sábado, 20 de julho de 2019

DESVENDANDO UM TABU: SUICIDIO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES. (Parte I)




Este artigo tem a intenção de contribuir com informações e se prestar a um alerta sobre esta causa de mortandade de nossas crianças e adolescentes que ainda é um tabu e pouco estudada portanto no mundo e em especial no Brasil, mas que como contextualizarei, apresenta curva crescente nos últimos anos e com o ingresso do fator predisponente exercido pela “Era Digital”, pode rapidamente chegar a uma situação de descontrole.
Todas as informações aqui prestadas, foram colhidas de artigos médicos disponibilizados nas bases de dados: PubMed e Psycinfo, também de dados do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (organismo ligado a ONU), entre outros. Sempre tomando o cuidado da certificação de tudo que venha a ser publicado, aliás precaução que tenho em todas as publicações desta coluna.
Em 2014 a Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou o primeiro relatório sobre suicídio no mundo: “Prevenção do suicídio: uma necessidade global”, ali encontramos indicadores relevantes como o levantamento, segundo o qual mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo, sendo o suicídio a principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.
A mesma OMS já havia publicado um estudo epidemiológico conduzido em 101 países no período entre 2000 e 2009 onde constatou que 14,7% dos suicídios envolvem crianças na faixa etária de 10 a 14 anos. Destes, 74% morreram por enforcamento e 13% por arma de fogo.
Anteriormente, em 2003, a Associação Internacional para Prevenção do Suicídio e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), instituíram o dia 10 de setembro como dia Mundial para Prevenção do Suicídio.
Na Noruega uma pesquisa realizada por organismos sanitários do país, revelou que o suicídio corresponde a 61% das mortes por causas externas em crianças com idade entre 10 e 14 anos. Na Austrália, o suicídio corresponde a segunda causa morte (27,2%) em crianças entre 10 e 14 anos. Nos Estados Unidos, segundo o Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC), uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, o suicídio é a terceira causa de mortes entre jovens nesta faixa etária.
No Brasil, dados do Mapa da Violência, organizado pelo Ministério da Saúde, mostram que o suicídio entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou em 40% e de 15 a 19 anos em 33,5% entre 2002 e 2012.
Portanto, podemos perceber que o suicídio é causa de um alto grau de mortandade de crianças e adolescentes, mesmo em países mais desenvolvidos, mostrando que as causas sociais precisam ser bastante estudadas e que em alguns países pode haver relação com questões culturais (por exemplo, em sociedades patriarcais como o Japão, país que apresenta índices bastante significativos), além é claro de patologias psicossociais, da própria sociedade moderna que apresenta o estigma da perversidade no trato com o ser humano (como exemplo, pode ser citado o bullying ou a abordagem sensacionista de parte da imprensa) e certamente carece de um estudo profundo sobre as influências da “Era Digital”.
Segundo o Dr. Brian Michara, professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Quebec, em Montreal – Canadá, crianças com idade entre 05 e 11 anos possuem entendimento minucioso sobre suicídio, dos 08 aos 09 anos conseguem elaborar conceitos de vida e morte, embora ainda sejam um pouco imaturos.
Já o professor da Fundação Oswaldo Cruz, Carlos Estellita Lins, médico psiquiatra e psicanalista, um dos maiores especialistas do Brasil em psiquiatria da infância e adolescência, relata que com 09 anos já existem dados sobre suicídio e a partir dos 12 anos, estes dados já são bastante significativos, ainda segundo o professor Estellita, no caso da criança e do adolescente, existem situações de violência da sociedade, onde se enquadra o bullying e ele justifica uma curva de elevação ocorrida nos últimos anos pela digitalização da sociedade, a virtualização, a qual propõe vantagens, mas cada vez se observa mais perdas e malefícios que ainda estão sendo estudados. Conforme o professor: “Notamos o impacto da onipresença da internet junto à criança e ao adolescente, a gente discute se há síndromes e distúrbios novos, a pessoa fica vivendo no mundo virtual, levando a um maior afastamento, a depressão, ao isolamento, além da internet facilitar o acesso sobre informações de suicídio e isto é muito preocupante, porque o conhecimento dos meios é buscado por quem pode estar com ideação suicida. Outro aspecto são ambientes virtuais onde se pode falar tudo, exortar o jovem a falar, onde de modo inconsequente, protegido pelo anonimato a pessoa exorta o suicídio, dá conselhos, banaliza.”
Segundo pesquisa feita a partir de dados do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) – RS, entre 2005 e 2012, neste período 4.658 crianças e adolescentes (08 a 17 anos) tentaram o suicídio, neste caso por autointoxicação, sendo:
·         Sexo: meninos 17,3% e meninas 80,7%;
·         Idade: 08 a 11 anos, 2,83%, 12 a 14 anos 28,81% e 15 a 17 anos 63,35%;
·         Momento: mês de outubro (predominante com 10,1%);
·         Dia da semana: terça-feira (predominante com 15,1%);
·         Hora: entre 18:00h e 21:00h (predominante com 29,46%).
Esta mesma pesquisa identifica que entre 2005 e 2012 houve uma curva crescente de 40,8%. Relevante citar, que pesquisas desta mesma época em escolas de Porto Alegre mostraram que 36% dos estudantes, nesta faixa etária, tinham “ideação suicida”.
Perante o exposto aqui, com base nas pesquisas apresentadas, podemos contextualizar algumas conclusões: com 08 anos a criança já tem noção da morte e portanto, já pode tentar o suicídio; com 12 anos está completo o amadurecimento sobre as instâncias de vida e morte; estranhamente, alguns países com alto índice de desenvolvimento apresentam igualmente alto índice de suicídio nesta faixa etária; este tema é norteado por preconceito e claramente é um tabu, tanto no mundo quanto no Brasil, talvez em função disto haja tanta carência de pesquisas e informações idôneas a respeito; existe claramente uma curva de crescimento do suicídio nesta faixa etária e isto não está relacionado apenas a incidência de patologias psicossociais, desarranjos escolares ou familiares, entre outras causas convencionais, mas sim a questões relacionadas a uma sociedade revestida com o viés da perversidade a qual convivemos e grandemente pela invasão de nossos lares pela “Era Digital”.
Na segunda parte deste artigo, continuarei a desvendar este tema tão complexo e tão distante do conhecimento da população como um todo, abordando motivos, como agir com seus filhos, a sociedade em que vivemos com seus malefícios e a parte perversa da “Era Digital”.
Vem comigo!!!
Contatos para contratação de Palestras ou Consultorias:
Fones/Whatsapp: (47) 99983-6026 (47) 99903-6152 


 



domingo, 14 de julho de 2019

Desvendando a Saúde do Brasil.



Live na fanpage do Jornal O Atlântico do dia 17/04/2019 com o tema: "Desvendando um Tabu: Suicídio de Crianças e Adolescentes".

Vem comigo!!!

Contato para contratação de Consultoria e Palestras através dos fones/WhatsApp (47) 99983-6026 e (47) 99903-6152
E-mail: ballesteroconsultoremsaude@gmail.com


Desvendando a Saúde do Brasil. Live na fanpage do jornal O Atlântico do 17/04/2019

TRANSFORMANDO VIDAS: COMO VENCER A AUTOSSABOTAGEM

Autossabotagem é quando a pessoa toma atitudes que lhe são prejudiciais, influindo de maneira negativa nas suas tarefas cotidianas, nos seus...