pandemia, trazendo esperança no momento que o mundo é assolado por uma segunda onda pandêmica, vitaminada por novas cepas virais mais contagiosas e agressivas, se aproximando rapidamente das 3 milhões de mortes em razão da Covid-19. No Brasil, que registrou em 23/03 um novo recorde de 3.251 mortes em 24h, apresentando em 25/03 a assustadora marca de 63 dias seguidos com média móvel acima da marca de 1.000 mortes e há 8 dias seguidos com média acima de 2.000 mortes, somando mais de 300 mil óbitos em razão da Covid-19, o negacionismo, a alienação, os interesses menores e a irresponsabilidade de muitos trabalha por privar a população da informação correta e da tão necessária conscientização, entretanto, a ciência caminha no sentido de salvar vidas, inclusive, destas pessoas de valor humano duvidoso.

Se no início desta crise sanitária sem precedentes o meio médico se utilizou de muitas medicações sem comprovação científica, pressionado pelo iminente colapso dos sistemas de saúde, neste momento deixou de lado o foco em encontrar medicações de combate e até de prevenção, trabalhando com a realidade de identificar ou desenvolver medicamentos que promovam o equilíbrio imunológico, mitiguem os sintomas e controlem as infecções, buscando evitar o avanço da doença para casos mais graves.

Da primeira geração de medicamentos, estudos científicos robustos já descartaram o uso da Hidroxicloroquina e da Cloroquina, associadas ou não a Azitromicina, visto não apresentarem eficácia no tratamento da Covid-19 e demonstrarem um potencial muito alto para o desenvolvimento de efeitos colaterais, em especial no músculo cardíaco. Em função disto, a Food and Drugs Administration (FDA), a ANVISA dos EUA, revogou a autorização de uso da Hidroxicloroquina e da Cloroquina para pacientes acometidos pela Covid-19.

Desta primeira fase ainda estão sendo utilizadas a Heparina (anticoagulante), a Dexametasona (corticoide), certificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) perante sua capacidade de reduzir a inflamação, sendo recomendada para uso em ambiente hospitalar em casos moderados e graves, o Remdesevir (antiviral), com aprovação de uso da FDA e, recentemente, da ANVISA, com capacidade de diminuir a replicação viral e, portanto, a agressividade do vírus, sendo utilizado em ambiente hospitalar.

Mas uma segunda geração de medicamentos está chegando, tornando o dito “kit Covid” uma referência “pré-histórica” nesta pandemia, os anticorpos monoclonais, o plasma convalescente, o soro elaborado a partir de plasma equino, o ácido acetilsalicílico e os sprays nasais estão dando um novo enfoque e demonstrando que a despeito da indiferença de alguns, a ciência está trabalhando muito.

O Plasma convalescente é desenvolvido a partir do plasma de pessoas que já tiveram a Covid-19 e tem a função de aumentar rapidamente o aspecto imunológico de pacientes em ambiente hospitalar, impedindo a evolução para casos mais graves e diminuindo o tempo de internação. O Soro desenvolvido a partir de plasma de cavalos, que está sendo desenvolvido pelo Instituto Butantan, o qual solicitou da ANVISA autorização para testes em humanos, tem uma função similar ao Plasma convalescente, entretanto, segundo estudos, potencialmente maior e poderá ser produzido em maior escala.

O Ácido Acetilsalicílico, princípio ativo da Aspirina (Bayer) e do AAS (Sanofi), segundo estudo realizado pela George Washington University (EUA), tem potencial para evitar a formação de coágulos sanguíneos, evitando, portanto, inflamações importantes nos pulmões e no músculo cardíaco, tendo uma atuação similar a Heparina, mas diferentemente desta última medicação que é utilizada em ambiente hospitalar, poderia ser utilizada de maneira preventiva.

Quanto aos Sprays Nasais, temos 2 tipos: produtos para a saúde e medicamentos. Os produtos para a saúde têm uma aprovação mais simples por parte da ANVISA e já são utilizados para prevenir, por exemplo, a gripe e o resfriado, criando barreiras físicas dentro do nariz para impedir vírus e bactérias de entrar no organismo. O Vick Primeira Proteção (P&C Health), este muco-adesivo em micro gel estava fora de linha e foi relançado, o Filtrair (Zambom), mistura de celulose e hortelã em pó, é um lançamento recente, assim como o Taffix (Nasus Pharma) que, segundo o divulgado pela farmacêutica, “ajuda a capturar e matar 97% dos vírus, incluindo o Sars-Cov-2”.

Temos 3 Sprays Nasais medicamentosos mais divulgados, o ExoCD24, desenvolvido pelo Centro Médico Ichilov de Israel, para casos moderados e graves, se propondo a erradicar a “tempestade de citocinas” no pulmão, inflamação causada por uma descarga imunológica severa em função da doença, de efeito similar ao da Dexametasona, mas potencializado. Uma comitiva do governo brasileiro esteve em Israel e foi assinado um Termo de Cooperação, acredita-se que em um ano estará disponível. Spray Nasal de óxido nítrico (Nons - SaNOtize), já aprovado em Israel e na Nova Zelândia, tendo o nome comercial de Enovide, trabalha com a intenção que o óxido nítrico destrua o Sars-Cov-2 que tente entrar no organismo pelo nariz. INNA-051 (Ena Respiratory), se propõe a refrear a replicação do vírus, ainda não foi testado em humanos e teria uma atuação similar ao Remdesevir (antiviral), mas com custos menores.

A ciência trabalhou muito nesta pandemia e diversas medicações começam a surgir, passou a fase do “kit Covid” e da busca de curas messiânicas, mas estas que estão surgindo são auxiliares, o verdadeiro caminho para o encerramento desta pandemia são as vacinas, campanhas de conscientização, ações de governança corretas e o comprometimento de todos com o que precisa ser feito.

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terça-feira, 23 de março de 2021

REGIÃO SUL, NOVO EPICENTRO DA PANDEMIA


O Ministério da Saúde (MS) identifica a Região Sul do país como novo epicentro da pandemia e esta situação alarmante é consubstanciada por recordes em números de óbitos/dia nos 3 estados, Rio Grande do Sul (RS) com 514 óbitos registrados em 17/03, Paraná (PR) com 310 óbitos em 16/03 e Santa Catarina (SC) com 167 óbitos em 16/03. Para se ter um comparativo, no dia 16/03 o RS esteve atrás apenas de São Paulo (SP), que registrou 617 óbitos neste dia. Lembro que o RS tem mais de 11,4 milhões de habitantes, enquanto SP tem mais de 46,2 milhões, segundo o censo do IBGE de 2020, portanto, uma população quase 4 vezes menor.

As consequências desta situação de caos sanitário já podem ser percebidas, se nos estados do Norte, o abastecimento de oxigênio hospitalar se tornou um nó crítico, nos estados do Sul os sistemas de saúde estão em colapso, com filas de espera para leitos de UTI Covid e os insumos, assim como as medicações para entubar os pacientes, começam a faltar.

É importante perceber que o RS foi considerado estado modelo no combate a esta pandemia no início desta crise sanitária. SC, estado que implementou um distanciamento social ampliado em 17/03/2020, quando havia apenas circulação comunitária do vírus no sul do estado, portanto, a meu ver, de maneira a suscitar discussões sobre o momento e a dosimetria de uso desta medida que causa grandes prejuízos econômicos e psicológicos, também foi considerado, por muitos, como um modelo a ser seguido. Já o Paraná, sempre esteve na vanguarda das ações de enfrentamento. Então, o quê aconteceu para que o quadro se revertesse de maneira tão radical?

As explicações me parecem claras, a começar por um negacionismo e uma inércia nas ações de governança desta crise sanitária, por parte do Governo Federal, que se alastra e pressiona estados e municípios. Afinal, as medidas de distanciamento social, somadas a cuidados de higiene e o uso da máscara, são as formas de prevenção, as quais se completam com as vacinas. Mas sabemos que medidas rígidas de distanciamento social são impopulares, visto os prejuízos severos na economia. Se visitarmos o nosso passado recente, percebemos que desde a campanha eleitoral municipal, todas as medidas de enfrentamento foram afrouxadas, como se a pandemia houvesse se encerrado. Soma-se a isto, a ocupação, desprovida de qualquer cuidado sanitário, das praias e equipamentos turísticos nestes 3 estados a partir de 12/10/2020, o que se avolumou nas festas de final de ano, mesmo com a inexistência de eventos públicos e no carnaval. Foi uma beleza, muita gente visitando estes estados, se aglomerando nas praias sem qualquer tipo de cuidado e com uma absoluta inexistência de fiscalização sanitária ou mesmo algum trabalho de conscientização para o momento vivido.

O Governo Federal, que engata seu 4º ministro da saúde nesta pandemia, se superou em falta de planejamento, no menosprezo à ciência e na falta de valorização à vida humana, ao descredenciar, em massa, leitos de UTI na virada do ano. Segundo o Conselho Nacional de Secretarias de Estado da Saúde (CONASS) de 11.565 leitos de UTI - Covid, o número passou para 3.372, uma diminuição de 70%. Jamais implementou uma política de testagem em massa da população, o que permitiria cortar a cadeia de contágio e identificar quadros de situação da pandemia, nem tampouco, desenvolveu campanhas de conscientização ou estimulou estados e municípios para que o fizessem, ao contrário disto, desenvolveu narrativas dissonantes da grave situação sanitária vivida. Para piorar, não adquiriu vacinas de maneira antecipada e nem ao menos, desenvolveu uma logística de aquisição de insumos. Como consequência, sobram dúvidas e faltam vacinas.

Mas, como reza o dito popular, “o que está ruim, ainda pode piorar”, esta “geleia real” de irresponsabilidade e falta de ações de governança que domina nosso país nesta grave crise sanitária, acarreta uma segunda onda pandêmica muito mais agressiva ou, como defendem alguns cientistas, uma nova pandemia patrocinada por uma nova cepa viral, nascida em nosso país, mais precisamente em Manaus-AM, a P1, a qual tem maior velocidade de contágio, atinge de maneira importante pessoas com menos de 50 anos, leva a estágios mais graves da doença mais rapidamente e por conter a mutação E-484k, a qual dribla os anticorpos, pode alterar a eficácia das vacinas.

Os motivos para vivermos este caos sanitário estão claros, mas nosso país, responsável por 20% das mortes por Covid-19 no mundo, causa apreensão global pela perspectiva de se tornar uma “fábrica” de novas variantes mais agressivas, com grande possibilidade de alterarem substancialmente a eficácia das vacinas. Isto ocorre pela combinação de uma vacinação em “conta-gotas” com a transmissão descontrolada do Sars-Cov-2. Afinal, a vacina precisa de um tempo para a formação de anticorpos, com uma transmissão acelerada, uma pessoa recém-vacinada pode ser contaminada e a variante ao se deparar com uma quantidade ainda pequena de anticorpos, ao se replicar, pode promover mutações mais resistentes a esses anticorpos e potencializar uma cadeia evolutiva de cepas virais mais agressivas e com maior resistência às vacinas.

Entendo que o momento vivido é muito grave e enfatizo a necessidade de campanhas de conscientização, afinal, sem o comprometimento da população se torna difícil superar esta pandemia. Quanto aos governos, menos narrativas e mais ações.



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terça-feira, 16 de março de 2021

BRASIL, NO CAOS PANDÊMICO FALTAM CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO


 



O Brasil voltou a ser o epicentro da pandemia da Covid-19, enquanto grande parte dos países demonstram aprendizado com a primeira onda deste evento sanitário sem precedentes, nosso país apresenta dia após dia recordes de mortes, a mais de 50 dias, com números acima de 1000 mortes/dia, em 10/03 registrou 2.349 óbitos, totalizando nesta data 270.917.

Enquanto os países do Continente Europeu, os EUA, Israel, Canadá e diversos outros países, inclusive muitos da América Latina, adquiriram vacinas com antecedência e desenvolveram uma logística de aquisição de insumos, nosso país se aliou ao negacionismo, por parte do Governo Federal, a ações de governança que se mostraram frágeis, a discussões intermináveis sobre a importância do distanciamento social e sua ação deletéria para a cadeia produtiva e buscou o caminho da cura milagrosa através de medicações sem comprovação científica de uso para tratar a Covid-19, algumas com a possibilidade de efeitos colaterais perigosos. É um retrato deste período, as manifestações negacionistas, com pessoas aglomeradas, sem usar máscaras e portando cartazes onde se lia: “quem tem cloroquina, não precisa de vacina”.

Sempre correndo atrás do prejuízo e isto é fatal em uma pandemia, aliás, como os indicadores de mortalidade estão comprovando, com um volume de testagem da população baixíssimo, trabalhando por mitigar a tragédia com incrementos de última hora de leitos hospitalares de retaguarda e de UTI, vimos surgir no país uma nova cepa viral, a P1, originada em Manaus-AM, a qual o Ministério da Saúde (MS) foi incapaz de conter, tendo colapsado os sistemas de saúde dos estados do Norte e se disseminado por mais de 12 estados, levando o caos, através de sua maior velocidade de contágio, por atingir um público mais jovem e também por evoluir rapidamente para quadros graves da doença, tendo a possibilidade de reinfectar pessoas já infectadas por outras cepas virais.

Com uma vacinação em “conta-gotas”, na preocupação de as vacinas serem eficazes contra esta nova variante e vendo surgir uma nova cepa viral no Rio de Janeiro-RJ, a P2, o Brasil se tornou uma preocupação para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e para o restante do mundo, pelo fato de além da tragédia sanitária em curso, se tornar um “laboratório” para o desenvolvimento de novas variantes mais agressivas do Sars-CoV-2.

Emerge de maneira importante nesta ausência de governança da pandemia em nosso país, a falta de conscientização de boa parte das pessoas. Parece incrível, mas em mais de um ano deste evento sanitário em terras nacionais, não houve qualquer movimento do Governo Federal, ou mesmo dos estados, para prover campanhas que suscitem o entendimento do momento vivido e das responsabilidades de cada qual para superá-lo. Sem o comprometimento da população, mesmo com vacinas, será difícil vencermos esta pandemia.

As campanhas de educação sanitária tiveram início em nosso país no final do século XIX e início do século XX, com o intuito de mudar os paradigmas relativos a atitudes de higiene e cuidados pessoais, adequando-os às novas realidades sociais e da ciência, sendo fundamentais para o combate da Varíola, da Febre-Amarela, da Poliomielite e do HIV- AIDS.

Os mais antigos se lembrarão do personagem “Sujismundo”, criado por Rui Perotti em 1972, em pleno Regime Militar, personagem porcalhão e mal-educado, que protagonizou uma campanha para melhorar os hábitos de higiene e limpeza da população: “Povo desenvolvido é povo limpo”. Este personagem caiu no gosto popular e virou sinônimo de pessoas que, assim como ele, tinham maus hábitos de higiene. Ele foi utilizado entre 1977 e 1979 para reforçar a importância da vacinação, introduzindo outro personagem, o “Sujismundinho”, seu filho, mas diametralmente oposto no comportamento e que procurava conscientizar o pai, um negacionista e reacionário contumaz, para a importância das boas práticas de higiene, da vacinação e da ciência. Estes personagens e a campanha que os utilizou foram importantes, por exemplo, para a erradicação da Poliomielite no país, alcançada em 1989.

Em 1986, o artista plástico Darlan Rosa, criou o Zé Gotinha, bonequinho simpático e personagem central de campanhas para incentivar a vacinação contra a Poliomielite, sendo hoje utilizado como símbolo de campanhas vacinais em nosso país. Não podemos esquecer de campanhas nos moldes do Outubro Rosa, de estímulo e conscientização para atitudes de prevenção contra o câncer de mama e de colo de útero, o Novembro Azul, nos mesmos moldes, focada na prevenção do câncer de próstata e nas campanhas desenvolvidas pelo MS para conscientizar, em especial os mais jovens, sobre práticas sexuais seguras com foco na prevenção do HIV-AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Entendo como fundamental que sejam desenvolvidas campanhas de educação em saúde, com foco na conscientização e esclarecimento das pessoas sobre todo o contexto desta pandemia, a importância das vacinas e que cada um tem que fazer a sua parte, usando máscara, tomando cuidados sanitários, adotando medidas de distanciamento social. Acredito que ainda é tempo do Governo Federal capitanear uma ampla campanha, mas independente disto, os estados poderiam fazê-lo, contudo, vejo os municípios como atores diferenciados e que deveriam viabilizar suas próprias campanhas, assim como o Poder Legislativo em âmbito municipal também poderia fazê-lo de maneira parceira ou individual, ainda as empresas e entidades da sociedade organizada, precisam acordar e se envolver de maneira mais atuante em projetos desta natureza.


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TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...